Related Posts Plugin for WordPress, Blogger... Fazendo História Nova

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Segunda Guerra Mundial


A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história humana. Deixou um saldo de 55 milhões de mortos, 35 milhões de feridos e 190 milhões de refugiados. Foi também o palco da explosão de duas bombas atômicas, inaugurando um poder de destruição jamais visto pelo homem.

As principais causas da guerra foram:
•as imposições previstas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes;
•a expansão territorial, militar e econômica dos países totalitários do Japão, Itália e Alemanha;
•a política de apaziguamento da Inglaterra e França;
•a formação dos países do Eixo: Alemanha, Itália e Japão;
•a invasão da Polônia por tropas nazistas.


A partir de 1º de setembro de 1939, o início da guerra, o conflito tomou proporções mundiais envolvendo povos do mundo todo com batalhas em quase todos os continentes. A guerra toda durou quase 6 anos e foi dividida por historiadores em três períodos:


Primeira Fase: 1939 – 1941: Avanço dos países do Eixo na Europa com a guerra relâmpago nazista (blitzkrieg) conquistando Dinamarca, Holanda, Bélgica, Noruega e França e na Ásia com conquistas japonesas na China, sudeste asiático e ilhas do Pacífico;

Segunda Fase: 1941 – 1943: Entrada na guerra da União Soviética após o cerco nazista a Leningrado e a batalha da cidade de Stalingrado e também dos Estados Unidos após o ataque japonês à base naval americana em Pearl Harbor no Havaí;

Terceira Fase: 1943 – 1945: Vitória dos países aliados na Europa, a partir da invasão da Normandia (Dia D) em 6 de junho de 1944 até a rendição alemã em 8 de maio de 1945 e na Ásia após a explosão de duas bombas atômicas pelos americanos em duas cidades japonesas de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945).






Consequências da Guerra
Além dos milhões de mortos e feridos, aperfeiçoaram-se as técnicas militares de destruição com novos tanques, foguetes, radares, aviões a jato, navios porta-aviões e a bomba atômica.

Aproximadamente 12 milhões de pessoas morreram nos campos de concentração e extermínio. Desses, 6 milhões de judeus na “solução final” do problema judeu, segundo a loucura antissemítica de Adolf Hitler.

O período pós-guerra foi marcado por uma série de transformações no cenário político-econômico mundial, que levaram ao estabelecimento de uma nova ordem internacional marcada pelo equilíbrio tenso das forças capitalistas lideradas pelos EUA e socialistas lideradas pela URSS.

Essas duas forças dividiram a Alemanha nazista derrotada, sua capital, Berlin, onde foi construído um muro pelos socialistas, isolando Berlin Ocidental do restante da Alemanha Oriental e posteriormente, todo o mundo em duas áreas de influência.

Foram criadas ainda, por essas duas superpotências, duas aliança militares, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), chefiada pelos EUA e o Pacto de Varsóvia, chefiado pela URSS.

Esses dois blocos promoveram uma corrida armamentista com a proliferação de armas atômicas, gerando vários conflitos e guerras em algumas partes do mundo onde apareceram disputas por territórios entre povos de suas áreas de influência que quase terminaram em uma Terceira Guerra Mundial, mas felizmente isso não ocorreu, graças à atuação da ONU (Organização das Nações Unidas). Esse período de tensão foi conhecido como Guerra Fria.

No plano econômico, a recuperação dos países destruídos na Segunda Guerra se deu através do Plano Marshall dos EUA em um primeiro momento e posteriormente pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial, formado pelo BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento) e a AID (Associação Internacional de desenvolvimento) todos os órgãos especiais da ONU.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Os Bárbaros e o Império de Carlos Magno


Os bárbaros eram povos que viviam fora das fronteiras do império. Eles se dividiam em:
Tártaro-mongóis: (hunos, turcos, búlgaros, húngaros – magiares);
Eslavos: (russos, poloneses, tchecos, sérvios);
Germanos: (visigodos, ostrogodos, hérulos, anglos, saxões, lombardos, vândalos e francos).

Os germanos eram os bárbaros mais conhecidos pelos romanos. Entre os séculos II e III eles já haviam se deslocado para dentro das fronteiras do império e receberam do governo de Roma, terras na fronteira norte para se estabelecerem devendo apenas participar do exército. Com isso, os germanos foram se integrando à sociedade romana.

A partir do século IV, porém, eles passaram a penetrar de forma mais violenta, fugindo do avanço dos terríveis hunos que por onde passavam aniquilavam tudo. Essas invasões tornaram-se incontroláveis a partir de 455 quando os vândalos invadiram e saquearam Roma, escravizando milhares de romanos.

