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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Brasil: Segundo Reinado 1840 - 1889


Em 23 de julho de 1840, quando foi declarada a maioridade, Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga ou simplesmente D. Pedro II tinha 15 anos incompletos, mas mesmo assim foi levado ao poder com o apoio do partido Liberal que queria tirar o partido Conservador do poder. 

A vida política nacional, ao longo do Segundo Reinado, foi marcada pela atuação desses dois partidos políticos que embora brigassem forte pelo poder, tinham as mesmas ideias, representavam a classe dominante, defendiam a monarquia e a manutenção da mão-de­-obra escrava. 

Logo no início de seu governo, Pedro II percebeu que seria difícil governar com uma conciliação dos partidos políticos. O primeiro ministério era formado por políticos liberais que apoiaram o golpe da Maioridade não tinha apoio da Câmara dos Deputados formada em sua maioria por políticos conservadores. 

Foram marcadas novas eleições e para garantir uma maioria de deputados liberais, os membros do Partido Liberal, usando de violência, fraudaram as eleições e garantiram a maioria parlamentar. Tal episódio é conhecido como "eleições do cacete"

Os conservadores reagiram e exigiram que o imperador dissolvesse a Câmara que havia sido eleita nas "eleições do cacete". D. Pedro II demitiu o ministério liberal, nomeou um ministério conservador e marcou novas eleições, também marcadas pelas fraudes. 

A vitória dos conservadores e o avanço de medidas centralizadoras provocaram uma reação dos liberais, em São Paulo e Minas Gerais, a chamada Revolta Liberal de 1842

Em 1844 o imperador demitiu o gabinete conservador e nomeou um gabinete liberal, cuja principal decisão foi a criação da tarifa Alves Branco (1844), que extinguiu as taxas preferenciais aos produtos ingleses. No ano de 1847 foi criado o cargo de presidente do Conselho de Ministros, implantando o parlamentarismo no Brasil.


Parlamentarismo às avessas
O parlamentarismo é um regime político onde o partido que detém a maioria no Parlamento indica o primeiro-ministro, que é o chefe de governo e comanda o poder Executivo. Desta forma, o Executivo fica subordinado ao Legislativo. 

No Brasil, ao contrário, o primeiro-ministro era escolhido pelo imperador. Se a Câmara não tivesse uma maioria de parlamentares do partido do ministério adotado, ela seria dissolvida e novas eleições eram marcadas, o que tornava o Legislativo refém do Executivo.


Revolução Praieira
Movimento que ocorreu na província de Pernambuco (1848-1850) e está relacionado aos levantes liberais de 1848 na Europa. 

As causas do movimento podem ser encontradas no controle do poder político pela família dos Cavalcanti e no monopólio do comércio exercido pelos estrangeiros, principalmente portugueses e que não empregavam trabalhadores brasileiros, desenvolvendo um forte sentimento antilusitano. 

O porta-voz da rebelião era o Diário Novo, jornal dos liberais que estava instalado na Rua da Praia daí a denominação de praieiros aos rebeldes, que no ano de 1848 publicou o "Manifesto ao Mundo", redigido por Borges da Fonseca. 

O manifesto, fortemente influenciado pelas ideias do socialismo utópico, reivindicava o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, autonomia dos poderes, liberdade de trabalho, federalismo, a nacionalização do comércio varejista, extinção do Poder Moderador e do Senado vitalício e a abolição dos escravos.


Política Externa
O Brasil envolveu-se em alguns conflitos internacionais durante o Segundo Reinado. Com a Inglaterra houve o episódio que ficou conhecido como Questão Christie. Os dois países chegaram a romper relações diplomáticas entre 1863 e 1865.

Para preservar interesses econômicos e políticos, o Império também entrou na luta contra nossos vizinhos países platinos (Questão Platina). Primeiro foi a Intervenção contra Oribe e Rosas (1851-1852), presidentes do Uruguai e Argentina respectivamente. Depois, a Guerra contra Aguirre (1864-1865), presidente do Uruguai. Mas o conflito mais grave foi a Guerra do Paraguai.


Guerra do Paraguai
Desde sua independência em 1811, o Paraguai desenvolveu-se de modo diferente de outros países latino-americanos. Com uma produção voltada para os interesses internos da população paraguaia, seus presidentes, José Gaspar Rodrigues de Francia (1811-1840) e Antônio Carlos López (1840-1862), queriam a plena independência econômica do país e livre da exploração do capitalismo internacional.

O Paraguai com isso se desenvolveu mais que seus vizinhos sul americanos e durante o governo de Francisco Solano López (1862-1870), passou a ter intenções expansionistas tanto econômico-comerciais, quanto territoriais.

A expansão econômica e comercial paraguaia descontentou a maior potência mundial na época, a Inglaterra e a expansão territorial, os seus vizinhos, Brasil, Argentina e Uruguai. Então, a Inglaterra ajudou e incentivou esses 3 países na luta contra o Paraguai.

Formou-se a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) contra o Paraguai. A guerra teve início em 1865, logo após o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, em novembro de 1864, quando navegava pelo rio Paraguai, próximo a capital Assunção, que se dirigia a província brasileira de Mato Grosso. Era a resposta de Solano López à invasão brasileira no Uruguai, que provocou a queda do presidente Aguirre, apoiado por ele.
No início, com um exército melhor treinado, alimentado e equipado, os paraguaios colecionaram vitórias arrasadoras invadindo as províncias do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul, no Brasil e de Corrientes na Argentina.

Mas isolado, sem comunicação com o exterior pelo mar e contra um inimigo muito mais numeroso e com as melhores armas da época, os paraguaios não conseguiram suportar uma guerra tão longa e aos poucos foram sendo derrotados pelas forças aliadas.

