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terça-feira, 30 de maio de 2017

A Guerra Civil Espanhola


































..........A Espanha entra no século XX como uma monarquia já decadente pela perda de seu império colonial e de suas últimas colônias ultramarinas de Cuba, Porto Rico e Filipinas após a derrota da Guerra Hispanico-Estadunidense (1898) ainda sob a regência de Maria Cristina mãe de Afonso XIII que seria rei em 1902. 
..........Essa derrota gerou várias revoltas sociais nas principais cidades do país lideradas principalmente por comunistas, socialistas e anarquistas. A partir de 1910, esses grupos comandaram diversas manifestações trabalhistas organizando muitos comandos de greve. A situação chegou a um ponto insustentável e, com isso, o regime absolutista espanhol abdicou do poder para deixar a nação sobre o controle dos militares. O general Primo Rivera, em 1923, instalou um governo ditatorial com apoio dos monarquistas. A repressão do governo militar foi respondida com o repudio violento da população, que em 1930 conseguiu dar fim ao mandato de Primo Rivera. Percebendo a insustentabilidade da monarquia, o então rei Alfonso XIII deixa o trono dando espaço para a fundação do governo republicano. 
..........A Espanha implantou uma reforma política que marcou o início da chamada Segunda República. No final de 1931, o país ganhou uma nova carta constitucional e elegeu Niceto Alcalá Zamora como novo presidente espanhol. Entre outras ações, o novo governo descentralizou o poder, instituiu um regime eleitoral com voto livre direto, fixou novos salários, iniciou uma reforma agrária e promoveu a separação entre Igreja e Estado.  
..........Porém, essas medidas são consideras insuficientes pelos setores de esquerda que logo se levanta uma onda anarquista de greves, atentados à bomba, assaltos a quartéis e ocupação de prefeituras nas regiões de Valência e Catalunha. Isso apavora a ultra-direita, composta por monarquistas, católicos conservadores, grupos pequenos de tendência fascista como a Falange Espanhola e militares direitistas. 
..........Ao longo da década de 1930, a delicada situação política ganhou novos contornos com a polarização política instituída por dois novos movimentos: a Falange Tradicionalista Espanhola, defensora de um regime totalitário no país; e a Frente Popular de Esquerda, que agrupava líderes socialistas, comunistas e anarquistas. 
..........Nas eleições de 1936, a Frente Popular teve uma vitória apertada, com 4.654.116 votos contra 4.503.524 dos direitistas. Os centristas fizeram 526.615 votos. A Espanha estava dividida. 
..........O novo governo do presidente eleito Manuel Azaña, deu anistia geral, modificou as leis, ampliou o ensino público, tentou instituir seu projeto de reforma agrária e concedeu aumento salarial para as classes trabalhadoras. 
..........A direita ultraconservadora se alia aos militares e optam por um golpe de Estado comandado pelo chefe do Estado-Maior e integrante da Falange, Francisco Franco que se rebela na África em 17 de julho de 1936 comandando um contingente de 30 mil homens e 12 mil marroquinos sob suas ordens. Franco ainda recebe o apoio militar dos governos nazifascistas de Hitler e Mussolini. 
..........Do lado do governo republicano, as Brigadas Internacionais lideradas pela Internacional Comunista, chegou a recrutar 40 mil jovens de 50 países, recebeu apoio militar da URSS, para formar exércitos favoráveis aos grupos de esquerda. 
..........Entre os anos de 1936 e 1937, vários combates arrasaram a nação espanhola. Entre as mais violentas e famosas batalhas acontecidas nesse período, destacamos o bombardeio aéreo dirigido contra a cidade de Guernica, tema de uma das mais famosas obras do pintor Pablo Picasso. No ano de 1938, os franquistas já tinham controlado as principais cidades do território espanhol. Além disso, a União Soviética assinou um armistício com a Alemanha e retirou suas tropas da Espanha. 
..........Em março de 1939, os exércitos do general Franco conseguiram tomar posse da cidade de Barcelona após uma sangrenta batalha, onde 30 mil republicanos foram executados. A partir de então, Francisco Franco se tornou líder máximo da nação espanhola, deixando o cargo somente em 1975. De acordo com algumas estimativas, em seu breve período de duração, a Guerra Civil Espanhola foi responsável pela morte de mais de um milhão de pessoas.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Independência dos Estados Unidos