O último imperador romano, Rômulo Augusto, foi deposto em 476 por Odoacro, chefe dos germanos hérulos. Esse episódio, conhecido como a Queda do Império Romano do Ocidente, marca o fim da Antiguidade e o Início da Idade Média.
A Era Medieval é dividida em Alta e Baixa Idade Média. A Alta Idade Média vai do século V ao século XI, o período medieval inicia com o surgimento de diversos reinos no território do antigo império romano.

Os principais reinos bárbaros foram:
• Reino dos Vândalos: Península Ibérica;
• Reino dos Ostrogodos: Península Itálica;
• Reino dos Anglo-Saxões: Inglaterra;
• Reino dos Francos: França e Alemanha.

Os Francos eram tribos de origem germânica que habitavam a região onde hoje é a Alemanha. Em busca de novas terras, os francos invadem a GÁLIA, atual França. Os francos formaram seu império com a unificação das tribos por Clóvis que reinou entre os anos de 482 e 511. Ele promoveu também a expansão do território do reino derrotando outros bárbaros. O reino franco teve duas dinastias, a Merovíngia e a Carolíngia.

Clóvis converteu-se ao catolicismo e obrigou os francos a fazer o mesmo. A igreja Católica via nos francos a salvação da civilização romana e por isso aliou-se a eles para manter-se no poder. O mesmo continuou acontecendo com a chegada ao poder de Carlos Magno que prestava enormes favores a igreja como proteção contra povos inimigos dela. Em 800, o papa Leão III corou Carlos Magno como imperador do Novo Império Romano do Ocidente.

Em 768, Carlos Magno, sobe ao trono dos francos. Carlos Magno conquista diversos territórios ao seu reino fundando um império, o Sacro Império Romano Germânico. Sob seu comando os francos submeteram diversos povos germânicos e conquistou um vasto império, o maior da Europa na época.

Durante seu reinado, Carlos Magno, assessorado por intelectuais, estimulou a abertura de escolas e mosteiros, incentivando as atividades intelectuais e artísticas e protegendo artistas. Com isso, contribuiu para a preservação e transmissão da cultura da antiguidade clássica.

Após a morte de Carlos Magno, o império franco caiu em decadência, devido a divisão feita entre seus quatro filhos.

Veja o mapa da evolução do reino franco até a divisão em 870

domingo, 21 de agosto de 2016

Revolução Francesa

Introdução
A Revolução Francesa foi uma revolução burguesa, embora tivesse tido a participação de outras camadas sociais como camponeses e massas pobres urbanas, devido à liderança conduzida pela burguesia para realizar suas aspirações. 

Aniquilando o absolutismo, a política mercantilista, os resquícios do feudalismo ainda existentes na França e o poder do clero e da nobreza, a revolução pôs fim ao Antigo Regime, sendo escolhida por estudiosos como fato determinante para o início da Idade Contemporânea. 

Influenciados por ideias iluministas, os revolucionários franceses tinham como lema a “liberdade, igualdade e fraternidade”. Sua influência motivou revoltas em toda a Europa e os movimentos de independência na América Latina.

As causas
A Revolução Francesa foi provocada basicamente por três fatores principais: 

Fatores Econômicos: A França no final do século XVIII era uma nação essencialmente agrária, com uma produção agrícola estruturada no modelo feudal. A grande maioria da população francesa era constituída de camponeses. E uma parte desses camponeses ainda estava submetida a obrigações feudais; 

Fatores Sociais: A população, estimada em 25 milhões de pessoas, era dividida em três estamentos. O primeiro estado (clero) composto por aproximadamente 150 mil pessoas, o segundo estado (nobreza) com mais ou menos 350 mil pessoas e o terceiro estado (povo dividido em camponeses, burguesia e sans-culotes) com mais de 24 milhões de pessoas. O clero e a nobreza tinham vários privilégios como não pagar impostos, receber pensões do estado e exercer cargos públicos; 

•Fatores Políticos: O absolutismo do rei francês Luis XVI, a crise econômica que passava a França em 1789, a fome e miséria da população causada pela seca e péssimas colheitas e o sistema político injusto como o da Assembleia dos Estados Gerais, exigiam reformas urgentes.

Antecedentes
A seca de 1788 diminuiu a produção de ali­mentos. Os preços subiram e os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois que a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura que lhe custou 2 bilhões de libras. O descontenta­mento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos. 

Luís XVI encarregou o ministro Turgot de realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram e ele se demitiu. O rei então indicou Calonne, que convocou a Assembleia dos Notáveis, de nobres e clérigos (1787). O ministro propôs que esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários e pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes. 

O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembleia dos Estados Gerais, que não seja reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembleia realizaram-se em abril dê 1789 e coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. 