As principais batalhas da guerra vencida por brasileiros, argentinos e uruguaios foram:
Batalha Naval de Riachuelo (1865);
Batalha de Tuiuti (1866): a maior batalha campal da América do Sul, com mais de 10 mil mortos;
Dezembrada (1868): Caxias assumiu o comando das tropas e obteve sucessivas vitórias nas batalhas de Humaitá, Itororó, Avaí, Lomas Valentinas e Angostura;
Conquista de Assunção (1869): A capital paraguaia;
Batalha de Cerro Corá (1870): Morte de Solano Lopes, fim da guerra.

As consequências da guerra foram trágicas para todos os países diretamente envolvidos. O Paraguai teve uma redução da população em mais de 75% de 800 mil pessoas para pouco mais de 194 mil e a população adulta masculina foi reduzida a 0,5%. Sua independência econômica, conquistas sociais e desenvolvimento foram destruídos, seu país ocupado por tropas estrangeiras e território dividido entre os vitoriosos;

Brasil, Argentina e Uruguai, tiveram milhares de mortes de seus soldados, economia arruinada devido a empréstimos contraídos da Inglaterra para compra de armas e suprimentos, insatisfação de seus habitantes.

Somente a Inglaterra que encorajou os países da Tríplice Aliança contra o Paraguai saiu ganhando. Acabou com um futuro concorrente e lucrou com as dívidas da guerra.


Economia
Durante o Segundo Reinado houve uma diversificação das atividades econômicas. O cacau e a borracha ganharam destaque na produção agrícola. O surto da borracha no Pará e Amazonas levou o Brasil a dominar 90% do comércio mundial. Porém, o principal produto de exportação brasileira foi o café.

O café é uma planta originária da Etiópia na África. Os árabes a descobriram e espalharam para a Ásia e Europa chegando às Américas. No Brasil, as primeiras mudas chegaram em 1727 trazidas por um militar, Francisco de Mello Palheta para Belém no Pará.

No início do século XIX, ela ganhou valor comercial quando o hábito de beber café alcançou grande popularidade nos EUA e Europa. Precisava ser cultivado em terras férteis e com clima ameno.

No Brasil era cultivado na região sudeste, principalmente no estado de São Paulo em sistema de PLANTATION, ou seja, em grandes fazendas (latifúndios) em monocultura (cultivo de apenas um produto), por mão de obra escrava (negra africana) e o produto destinado à exportação.


A economia cafeeira foi responsável pelo processo de modernização econômica do Brasil no século XIX como o desenvolvimento urbano, dos meios de transportes (ferrovias e portos), desenvolvimento dos meios de comunicação (telefone e telégrafo), o início da atividade industrial e a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre dos imigrantes europeus.


Imigração europeia
A crise do escravismo brasileiro está relacionado a uma série de fatores, entre os quais, as pressões inglesas sobre o tráfico negreiro e a expansão da atividade cafeeira, trazendo a necessidade de ampliar a força de trabalho.

Com a extinção do tráfico negreiro em 1850, com a lei Euzébio de Queiróz, os fazendeiros de café tiveram que encontrar uma solução para suprir a falta de mão de obra; esta solução será a importação de imigrantes europeus.

A vinda de imigrantes europeus para o Brasil se deu de duas formas:
sistema de parceria: O fazendeiro custeava o transporte dos imigrantes europeus até suas fazendas e estes, por sua vez, pagariam os fazendeiros com trabalho. O trabalho consistia no cultivo do café e gêneros de subsistência, entregando ao fazendeiro boa parte da produção (dois terços). O regime de parceria não obteve sucesso, em razão dos elevados juros cobrados sobre as dívidas assumidas pelos colonos para trabalharem no Brasil, os maus tratos recebidos, baixo preço pago pelo café cultivado e as revoltas dos colonos;
imigração subvencionada: Nela, o Estado pagava os custos da viagem do imigrante europeu e regulamentava as relações entre os fazendeiros e os colonos. Alemanha e Itália foram os países de onde mais saíram imigrantes em virtude da situação econômica, social e do processo de unificação política.


Crescimento Industrial
O desenvolvimento industrial brasileiro está relacionado com a promulgação, em 1844 da tarifa Alves Branco, que aumentou as taxas alfandegárias sobre os artigos importados. O fim do tráfico negreiro foi um fator que também favoreceu o florescimento industrial, pois os capitais destinados ao comércio de escravos passaram a ser empregados em outros empreendimentos e, com a vinda dos imigrantes e da consolidação do trabalho assalariado, houve uma ampliação do mercado consumidor.

O maior destaque industrial do período foi, sem dúvida nenhuma, Irineu Evangelista de Souza, o barão e visconde de Mauá. Dirigiu inúmeros empreendimentos, tais como bancos, companhias de gás, companhias de navegação, fundição, fábrica de velas. No campo das comunicações, trabalhou na instalação de um cabo submarino ligando o Brasil à Europa. Seu maior feito foi ter empreendido a construção da primeira ferrovia brasileira, a estrada de ferro Mauá, no estado do Rio de Janeiro.

O surto industrial e a chamada "Era Mauá", entraram em crise a partir de 1860, com a tarifa Silva Ferraz, que substituiu a tarifa Alves Branco. Houve uma redução nas taxas de importação e a concorrência inglesa foi fatal para os empreendimentos de Mauá.


Queda da monarquia
A queda monarquia brasileira está relacionada às mudanças estruturais que ocorreram no Brasil ao longo do século XIX, a modernização da economia, o surto industrial, a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre e assalariado. Mas o fim do império se deu mesmo após quatro fatores decisivos:

Questão Abolicionista: A campanha pela abolição (libertação) da escravidão (afrodescendentes) ganhou impulso com o final da guerra do Paraguai. Muitos soldados negros que lutaram na guerra foram alforriados. Organizaram-se no país vários "clubes" que discutiam a questão. A Campanha Abolicionista teve a participação de muitos intelectuais, jornalistas, políticos e escritores como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e Castro Alves. Através dessa “pressão” foram aprovadas quatro leis.
-Lei Eusébio de Queirós (1850): Proibia o tráfico de escravos da África para o Brasil e expulsava os traficantes;
-Lei do Ventre Livre (1871): Declarava livres todos os filhos de escravos nascidos no Brasil a partir da publicação dela;
-Lei dos Sexagenários (1885): Também chamada de Lei Saraiva-Cotejipe, declarava livres os escravos com mais de 65 anos;
-Lei Áurea (1888): Declarava extinta a escravidão no Brasil.

•Questão Religiosa: Choque do governo imperial com a Igreja Católica, em virtude do regime do padroado, ou seja, o poder do imperador de nomear bispos­ ficando a Igreja subordinada ao Estado. Em 1864, o Papa Pio IX, através da bula Sillabus proibiu a permanência de membros da maçonaria dentro da organização eclesiástica. O imperador, membro da maçonaria, rejeitou a bula. Porém, dois bispos obedeceram ao papa e expulsaram párocos ligados à maçonaria. Os bispos foram condenados à prisão com trabalhos forçados, sendo anistiados pouco depois. Os bispos eram D. Vidal de Oliveira da diocese de Olinda, e D. Antônio de Macedo da diocese de Belém. 

•Questão Militar: Desde o final da Guerra do Paraguai, o exército vinha exigindo uma maior participação nas decisões políticas do império. A insatisfação política, as ideias positivistas e os baixos soldos levaram os militares, através da imprensa, a criticarem a monarquia. Em 1883, o tenente-coronel Sena Madureira criticou as reformas no sistema de aposentadoria militar, sendo punido. O governo proibiu qualquer tipo de declaração política dos militares na imprensa. Em 1885, o coronel Cunha Matos do Piauí, utilizou-se da imprensa para defender-se da acusação de desonesto, sendo preso por 48 horas. A punição provocou um mal-estar na alta oficialidade, reclamando da interferência civil sobre os assuntos militares. Entre os oficiais descontentes com a Monarquia estava o marechal Deodoro da Fonseca.

•Movimento Republicano: O movimento republicano iniciou-se em 1870, com a fundação do Clube Republicano e do jornal "A República" e o lançamento do "Manifesto Republicano", que, em um trecho afirmava: “Somos da América e queremos ser americanos”. Isso significava que o Brasil era o único país que ainda tinha um regime monárquico. Três anos depois foi fundado o Partido Republicano Paulista, na Convenção de Itu, em São Paulo. Apoiado por importantes fazendeiros de café de São Paulo, esse partido contava com seguidores no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.


A Proclamação da República 15/11/1889
Em 1888, um novo gabinete fora nomeado, tendo como primeiro ministro Afonso Celso de Oliveira Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto. Este iniciou um amplo programa reformista procurando salvar a monarquia.

No dia 14 de novembro de 1889 foi divulgado um boato de que o visconde de Ouro Preto havia decretado a prisão de Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant. Os militares rebelaram-se e na madrugada do dia 15, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu o comando dos rebelados que marcharam em direção ao centro da cidade, onde ocuparam o quartel general.

O gabinete foi deposto, o ministro da justiça e o chefe do gabinete foram presos. Naquela noite, constituiu-se o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil. D. Pedro II, que estava em Petrópolis, recebeu no dia seguinte um documento do novo governo solicitando que se retirasse do país com toda sua família.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ditadura Militar

Ditadura Militar na América Latina

Nas décadas de 1960 e 1970, no auge da Guerra Fria, a desigualdade social e a exclusão econômica ainda eram questões que permaneciam pendentes nas várias nações latino-americanas. Inspirados pelo sucesso da revolução cubana, de Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara, surgiram diversos movimentos revolucionários de inspiração comunista em vários países, com intuito de tomar o poder e estabelecer governos populares nos moldes do regime Cubano.
As elites dos países, preocupadas com a perda do poder, do controle social e da economia, passaram a apoiar movimentos contrarrevolucionários liderados por forças militares apoiadas sempre pelos EUA, que tomava a dianteira do bloco capitalista e preocupava-se com a deflagração de novas agitações políticas que viessem a abalar sua hegemonia política, econômica e ideológica historicamente reforçada nos combalidos Estados latino-americanos.
Diversos golpes militares surgiram em vários países dando início a um processo que ficou conhecido como Ditadura Militar. Em todos eles, a perseguição política, a tortura e a censura às liberdades individuais foram integralmente incorporadas a esses governos autoritários que se estabeleceram pelo uso da força. Dessa forma, os clamores por justiça social que ganhavam espaço no continente foram brutalmente abafados nessa nova conjuntura.
As principais Ditaduras Militares latino americanas foram:
•Paraguai: Alfredo Stroessner (1954-1989);
Uruguai: (1973 – 1984);
Argentina: Jorge Rafael Videla (1976 – 1983);
•Chile: Augusto Pinochet (1973 – 1989);
•Brasil: (1964 – 1985).