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni­ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja, tinha maioria absoluta.

O Início
O terceiro estado se rebelou na última Assembleia convocada pelo rei, elegeu representantes do povo e decidiram elaborar uma constituição que limitasse os poderes do rei e eliminasse os privilégios do clero e da nobreza. Formaram então a Assembleia Nacional Constituinte. 

Embora o rei aceitasse a convocação da Assembleia no início, no mês de julho de 1789, logo ele voltou atrás demitindo os ministros que elaboraram uma ampla reforma, revoltando toda a população de Paris que, furiosa, invadiu e destruiu a fortaleza da Bastilha em 14 de julho de 1789, símbolo do absolutismo dos reis franceses. 

O clima de revolta espalhou-se pelo país. Os camponeses invadiram as terras do clero e da nobreza assassinando os donos e saqueando a produção. Nas cidades a violência não era menor. Os líderes de revolução foram Danton, Marat e Robespierre, que chegou a governar o país após o guilhotinamento do rei Luis XVI. 

Diante disso, a Assembleia Nacional Constituinte aprovou no mês de agosto de 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 

As fases da revolução foram: 
•Assembleia Nacional Constituinte: 1789-1791; 
•Monarquia Constitucional: 1791-1792; 
•Proclamação da República e Convenção Nacional: 1792-1795; 
•Governo do Diretório: 1795-1799. 


Os revolucionários franceses criaram em 1792 um calendário novo caracterizando os nomes dos meses baseados nas condições climáticas e agrícolas das estações em cada mês na França. O ano começava no equinócio de outono. O primeiro mês chamava-se vindimário (em referência a Víndima ou colheita de uvas), seguiam-se o brumário (relativo à bruma ou nevoeiro), o frimário (mês das geadas ou frimas em francês), o nivoso (referente à neve), o pluvioso (chuvoso), o ventoso, o germinal (relativo à germinação das sementes), o floreal (mês das flores), o pradial (em referência a prados), o messidor (nome originário de messis, palavra latina que significa colheita), o termidor (referente ao calor) e o frutidor (relativo aos frutos); como cada mês tinha trinta dias sobrava cinco dias no final do ano (de 17 a 21 de setembro): eram os dias dos sans culottes, considerados feriados nacionais. 

Vários foram os símbolos da revolução como a bandeira de três cores (azul, branca e vermelha), o hino a Marselhesa, o barrete frígio (gorro vermelho), a guilhotina, o lema liberdade, igualdade e fraternidade.

Conclusão
Depois de 10 anos de lutas, no dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário no calendário revolucionário) o general Napoleão Bonaparte, com o apoio de influentes políticos burgueses, dissolveu o Diretório e estabeleceu um novo governo denominado Consulado

A revolução Francesa espalhou os ideais iluministas ao mundo como a república, divisão em três poderes, eleições, luta por liberdade, sistema métrico universal, fim dos privilégio feudais, do absolutismo monárquico, dos poderes ilimitados da nobreza e da igreja e o início da idade Contemporânea.

domingo, 14 de agosto de 2016

Império Bizantino e o mundo árabe

Império Bizantino


O Império Bizantino surgiu em meio à crise que passava o Império Romano no século IV, quando o imperador Teodósio dividiu o império em duas partes, o Império Romano do Ocidente com capital em Roma e o Império Romano do Oriente com capital em Constantinopla. No final do século V, as invasões dos povos bárbaros haviam destruído e fragmentado o império ocidental, enquanto no oriente o poder manteve-se centralizado.


A cidade de Constantinopla era a capital do Império Bizantino e se localizava no estreito de Bósforo entre o Mar de Mármora e o Mar Negro. Localizada entre a Europa e a Ásia, era o destino final de importantes rotas comerciais vindas da Ásia e o destino inicial de rotas comerciais para a Europa. Favorecia o intercâmbio cultural e comercial de todas as sociedades desenvolvidas da época.

No governo de Justiniano (527 – 565), o império expandiu seu território que visava recuperar o antigo esplendor vivido pelo Antigo Império Romano, realizando importantes conquistas no norte da África, derrotando os vândalos e posteriormente os ostrogodos na Península Itálica e por último, parte da Espanha após derrotar os visigodos.
Do século VII ao X o Império Bizantino perdeu progressivamente os territórios conquistados e sofreu fortes investidas de outros povos germânicos, de búlgaros e persas.

A recuperação e fortalecimento do Império ocorreram durante o reinado de Basílio II, que derrotou os búlgaros, no entanto, nesse mesmo século XI novas invasões ocorreram, destacando-se os turcos seldjúcidas no oriente médio a partir de 1071.