Ditadura Militar no Brasil

A Ditadura Militar no Brasil durou 21 anos, de 1964 a 1985. Nesse período, houve um rodízio de ditadores no poder. A ditadura rompeu o diálogo com a sociedade. Silenciou o debate nacional que buscava solução para nosso atraso e passou a ditar novas regras para o país. Para evitar protestos da sociedade, cassou o direito de voto do cidadão e calou as oposições através da censura ou pela repressão policial. Muitos brasileiros foram mortos e torturados pela polícia política nesse período.
Em novembro de 1965, a ditadura cassou os partidos políticos e implantou o bipartidarismo com a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) que apoiava o governo, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que fazia oposição a ele.
Assim que o novo governo se estabilizou, os militares começaram a emitir os chamados AIs (Atos Institucionais), que eram normas superiores baixadas pelo governo que eram superiores à própria Constituição Federal. Os 17 atos diminuíram as liberdades da população, levando o país à ditadura. A violência e a diminuição dos direitos dos cidadãos aumentaram com a implantação do AI-5 no governo do presidente Costa e Silva, em dezembro de 1968.
O AI 5 dava ao presidente da república poderes totais para perseguir e reprimir as oposições. Podia decretar estado de sítio, intervir nos estados e municípios, cassar mandatos e suspender direitos políticos, demitir funcionários, confiscar bens, etc. Tudo isso sem se preocupar com o poder judiciário.
Na maior parte do tempo, o Congresso permaneceu aberto, mas o novo regime tirou sua autonomia. Quando algum parlamentar denunciava o governo, ele era cassado. Em 1966, no entanto, a ditadura fechou o Congresso. O presidente Castelo Branco só o reabriu depois que alguns parlamentares oposicionistas foram presos ou cassados. A reabertura do Parlamento chegou com uma nova Constituição, aprovada em janeiro de 1967 sem uma Assembleia Constituinte.
Desde o início da ditadura, houve muitos protestos contra ela. Graças à sua forte atuação, os estudantes e trabalhadores foram os principais alvos do regime. Em outubro de 1964, a UNE e todas as entidades estudantis foram extintas. No ano seguinte, os universitários da UnB (Universidade de Brasília) foram considerados subversivos pela ditadura, que fechou o local após a invasão da polícia.
Em março de 1968, uma manifestação contra a má qualidade do ensino foi reprimida com a morte de Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro. A reação levou estudantes e setores da Igreja Católica e da sociedade civil a realizar uma das principais manifestações contra a ditadura, a passeata dos cem mil.
Foi também naquele ano que aconteceu a primeira greve de trabalhadores, em Osasco. Mas foram os operários do ABC Paulista, na Grande São Paulo, que deram mais trabalho. Para tentar conter os protestos, os militares intervieram em sindicatos e afastaram seus líderes. A partir de então, os nomes dos dirigentes sindicais precisavam ser aprovados pelo Ministério do Trabalho.
Um dos protestos mais agressivos aconteceu no dia 4 de setembro de 1969, quando um grupo conhecido como MR-8 sequestrou o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, libertado três dias depois em troca de 15 presos políticos. Os envolvidos no caso foram exilados no México.
Apesar dos protestos, a ditadura gozou de popularidade, especialmente porque a economia do país cresceu muito entre 1963 e 1973, década conhecida como "milagre econômico": foi o auge da ditadura. A partir de 1974 - último ano de mandato do presidente Médici - , esse crescimento começou a diminuir porque a inflação aumentava junto com a dívida externa. Em 1979, o fim do "milagre" já era sentido pela população, que aumentou os protestos. Foi principalmente nesse período que as greves dos metalúrgicos do ABC - comandados pelo então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva - aprofundaram a crise da ditadura.
A solução encontrada pelo então presidente Ernesto Geisel foi abrandar a repressão. A ditadura deu início a uma transição gradual para a democracia. O presidente João Figueiredo acabou com o bipartidarismo, aprovou eleições diretas para governador em 1982 e anistiou militares e opositores.
Apesar das concessões, a população iniciou, em 1984, um movimento - liderado por Ulysses Guimarães - que ficou conhecido como "Diretas Já", que pedia eleições presidenciais diretas no Brasil. Uma emenda constitucional pedindo essas eleições foi rejeitada, mas, no ano seguinte, Tancredo Neves, outro líder do movimento foi eleito indiretamente presidente civil do país, o primeiro desde Goulart.
Tancredo acabou adoecendo e foi internado no dia 14 de março de 1985, um dia antes da posse. Quem assumiu foi o vice, o também civil José Sarney. Apesar das expectativas, Tancredo jamais foi empossado porque morreu no dia 21 de abril daquele ano.
Em maio, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que permitia a eleição direta para presidente em dois turnos. Em novembro, o parlamento aprovou outra emenda, a que convocava a Assembleia Nacional Constituinte. A ditadura militar já fazia parte da história do Brasil.
Durante os 21 anos da Ditadura militar houve um grande avanço nos setores de infraestrutura como geração de energia, transportes com a inauguração de várias rodovias e telecomunicações com a expansão da rede de telefones e casa com televisores, mas, entretanto, piorou a concentração de renda de uma minoria de ricos, aumentou o número de pobres e miseráveis, os índices de analfabetismo mantiveram-se estáveis, as cidades cresceram, aumentaram a violência, o desemprego, etc.