Governando de forma despótica, Justiniano controlou a vida política, econômica e também a religiosa exercendo forte influência sobre a Igreja, instituindo o “cesaropapismo” e combatendo todas as manifestações contrárias como as “heresias” preocupando a igreja e afetando seu poder.

Mesmo contando com essa aproximação do mundo romano, o Império Bizantino sofreu influência dos valores da cultura grega e asiática. Um dos traços mais nítidos dessa multiplicidade da cultura bizantina nota-se nas particularidades de sua prática religiosa cristã. 


Divergindo de princípios do catolicismo romano, os cristãos bizantinos não reconheciam a natureza física de Cristo, admitindo somente sua existência espiritual. Além disso, repudiavam a adoração de imagens chegando até mesmo a liderarem um movimento iconoclasta. 

Essas divergências doutrinárias chegaram ao seu auge quando, em 1054, o Cisma do Oriente estabeleceu a divisão da Igreja em Católica Apostólica Romana e Ortodoxa. Dessa forma, a doutrina cristã oriental começou a sofrer uma orientação afastada de diversos princípios do catolicismo tradicional contando com lideranças diferentes das de Roma.

Na Baixa Idade Média, o Império Bizantino deu seus primeiros sinais de enfraquecimento. O movimento cruzadista e a ascensão comercial das cidades italianas foram responsáveis pela desestruturação do Império.

A Quarta cruzada foi responsável pela desagregação do império 1204 a 1261, durante esse período grande parte do território bizantino ficou sob domínio dos mercadores de Veneza.

No século XIV, a expansão turco-otomana na região dos Bálcãs e da Ásia Menor reduziu o império à cidade de Constantinopla. Finalmente, em 1453, os turcos dominaram a cidade e deram o nome de Istambul, uma das principais cidades da Turquia.

Mundo Árabe

A civilização árabe surgiu e irradiou-se a partir da Península Arábica, localizada na Ásia entre o Golfo Pérsico, o Oceano Índico e o Mar Vermelho.

Eles se dividiam em:
Árabes do litoral: povos sedentários que moravam em cidades próximas do litoral como Meca e Yathrib. Dedicavam-se ao comércio;
Árabes do deserto: povos seminômades que vivam em oásis da península. Eram criadores de ovelhas, cabras e camelos e realizam saques e pilhagens.

Até o século VI, os árabes ligavam-se pelos laços de parentesco e por elementos culturais comuns. Falavam o mesmo idioma e possuíam a mesma religião politeísta, adorando centenas de divindades.


Na cidade de Meca havia um templo conhecido como Caaba que reunia as estátuas dos principais deuses. Lá também se encontrava a Pedra Negra venerada pelos árabes que diziam ter sida trazida do céu por um anjo. A cidade, além de centro religioso, era também o principal centro comercial dos árabes.

Em 630, Meca foi conquistada por Maomé (Mohamed), que estabeleceu uma nova religião, monoteísta, denominada Islamismo. Logo, a nova crença se espalhou pela Arábia e os diversos povos foram se unificando em torno da nova religião. Por meio da identidade religiosa, criou-se outra organização política e social entre os árabes.

A religião islâmica prega a submissão total do ser humano a Alá, o deus único criador do universo. Essa submissão é chamada de Islão e aquele que tem fé em Alá é chamado de muçulmano.

Todos os princípios básicos do islamismo encontram-se reunidos no Corão ou Alcorão que além de normas religiosas inclui preceitos jurídicos, morais, econômicos e políticos que orientam o cotidiano da vida social.

Os princípios básicos do islamismo são:
•Crer em Alá, o único Deus e em Maomé (Mohamed), o seu grande profeta;
•Fazer cinco orações diárias com seu rosto voltado para a cidade sagrada de Meca;
•Ser generoso com os pobres dando-lhe esmolas;
•Cumprir o jejum religioso durante o Ramadan (mês sagrado);
•Ir em peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida.

Após a morte de Maomé, a religião islâmica sofreu várias interpretações, entre as quais se destacaram duas correntes, a dos sunitas que correspondem a aproximadamente 80% dos muçulmanos do mundo e a dos xiitas com os outros 20%.

Maomé e seus seguidores criaram o Estado muçulmano de governo teocrático que se expandiu por meio de conquistas militares. Essa expansão se deu em três fases:
•Primeira etapa (632 – 661): Conquistas da Pérsia, Síria, Palestina, Egito;
•Segunda etapa (661 – 750): Conquistas do noroeste da China, norte da África e de quase toda a Península Ibérica;
•Terceira etapa (750 – 1258): Conquistas na Península Balcânica (Europa).