Glossário

Estado de sítio: é uma situação de emergência na qual o Presidente da República conta com poderes especiais para suspender algumas garantias individuais asseguradas pela Constituição cuja suspensão se justifica para restabelecer a ordem em situações de crise institucional e nas guerras;
Partidos políticos: os partidos políticos foram extintos e no lugar deles foram criados apenas dois, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) governista e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de oposição;
Lei de Segurança Nacional: em quadrava como inimigos da pátria, todos aqueles que se opunham à ditadura militar;
Arrocho Salarial: o governo impediu aumentos no salário mínimo;
Grupos Guerrilheiros: grupos armados que realizaram diversos assaltos a bancos, sequestros de diplomatas estrangeiros e outras ações sempre visando desestabilizar o governo. Os principais eram o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), POLOP (Política Operária), COLINA (Comando de Libertação Nacional), ALN (Ação Libertadora Nacional) comandada pelo ex-deputado comunista Carlos Marighela, a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e a VAR – Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) que teve como integrantes o ex-capitão do exército Carlos Lamarca e a presidente Dilma Rousseff;
Milagre Brasileiro: plano econômico idealizado e implantado pelo ministro da fazenda Delfim Neto, no governo Médici. Com ele, o Brasil cresceu altas taxas anuais, tendo como base o aumento da produção industrial, o crescimento das exportações e a acentuada utilização de empréstimos estrangeiros;
Abertura Política: processo de transição do regime militar para uma ordem democrática, feito pelo governo Geisel de forma lenta, gradual e segura. Ainda em 1974, o governo permite a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, e o partido de oposição MDB, ganha as eleições;
Senadores Biônicos: senadores não eleitos por voto popular, mas indicados pelo governo que correspondiam a 1/3 do total. Foram criados estes cargos, devido a uma lei de 1977 do governo Geisel;
Obras Faraônicas: obras públicas monumentais custeadas com novos empréstimos estrangeiros, onde aconteceram grandes desvios de verbas, mas consideradas não prioritárias em face das enormes carências sociais do país. A Usina Hidrelétrica de Itaipu, a rodovia Transamazônica e a Ponte Rio Niterói, são algumas delas;
Lei da Anistia: perdoava todos àqueles que foram punidos pela ditadura militar. Muitos brasileiros que estavam exilados, puderam finalmente regressar à sua pátria. Todos os direitos políticos foram reabilitados trazendo de volta a plena cidadania;
Fim do Bipartidarismo: em 1979 é extinto o regime de dois partidos e criados em seu lugar novos partidos para disputar as próximas eleições. O PDS (Partido Democrático Social) em substituição à ARENA, o PMDB (Partido do Movimento Social Brasileiro) no lugar do MDB, o PT (Partido dos Trabalhadores), o PDT (Partido Democrático Trabalhista), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e outros;
Proálcool: Programa Nacional do Álcool criado na década de 70 para substituir progressivamente o petróleo que estava em falta no mundo, naquela época;
Diretas Já: foi um grande movimento que sacudiu o Brasil entre 1983 e 1984 envolvendo políticos, artistas, esportistas e população de todas as classes sociais reivindicando a aprovação da Lei Dante de Oliveira que restabeleceria eleições diretas para presidente da república já no ano de 1985. Mesmo com a grande mobilização do país, a lei foi rejeitada pelos deputados. Mas, em janeiro de 1985, o político mineiro Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral, o primeiro presidente civil em 20 anos, selando o fim do regime militar.



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

América Pré Colombiana

Antes da chegada dos europeus ao continente americano, milhões de indivíduos já habitavam a América. Para se ter uma ideia, estima-se que cerca de 88 milhões de ameríndios já viviam no continente. Esses povos eram organizados em tribos, povoados, mas também em sociedades complexas, como no caso dos astecas, incas e maias, os quais possuíam significativa organização social, política e econômica. Tais civilizações, inclusive, apresentavam um desenvolvimento tecnológico bastante elevado para sua época, especialmente nas áreas da astronomia, matemática e arquitetura.


Civilização Maia
O povo maia habitou a região das florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas regiões entre os séculos IV a.C e IX a.C. Entre os séculos IX e X, os toltecas invadiram essas regiões e dominaram a civilização maia.

Nunca chegaram a formar um império unificado, fato que favoreceu a invasão e domínio de outros povos. As cidades formavam o núcleo político e religioso da civilização e eram governadas por um estado teocrático. O império maia era considerado um representante dos deuses na Terra. 

A zona urbana era habitada apenas pelos nobres (família real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e conhecimentos), chefes militares e administradores do império (cobradores de impostos). Os camponeses, que formavam a base da sociedade, artesão e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas menos privilegiadas e tinham que pagar altos impostos. 

A base da economia maia era a agricultura, principalmente de milho, feijão e tubérculos. Suas técnicas de irrigação eram muito avançadas. Praticavam o comércio de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império.
Ergueram pirâmides, templos e palácios, demonstrando um grande avanço na arquitetura. O artesanato também se destacou como fiação de tecidos uso de tintas em tecidos e roupas.

A religião deste povo era politeísta, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. Elaboraram um eficiente e complexo calendário que estabelecia com exatidão os 365 dias do ano.

Assim como os egípcios, usaram uma escrita baseada em símbolos e desenhos (hieróglifos). Registravam acontecimentos, datas, contagem de impostos e colheitas, guerras e outros dados importantes. Desenvolveram muito a matemática, com destaque para a invenção das casas decimais e o valor zero.


Civilização Asteca
Povo guerreiro, os astecas habitaram a região do atual México entre os séculos XIV e XVI. Fundaram no século XIV a importante cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), numa região de pântanos, próxima do lago Texcoco. 

A sociedade era hierarquizada e comandada por um imperador, chefe do exército. A nobreza era também formada por sacerdotes e chefes militares. Os camponeses, artesãos e trabalhadores urbanos compunham grande parte da população. Esta camada mais baixa da sociedade era obrigada a exercer um trabalho compulsório para o imperador, quando este os convocava para trabalhos em obras públicas (canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides). 

Durante o governo do imperador Montezuma II (início do século XVI), o império asteca chegou a ser formado por aproximadamente 500 cidades, que pagavam altos impostos para o imperador. O império começou a ser destruído em 1519 com as invasões espanholas. Os espanhóis dominaram os astecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos, ainda escravizaram os astecas, forçando-os a trabalharem nas minas de ouro e prata da região. 

Os astecas desenvolveram muito as técnicas agrícolas, construindo obras de drenagem e as chinampas (ilhas de cultivo), onde plantavam e colhiam milho, pimenta, tomate, cacau etc. As sementes de cacau, por exemplo, eram usadas como moedas por este povo.

O artesanato a era riquíssimo, destacando-se a confecção de tecidos, objetos de ouro e prata e artigos com pinturas. 

A religião era politeísta, pois cultuavam diversos deuses da natureza (deus Sol, Lua, Trovão, Chuva) e uma deusa representada por uma Serpente Emplumada. A escrita era representada por desenhos e símbolos. O calendário maia foi utilizado com modificações pelos astecas. Desenvolveram diversos conceitos matemáticos e de astronomia.

Na arquitetura, construíram enormes pirâmides utilizadas para cultos religiosos e sacrifícios humanos. Estes eram realizados em datas específicas em homenagem aos deuses. Acreditavam que com os sacrifícios, poderiam deixar os deuses mais calmos e felizes.


Civilização Inca
Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes (América do Sul) nos atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império: a cidade sagrada de Cusco. Foram dominados pelos espanhóis em 1532.

O imperador, conhecido por Sapa Inca era considerado um deus na Terra. A sociedade era hierarquizada e formada por: nobres (governantes, chefes militares, juízes e sacerdotes), camada média (funcionários públicos e trabalhadores especializados) e classe mais baixa (artesãos e os camponeses). Esta última camada pagava altos tributos ao rei em mercadorias ou com trabalhos em obras públicas.

Na arquitetura, desenvolveram várias construções com enormes blocos de pedras encaixadas, como templos, casas e palácios. 

A cidade de Machu Picchu foi descoberta somente em 1911 e revelou toda a eficiente estrutura urbana desta sociedade. A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados terraços (degraus formados nas costas das montanhas). Plantavam e colhiam feijão, milho (alimento sagrado) e batata. Construíram canais de irrigação, desviando o curso dos rios para as aldeias. A arte destacou-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e joias. 

Domesticaram a lhama (animal da família do camelo) e utilizaram como meio de transporte, além de retirar a lã, carne e leite deste animal. Além da lhama, alpacas e vicunhas também eram criadas.

A religião tinha como principal deus o Sol (deus Inti). Porém, cultuavam também animais considerados sagrados como o condor e o jaguar. Acreditavam num criador antepassado chamado Viracocha (criador de tudo).

Criaram um interessante e eficiente sistema de contagem: o quipo. Este era um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo. Com o quipo, registravam e somavam as colheitas, habitantes e impostos. Mesmo com todo desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.


domingo, 12 de novembro de 2017

Estados Unidos no século XIX



Introdução
No início do século XIX, a população dos Estados Unidos era de aproximadamente 5 milhões de habitantes, ocupando a região da costa Atlântica (leste). Nessa época, o governo começou a incentivar a “conquista do oeste” isto é, a expansão territorial em direção ao Oceano Pacífico, com o objetivo de fazer dos Estados Unidos um “grande país”. 

Graças a uma intensa imigração de europeus, em especial da Alemanha, da Irlanda e da Inglaterra, que procuravam melhores condições de vida face as dificuldades financeiras pelas quais passava, a população cresceu em 1810 para mais de 7 milhões de habitantes. 

A necessidade de aumentar a produção agrícola e a área destinada a produção de rebanhos fizeram o governo americano lançar o “Destino Manifesto” que apresentava os norte-americanos com destinados por Deus a ocupar a área entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. 

Em 1820, a expansão norte-americana ganha um conteúdo politizado com a Doutrina Monroe, que inicialmente colocou-se como defensora das recém-independentes nações latino-americanas ao pronunciar "a América para os americanos", mas conforme os interesses territoriais dos Estados Unidos foram ampliando-se em direção ao Oeste e ao Sul, a Doutrina seria mais bem definida pela frase "a América para os norte-americanos". 

A partir da segunda metade do século XIX a pecuária chegou a ocupar um quarto do território americano, em terras que se estendiam do Texas ao Canadá. 

A descoberta de ouro na Califórnia, em 1848, estimulou uma corrida em busca de "riqueza fácil", incentivando o deslocamento populacional. 

Além disso, a construção de ferrovias, iniciada em 1829, barateava o transporte. Em fins do século XIX a quantidade de quilômetros de linhas férreas nos Estados Unidos era maior que a soma de todos os países europeus. Em 1890, a ferrovia ligava a Costa do Atlântico ao Pacífico. 


Mecanismos da Conquista
De acordo com o tratado de Versalhes (1783), os Estados Unidos se estendia da Costa do Atlântico até o Mississipi. Porém, ocorreram algumas mudanças em relação a este fato, pois os norte-americanos conseguiram conquistar terras do Oeste como o território da Louisiana que foi vendida por Napoleão Bonaparte para os norte-americanos por 15 milhões de dólares, a Flórida vendida pelos espanhóis por 5 milhões de dólares, o Alasca vendido pela Rússia por 7 milhões de dólares e o Oregon que foi cedido pelos ingleses aos norte-americanos. 

O México dominava o Sudoeste Americano e para ocupar essas terras os norte-americanos tiveram que iniciar uma guerra. No ano de 1821, o governo mexicano permitiu a colonização dos norte-americanos em seu território em troca eles deveriam seguir a religião católica e jurar lealdade. 

No entanto, começaram a acontecer muitos conflitos internos e ditaduras que dificultaram o estabelecimento de um Estado Nacional, e assim os Estados Unidos teve grandes oportunidades de expansão. Nessas condições, o território do Texas estava destinado a fazer parte dos EUA. Assim teve inicio a Guerra do México, que perdurou de 1845 a 1848, e foi nesse período que definitivamente foi proclamada a independência do Texas em relação ao México, e passou a compor os EUA. 

O fim da guerra foi marcado pela assinatura do Tratado de Guadalupe-Hidalgo, consolidando o Rio Grande como região fronteiriça entre o México e o Texas. As regiões da Califórnia, Arizona, Novo México, Nevada, Utah e uma porção de Colorado foram cedidas aos norte-americanos por 15 milhões de dólares. Após 5 anos, a metade do território mexicanos estava sob o poder dos EUA. 



Consequências
 As maiores vítimas da marcha para o Oeste foram os indígenas. Estes se encontravam em estágios de pouco desenvolvimento se comparados aos astecas, maias e incas, daí sua dificuldade para resistir ao domínio e força dos brancos europeus. 

Os norte-americanos acreditavam que, além de serem os predestinados por Deus a ocuparem todo o território, deveriam cumprir a missão de civilizar outros povos. Nesse sentido, contribuíram decisivamente para o extermínio da cultura e da pessoa física do indígena. 

As tribos do Sul, mais desenvolvidas, proporcionam uma resistência maior à ocupação do branco. No entanto, a única opção das tribos indígenas foi a ocupação de terras inférteis em direção ao Pacífico, até o seu extermínio.
De acordo com o "herói" americano, o general Armstrong Custer, considerado como o "grande matador de índios", "o único índio bom é um índio morto". 