Os árabes tiveram grande influência sobre a civilização ocidental. Eles se destacaram no comércio com o controle de rotas comerciais provenientes da Ásia, revolucionaram a atividade náutica com vários inventos como barco a vela, a bússola e espalharam para o ocidente a pólvora e o papel, na matemática introduziram o algarismo hindu e o numeral zero, desenvolveram a álgebra e a trigonometria e na medicina, descobriram novas técnica cirúrgicas, causas de doenças como varíola e sarampo e ainda contribuíram com várias palavras na língua portuguesa como álcool, algodão, azeite, esfirra, quibe, açougue, etc.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Independência dos Estados Unidos

A Independência das treze colônias inglesas da América do Norte foi um movimento de grande importância, pois foi o primeiro movimento de emancipação que alcançou resultado efetivo, sendo considerada como uma das Revoluções Burguesas do século XVIII. Neste século, vários movimentos caracterizaram a ascensão da burguesia, apoiada nos ideais liberais do Iluminismo.

Após um século do início da colonização inglesa, já viviam nas 13 Colônias mais de dois milhões de pessoas, com certo grau de independência em relação à metrópole, o que possibilitou um desenvolvimento econômico considerado especialmente nas colônias do norte devido ao comércio triangular.

As leis inglesas de navegação não impediam o desenvolvimento da colônia porque não eram aplicadas. Mas quando o comércio colonial começou a concorrer com o comércio metropolitano fez a Inglaterra mudar de ideia. Em 1750, a Inglaterra havia proibido a produção do ferro e em 1754 proibiu a fabricação de tecidos.

Outro fato importante contribuiu também, foi a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), entre Inglaterra e França. Vencedora, a Inglaterra se apossou de grande parte do Império Colonial Francês, especialmente terras a oeste das treze colônias americanas.

Terminada a Guerra dos Sete Anos a Inglaterra adotou uma série de medidas com o intuito de tornar mais rígido o monopólio sobre as colônias e obter maior riqueza. As terras a oeste, tomadas aos franceses após a guerra foram declaradas da Coroa e portanto os colonos foram proibidos de ocupa-las, frustrando as expectativas dos grandes proprietários do sul, que se encontravam constantemente endividados, na medida em que dependiam do comércio inglês.

Com o pretexto de recuperar as finanças do Estado, abaladas com a guerra contra a França, os ingleses adotaram diversas leis coercitivas, que na prática serviriam para garantir o mercado colonial para os produtos de outras colônias ou comercializadas por empresas inglesas, particularmente o chá, monopolizado pela Companhia das Índias Orientais.

As principais leis coercitivas foram:
•Lei do Açúcar (1764): taxando o açúcar que não fosse comprado das Antilhas Inglesas;
•Lei do Selo (1765): obrigava a utilização de selo em qualquer documento, jornais ou contratos;
•Atos Townshend (1767): leis que taxavam a importação de diversos produtos de consumo. Criavam os Tribunais Alfandegários;
•Lei do Chá (1773): garantia o monopólio do comércio de chá para a Cia das Índias Orientais;
•Leis Intoleráveis (1774): impostas após a manifestação do Porto de Boston, interditava o porto da cidade, imposição de um novo governador para Massachussets e aquartelamento de tropas britânicas;
•Ato de Quebec (1774): impedia que as colônias de Massachussets, Virgínia, Connecticut e Pensilvânia ocupassem terras à oeste.

Em 1774, os representantes das colônias organizaram o Primeiro Congresso da Filadélfia exigindo que as Leis Intoleráveis fossem revogadas e o direito de representação no Parlamento inglês, o que não aconteceu. Formaram então comitês pró-independência em todas as cidades.

Em 1775 os ingleses atacaram Lexington e Concord. Nesse mesmo ano reuniu-se o Segundo Congresso Continental da Filadélfia, de caráter separatista, onde os colonos organizaram um exército que seria comandado por George Washington, da Virgínia e deu a Thomas Jefferson a liderança de uma comissão encarregada de redigir a Declaração de Independência.
No dia 4 de julho de 1776, os colonos resolveram romper definitivamente com a Inglaterra, proclamando a sua Independência. Iniciava-se uma guerra contra os ingleses que contou com o apoio de tropas espanholas e francesas.

Em 1781 as tropas coloniais e francesas derrotaram os ingleses na Batalha de Yorktown e em 1783 foi assinado o Tratado de Versalhes, segundo o qual a Inglaterra reconhecia a independência das treze colônias, agora Estados Unidos da América.
Em 1787, os Estados Unidos promulgaram sua constituição com características iluministas como a garantia de propriedade privada, opção por uma república federativa e divisão em três poderes (executivo, legislativo e judiciário). Ficou mantida porém a escravidão dos negros que levariam os EUA a uma guerra civil, anos depois.