A conquista de um vasto território criou condições para o grande desenvolvimento da economia norte-americana. Em 1912 conclui-se o processo de formação da União, com a incorporação do Arizona como Estado. 

Foi acentuado o crescimento da agricultura, indústria, comércio, mineração e pecuária. A população cresceu para cerca de 30 milhões até 1860. Formaram sociedades diferenciadas dentro do país. 

Ao norte e leste, surgiu uma poderosa burguesia industrial e comercial, juntamente com um operariado fabril. Ao sul, predominavam os grandes aristocratas vinculados ao latifúndio, à monocultura, à exportação e à escravidão. Na região Centro - Oeste nasceu a sociedade a partir dos pioneiros, marcada pela base agrícola e pela pecuária. 

No entanto, aumentou a rivalidade entre os interesses díspares de nortistas e sulistas, o que culminou mais tarde em uma guerra civil


A Guerra Civil 1861 – 1865

A primeira metade do século XIX marca a primeira fase do processo de industrialização norte-americana que ocorreu mais fortemente na região norte, sobretudo na Nova Inglaterra, sobre uma base vinda do Período Colonial.

No início deste século, o norte, ou mais precisamente, o nordeste era o polo econômico vital da economia. Esse desenvolvimento foi favorecido por ocasião das Guerras Napoleônicas e pela Segunda Guerra de Independência (1812 – 1814), já que as importações diminuíram e o mercado interno passou a consumir as manufaturas locais. 

Essa incipiente indústria, por volta de 1810, beneficiou-se também de grande disponibilidade de ferro, carvão e energia hidráulica da região norte. 

O mesmo processo não atingiu a região sudeste, que permanecia com uma economia marcadamente colonial, cuja produção ainda se fazia no interior da grande propriedade monocultora, voltada para o mercado externo e baseada na exploração do trabalho escravo. 

Enquanto no norte-nordeste formava-se uma sociedade tipicamente industrial, dominada por uma forte burguesia, no sul-sudeste, a sociedade permanecia como que inalterada desde o período colonial.
Nos Estados Unidos, na realidade, abrigavam-se duas nações distintas, o Norte-Nordeste e o Sul-Sudeste. Do antagonismo entre os interesses dessas duas regiões, eclodiu uma guerra civil, a Guerra de Secessão.


Causas
A grande causa do surgimento da Guerra de Secessão foi o protecionismo alfandegário. O Norte que passava por um processo industrial, reivindicava o aumento das tarifas de importação para garantir o seu desenvolvimento, pois encontrava dificuldades na disputa com os preços de produtos ingleses. 

Já o Sul exportava para o Norte quase toda sua produção de algodão, dependendo economicamente dessa região, e importava manufaturados ingleses, defendendo a liberdade de comércio e não apoiando as propostas protecionistas dos industriais do Norte, para garantir que os industriais ingleses comprassem a sua produção. 


Política
Com a independência dos EUA ficou a cargo de grandes proprietários rurais do Sul e da burguesia nortista o controle da vida política do país, por meio do Partido Democrata. 
O ano de 1854 ficou marcado pelo surgimento do Partido Republicano no Norte. O conteúdo do programa desse partido propunha a luta pelo abolicionismo e a conservação da União, agradando muitos políticos democratas. 

Durante as eleições presidenciais de 1860, o Partido Democrata se deparou com a dúvida entre dois candidatos: John Breckinridge e Stephen Douglas. O Partido da União Constitucional apostava no candidato John Bell. Já Partido Republicano estava totalmente decidido pela candidatura de Abraham Lincoln, que foi o grande vitorioso, e isso provocou a Guerra de Secessão. 


A Eclosão da Guerra
Logo após a eleição de Lincoln, e não esperando a posse do presidente, a Carolina do Sul resolveu separar-se da União, arrastando consigo mais seis Estados. Formaram os Estados Confederados da América, sob a presidência de Jefferson Davis em 8 de fevereiro de 1861, com capital em Richmond, Virgínia.
As hostilidades começaram com o ataque da artilharia confederada, no dia 12 de abril de 1861, ao Forte Sumter, uma guarnição federal. Inicialmente as vitórias pertenceram aos sulistas. Mas, a correlação de forças foi tornando-se extremamente desigual à medida que se desenrolavam as batalhas. 

O Norte contava com o apoio de 25 Estados, uma população de cerca de 22 milhões de habitantes, uma economia industrial diversificada e uma marinha de guerra. O Sul obteve o apoio de 11 Estados, uma população de 9 milhões de habitantes, dos quais 4 milhões eram escravos, uma economia de base agrária o que o fez dependente de recursos exteriores para o desenvolvimento da guerra. 

Durante os confrontos, Lincoln, para fortalecer os Estados Nortistas, extinguiu a escravidão e promulgou o Homestead Act, (1862), garantindo o apoio dos granjeiros e pioneiros interessados nas terras a Oeste. Ex-escravos, colonos e operários se incorporaram ao Exército da União, o que começou a reverter a guerra em favor do Norte, que passou a impedir a chegada de produtos europeus ao Sul, através de um bloqueio naval.
Em 9 de abril de 1865, em Appomattox na Virgínia, o general Robert Lee, comandante das tropas sulistas, assina os termos de rendição. Gradualmente outros generais confederados o acompanharam até que, as últimas tropas sulistas se rendem em 28 de junho de 1865. Terminava a Guerra da Secessão. 


Consequências da guerra
A vitória do Norte sobre o Sul decidiu definitivamente a questão da unidade nacional pelo fortalecimento da União. A sociedade urbana e industrial do norte prevaleceu sobre a federação arrasando a sociedade agrária e aristocrática do sul. A grande propriedade cedeu lugar às pequenas e médias. 

O escravismo foi suprimido, mas não encaminhou para uma solução da "questão negra"; apesar do direito de voto concedido, os negros continuaram marginalizados. Intensificaram-se as atitudes racistas com o surgimento de sociedades como a Ku-Klux-Klan, nascida em 1867. 

Os mortos somaram 970 mil, dos quais 618 mil soldados. Os prejuízos chegaram a 80 bilhões de dólares. Em 14 de abril de 1865, Lincoln foi assassinado por John Wilkes Booth, um fanático do Sul. Os Estados Unidos começavam a despontar como potência dentro da América.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Expansão Europeia dos séculos XV e XVI



O comércio com o oriente
As cruzadas, que recolocaram o Ocidente em contato com o Oriente, criaram o gosto pelo consumo de exóticos produtos orientais. Os artigos mais consumidos eram joias, perfumes, veludos pintados, tecidos de seda e especiarias, como a noz moscada, canela, o cravo e a procuradíssima pimenta, que chegou a ser usada como moeda. A expansão do mercado europeu para esse tipo de mercadoria pôde ser rapidamente aproveitada pelos mercadores das cidades italianas, principalmente Gênova e Veneza. 

Os comerciantes de Gênova e Veneza recebiam os produtos orientais (das Índias) nos portos de Trípoli, Alexandria e principalmente em Constantinopla. 

Os mercadores de outros países queriam quebrar o monopólio de Gênova e Veneza e participar desse comércio tão lucrativo. Esse foi o principal fator que impulsionou as viagens marítimas. Mas havia muitos outros motivos que impulsionaram a expansão marítima no século XV como: 
•Conquista de Constantinopla: os turcos conquistaram Constantinopla em 1453, bloqueando o comércio de especiarias pelo Mar Mediterrâneo; 

•Necessidade de Novos Mercados: os europeus precisavam seu artesanato e manufaturas e precisavam de gêneros alimentícios e de matérias primas; 

•Falta de Metais Preciosos: era preciso descobrir novas jazidas de ouro e prata para cunhagem de moedas porque na Europa não havia mais esses metais preciosos; 

•Interesse dos Estados Nacionais: a aliança da burguesia com os reis ajudou em muito nesse processo; 

•Propagação da Fé Cristã: a difusão da fé religiosa justificava conquistar e converter povos da América, África e da Ásia; 

•Ambição Material: todos que se envolviam nas longas viagens marítimas queriam demais enriquecer com as descobertas que estavam por vir; 

•Progresso Tecnológico: a expansão marítima só foi possível graças ao desenvolvimento e o uso da bússola, do astrolábio, do quadrante, da caravela e do aperfeiçoamento dos mapas geográficos aliada à noção de que a Terra era redonda.


Pioneirismo Português
O pioneiro das grandes navegações marítimas foi Portugal, em 1419 com a chegada à ilha da Madeira. O país foi o primeiro a se unificar no continente e ter uma política mercantilista com a união da burguesia com a realeza. Além disso, os lusitanos já participavam do comércio do mediterrâneo como parceiros das cidades italianas e através da Escola de Sagres, grande complexo náutico, dominou novas técnica de navegação que possibilitaram percorrer grandes distâncias marítimas. Completam esses fatores a ausência de guerras internas e a privilegiada posição geográfica, sendo o país europeu mais próximo do grande Mar Tenebroso (Oceano Atlântico). 

Os portugueses descobriram o caminho pelo sul da África quando Bartolomeu Dias cruzou o Cabo da Boa Esperança em 1488. Em 1498, Vasco da Gama foi o primeiro europeu a chegar à Índia, voltando carregado de especiarias, dando um lucro enorme ao rei de Portugal. Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil. 

Logo após a conquista da cidade de Granada em 1492, foi a vez dos espanhóis. Com a expulsão dos mouros. Os monarcas Fernando, de Aragão e principalmente Isabel, de Castela lançaram-se nas navegações patrocinando a viagem de Cristovão Colombo que queria provar que o mundo era redondo, atingindo às Índias viajando para oeste. 

Colombo, porém, acabou por descobrir um novo continente que acabaria se chamando América. Após a chegada dele no novo continente, os reis da Espanha apressaram-se para garantir seus direitos de posse sobre a nova terra. Para isso, pediram a intervenção do papa Alexandre VI também espanhol, uma autoridade respeitada entre os reinos cristãos. 

Após muitas discussões com os portugueses, foi assinado um acordo, o Tratado de Tordesilhas que traçava uma linha imaginária a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde, cortando o mundo em duas partes. As terras a leste dessa linha pertenceriam a Portugal e as terras a oeste pertenceriam a Espanha. 

Os espanhóis empreenderiam ainda outras viagens. Vicente Pinzón chegou até a foz do rio Amazonas no início de 1500. Vasco Nunes de Balboa atinge o Oceano Pacífico, por terra em 1513. Em 1519 Fernão de Magalhães inicia a primeira viagem de circunavegação da Terra completada por Sebastião El Cano em 1521. 

Interessados também em descobrir novos caminhos para a Índia, franceses, ingleses e holandeses, lançaram-se às navegações marítimas concentrando-se no Atlântico Norte tentando encontrar uma passagem noroeste para a Ásia. 

Embora essa passagem não tenha sido encontrada, os navegadores passaram a explorar e a ocupar parte da América do Norte além de praticar a pirataria contra navios inimigos, principalmente espanhóis, onde conseguiram muitas riquezas e desestabilizar esses governos. 

Na Inglaterra, a pirataria foi oficializada. Os corsários, como foram chamados esses piratas, agiam em nome da monarquia e dividiam os lucros dos saques com o governo. O principal pirata inglês foi Francis Drake.

Diversos fatores contribuíram para o retardamento da participação Inglesa francesa e holandesa na expansão mercantil, dentre eles a Instabilidade política e econômica, a inexistência de uma monarquia centralizada, aliada aos interesses das burguesias nacionais e às resistências feudais.
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