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Era Vargas


Revolução de 1930
Na eleição presidencial de 1930 venceu o paulista Júlio Prestes, candidato da situação representante das oligarquias paulista e mineira, que iria continuar a política do café com leite.

Os oposicionistas liderados pelo gaucho Getúlio Vargas, acusaram o vitorioso de fraudes, roubo e compra de votos na eleição e com o apoio de setores da classe média, trabalhadores, industriais e do movimento tenentista do exército, fizeram a revolução no dia 3 de outubro de 1930.

No Rio de Janeiro, capital da República, os militares depuseram o presidente Washington Luís poucos dias ante do fim de seu mandato, impedindo assim a posse de Júlio Prestes e entregaram o poder a Getúlio Vargas, o candidato derrotado na eleição.

Terminava a República Velha e iniciava-se a Era Vargas que duraria até 1945, dividido em três períodos:
Governo Provisório: 1930 – 1934;
Governo Constitucional: 1934 – 1937;
Governo Ditatorial (Estado Novo): 1937 – 1945.

Governo Provisório
Ao chegar ao poder, Getúlio Vargas tomou algumas medidas como a suspensão da Constituição de 1891, o fechamento do Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, das Câmaras Municipais, indicando interventores do movimento tenentista aos governos estaduais.

Objetivo do novo governo era eliminar a força dos grupos políticos tradicionais. Não eliminaram. Mas conseguiram reduzir o poder das velhas oligarquias.

A revolução Constitucionalista de 1932
Em 1932 estourou em São Paulo uma grande revolta contra o governo Vargas. Unidos, os paulistas exigiam a nomeação de um interventor civil e paulista para governar o estado, novas eleições e uma convocação de uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova constituição para o país.

No dia 9 de julho de 1932, explodiu a revolução que tomaria forma de guerra civil onde os paulistas reuniram armas e um exército de 30 mil homens.

Depois de três meses de lutas sangrentas e milhares de mortos e feridos, os paulistas foram derrotados pelas tropas federais, mas se consideraram vitoriosos, pois conseguiram todos os seus objetivos.

A Constituição de 1934
Em 1934 foi promulgada uma nova constituição para o Brasil que estabelecia entre outros pontos:
•O voto secreto – voto das mulheres;
•Direitos Trabalhistas – salário mínimo, jornada diária de 8 horas de trabalho, férias remuneradas entre outros;
•Nacionalismo Econômico.

O presidente eleito de forma indireta foi Getúlio com mandato até 1938, onde só então se faria eleições diretas para a escolha de um novo governo.

Nessa nova fase de governo, dois grupos políticos com ideias bastante distintas, ocuparam o cenário político brasileiro. Eram os integralistas e os aliancistas.

Integralismo
O integralismo do escritor Plínio Salgado e Miguel Reale era uma espécie de cópia brasileira do fascismo de Mussolini e do nazismo de Adolf Hitler.

Defendia o combate ao comunismo, o nacionalismo extremado, a disciplina, a hierarquia dentro da sociedade e a entrega do poder total do Estado sem divisão de poderes, ao líder do único partido permitido, o Partido Integralista.

Seus membros eram submetidos à rígida disciplina militar, vestiam uniformes com camisas verdes, desfilavam pelas ruas como tropa militar, gritando a saudação indígena Anauê! Tinham em seu braço esquerdo o símbolo ∑ a letra sigma do alfabeto grego. Atacavam de forma violenta seus adversários de outras organizações políticas. Eram conhecidos popularmente como galinhas verdes.

Aliancismo
A principal oposição aos integralistas era a Aliança Nacional Libertadora (ANL), cujos membros eram chamados de aliancistas. Era composta por sociais democratas, socialistas, anarquistas e comunistas. Mas o Partido Comunista ditava as ordens dentro da Aliança.

Em 1935, Luís Carlos Prestes foi eleito presidente de honra. O programa político da ANL tinha como objetivo a nacionalização das empresas estrangeiras, não pagamento da dívida externa, reforma agrária dividindo as terras dos latifundiários aos camponeses pobres entre outros.

A ANL cresceu em todo o país no início da década de 1930 assustando as elites dominantes e o governo que decidiu fechar a organização e prender seus líderes.

Diante da repressão, os comunistas da Aliança planejaram uma revolta militar contra o governo denominada Intentona Comunista em 1935, que fracassou e seus líderes foram todos presos. Entre eles estavam Luís Carlos Prestes e sua mulher, a alemã Olga Benário

Mesmo grávida Olga foi entregue pelo governo brasileiro aos nazistas alemães que a procuravam há vários anos. Ela morreu em um campo de concentração em 1942.

O Estado Novo
No dia 10 de novembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas anunciava o Estado Novo, em cadeia de rádio. Iniciava-se um período de ditadura na História do Brasil.

Alegando a existência de um plano comunista para a tomada do poder (Plano Cohen) Getúlio fechou o Congresso Nacional e impôs ao país uma nova Constituição, que ficaria conhecida depois como "Polaca" por ter se inspirado na Constituição da Polônia, de tendência fascista.

O Golpe de Getúlio Vargas foi articulado junto aos militares e contou com o apoio de grande parcela da sociedade, pois desde o final de 1935 o governo havia reforçado sua propaganda anticomunista, amedrontando a classe média, na verdade preparando-a para apoiar a centralização política que desde então se desencadeava.

A partir de novembro de 1937 Vargas impôs a censura aos meios de comunicação, reprimiu a atividade política fechando os partidos, perseguiu e prendeu inimigos políticos, proibiu as bandeiras e constituições estaduais e municipais, suspendeu todos os direitos e garantias individuais.

No plano econômico, diversificou a produção agrícola incentivando o cultivo de algodão, cana de açúcar, óleos vegetais e frutas tropicais. Adotou medidas econômicas nacionalizantes e na industrialização, priorizou a fabricação de artigos nacionais para substituir as importações, preocupou-se com as indústrias de base, fundou empresas estatais como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce.

Paralelo a isso, foram criadas inúmeras leis trabalhistas que asseguravam ao operário, direitos básicos como salário mínimo, jornada diária de 8 horas reunidas em 1943 na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Foi chamado por isso de “pai dos pobres”, fato que dava ao seu governo um estilo populista.

A valorização da imagem do líder é uma das características dos regimes fascistas, assim como dos governantes populistas.

O principal acontecimento na política externa foi a participação brasileira na 2º Guerra Mundial (1944 -1945), responsável pela grande contradição do governo Vargas, que dependia economicamente dos EUA e possuía uma política semelhante à alemã. A derrota do nazifascismo contribuiu decisivamente para o fim do Estado Novo.

Em 29 de outubro de 1945, tropas do exército cercaram o Palácio do Catete no Rio de Janeiro e obrigaram Vargas a renunciar. Ele foi afastado do poder sem nenhuma punição política, se retirando tranquilamente para sua fazenda em São Borja, no Rio Grande do Sul.

Luis Carlos Prestes 
(Político e líder comunista brasileiro)
Comandante de uma extraordinária e revolucionária marcha, a Coluna Prestes, e líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos, Luís Carlos Prestes foi uma das figuras da América Latina mais perseguidas do século XX. 

Nascido em Porto Alegre (RS) em 3 de janeiro de 1898, cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro. Transferido para o Rio Grande do Sul, liderou no Estado uma revolta tenentista contra o governo de Arthur Bernardes em 1924. 

Compostos por jovens oficiais do Exército, os "tenentes" pretendiam levantar a população contra o poder da oligarquia governante e, por meio da revolução, exigir reformas políticas e sociais, como a renúncia de Bernardes, a convocação de uma Assembleia Constituinte e o voto secreto. 

Depois de vários combates, os gaúchos foram ao encontro das tropas paulistas rebeldes comandadas por Isidoro Dias Lopes e por Miguel Costa, em Foz do Iguaçu (PR), formando a Coluna Prestes, com o propósito de percorrer o Brasil para propagar as ideias tenentistas. 

Os integrantes da Coluna realizaram uma incrível marcha pelo interior do país, percorrendo, a pé e a cavalo, cerca de 25 mil km. Nesse momento, Prestes é apelidado de Cavaleiro da Esperança. A marcha terminou em 1927, quando os revoltosos se exilaram na Bolívia. 

Nesse país, Prestes conheceu Astrogildo Pereira, um dos fundadores do PCB. Convertido à ideologia marxista, viajou para Moscou, na URSS em 1931. 
Retornou clandestinamente ao Brasil em 1935, casado com a comunista judia alemã Olga Benário. Depois de comandar o fracassado golpe conhecido como Intentona Comunista (1935), com o intuito de derrubar o então presidente Getúlio Vargas e instalar um governo socialista, foi preso e sua mulher entregue à Gestapo (polícia política nazista) e deportada grávida para a Alemanha, onde morreu em um campo de concentração (1942). 

Após ser solto com o processo de redemocratização (1945), Prestes elegeu-se senador pelo PCB. Com a cassação do registro do partido (1947), teve a prisão preventiva decretada e foi obrigado a retornar à clandestinidade. Sua prisão preventiva foi revogada em 1958, mas, com o golpe militar de 1964, o líder comunista voltou a ser perseguido. Em 1971, conseguiu sair do país e se exilou na antiga URSS. 

Com a decretação da anistia em agosto de 1979, Prestes, após oito anos de exílio, desembarcou no Rio de Janeiro em 20 de outubro seguinte. Os militantes do PCB, contudo, já não acatavam mais suas orientações, considerando-as rígidas e anacrônicas. 
Iniciando uma controvérsia pública com a direção do PCB, Prestes escreve uma "Carta aos comunistas", na qual defendeu, dentre outros pontos, a reconstrução do movimento comunista no país. Em 1982, acompanhado por vários militantes, retira-se do PCB. 

Agindo sem se filiar a qualquer partido, Prestes passou a militar em diversas causas, apoiando, em 1989, a candidatura de Leonel Brizola à presidência da República. Em janeiro do ano seguinte Luís Carlos Prestes foi internado numa clínica no Rio de Janeiro para tratamento de insuficiência renal e princípio de desidratação, segundo versão divulgada pela imprensa. Seu estado de saúde, no entanto, agravou-se no início de março, quando voltou a ser internado. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 7 de março de 1990. Nessa data a Justiça Eleitoral concedeu o registro definitivo ao PCB.
Olga Benário 
Revolucionária alemã

Conhecida no Brasil como Olga Benário ou Olga Benário Prestes, Maria Bergner era uma revolucionária que defendia o comunismo e lutava para acabar com as desigualdades e injustiças sociais. 

Nasceu em Munique, na Alemanha, em 1908, numa família judia de classe média. Membro do Partido Comunista alemão desde 1926, Olga foi acusada de atividades subversivas e presa em 1929. 

Depois de libertada, foi para a União Soviética, onde passou a trabalhar na Internacional Comunista e onde conheceu Luís Carlos Prestes, importante líder revolucionário brasileiro. 

Olga fez parte do grupo de estrangeiros destacados para acompanhar Prestes em seu retorno ao Brasil. Prestes deveria liderar uma insurreição armada que instalasse um governo revolucionário. 

Olga e Prestes chegaram ao Brasil em abril de 1935 e viveram meses na clandestinidade. Na época, o nome de Prestes era aclamado nas manifestações populares promovidas pela ANL (Aliança Nacional Libertadora), frente antifascista que reunia diversos setores de esquerda, entre eles os comunistas. 

Em novembro de 1935, um levante armado aconteceu na cidade de Natal, e Prestes ordenou que a insurreição fosse estendida ao resto do país. O apoio militar prometido a Prestes não foi concretizado. Apenas algumas unidades de Recife e do Rio de Janeiro se levantaram contra o governo brasileiro, que rapidamente controlou a situação, reprimiu e prendeu oposicionistas e revolucionários. 
Durante alguns meses, Olga e Prestes mantiveram-se na clandestinidade, até que, em março de 1936, foram capturados pela polícia. Mesmo grávida, Olga foi deportada para a Alemanha nazista seis meses depois. Entregue à Gestapo (polícia política alemã), Olga foi enviada para uma prisão de mulheres em Barminstrasse (Berlim), em 1936, onde deu à luz Anita Leocádia Prestes

Após campanha internacional por sua libertação, Anita foi entregue a sua avó paterna. Logo depois, Olga seria transferida para outra prisão, em condições muito piores, e mais tarde para o campo de concentração de Ravensbruck. Em abril de 1942, era assassinada numa câmara de gás no campo de Bernburg.

Manifesto da Historiadora Anita Leocádia Prestes: Clique aqui


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Direita X Esquerda


Normalidade democrática é a concorrência efetiva, livre, aberta, legal e ordenada de duas ideologias que pretendem representar os melhores interesses da população:

  • A Esquerda: que favorece o controle estatal da economia e a interferência ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. 
  • A Direita: que favorece a liberdade de mercado defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.
Além dessas duas definições ideológicas, nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os extremismos:
  • A Extrema Esquerda: que prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial. 
  • A Extrema Direita: propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada.
Ambos os extremismos são sempre inimigos da direita, mas, da esquerda, só de vez em quando. A extrema esquerda só se distingue da esquerda por uma questão de grau (ou de pressa relativa), pois ambas visam em última instância ao mesmo objetivo. Já a extrema direita e a direita, mesmo quando seus discursos convergem no tópico dos valores morais ou do anti-esquerdismo programático, acabam sempre se revelando incompatíveis em essência: é materialmente impossível praticar ao mesmo tempo a liberdade de mercado e o controle estatal da economia, a preservação dos direitos individuais e a militarização da sociedade.

Democracia normal e patológica”, de Olavo de Carvalho 
Diário do Comércio
5/10/ 2011