A Independência das treze colônias inglesas da América do Norte foi um movimento de grande importância, pois foi o primeiro movimento de emancipação que alcançou resultado efetivo, sendo considerada como uma das Revoluções Burguesas do século XVIII. Neste século, vários movimentos caracterizaram a ascensão da burguesia, apoiada nos ideais liberais do Iluminismo.

Após um século do início da colonização inglesa, já viviam nas 13 Colônias mais de dois milhões de pessoas, com certo grau de independência em relação à metrópole, o que possibilitou um desenvolvimento econômico considerado especialmente nas colônias do norte devido ao comércio triangular.

As leis inglesas de navegação não impediam o desenvolvimento da colônia porque não eram aplicadas. Mas quando o comércio colonial começou a concorrer com o comércio metropolitano fez a Inglaterra mudar de ideia. Em 1750, a Inglaterra havia proibido a produção do ferro e em 1754 proibiu a fabricação de tecidos.

Outro fato importante contribuiu também, foi a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), entre Inglaterra e França. Vencedora, a Inglaterra se apossou de grande parte do Império Colonial Francês, especialmente terras a oeste das treze colônias americanas.

Terminada a Guerra dos Sete Anos a Inglaterra adotou uma série de medidas com o intuito de tornar mais rígido o monopólio sobre as colônias e obter maior riqueza. As terras a oeste, tomadas aos franceses após a guerra foram declaradas da Coroa e portanto os colonos foram proibidos de ocupa-las, frustrando as expectativas dos grandes proprietários do sul, que se encontravam constantemente endividados, na medida em que dependiam do comércio inglês.

Com o pretexto de recuperar as finanças do Estado, abaladas com a guerra contra a França, os ingleses adotaram diversas leis coercitivas, que na prática serviriam para garantir o mercado colonial para os produtos de outras colônias ou comercializadas por empresas inglesas, particularmente o chá, monopolizado pela Companhia das Índias Orientais.

As principais leis coercitivas foram:
•Lei do Açúcar (1764): taxando o açúcar que não fosse comprado das Antilhas Inglesas;
•Lei do Selo (1765): obrigava a utilização de selo em qualquer documento, jornais ou contratos;
•Atos Townshend (1767): leis que taxavam a importação de diversos produtos de consumo. Criavam os Tribunais Alfandegários;
•Lei do Chá (1773): garantia o monopólio do comércio de chá para a Cia das Índias Orientais;
•Leis Intoleráveis (1774): impostas após a manifestação do Porto de Boston, interditava o porto da cidade, imposição de um novo governador para Massachussets e aquartelamento de tropas britânicas;
•Ato de Quebec (1774): impedia que as colônias de Massachussets, Virgínia, Connecticut e Pensilvânia ocupassem terras à oeste.

Em 1774, os representantes das colônias organizaram o Primeiro Congresso da Filadélfia exigindo que as Leis Intoleráveis fossem revogadas e o direito de representação no Parlamento inglês, o que não aconteceu. Formaram então comitês pró-independência em todas as cidades.

Em 1775 os ingleses atacaram Lexington e Concord. Nesse mesmo ano reuniu-se o Segundo Congresso Continental da Filadélfia, de caráter separatista, onde os colonos organizaram um exército que seria comandado por George Washington, da Virgínia e deu a Thomas Jefferson a liderança de uma comissão encarregada de redigir a Declaração de Independência.
No dia 4 de julho de 1776, os colonos resolveram romper definitivamente com a Inglaterra, proclamando a sua Independência. Iniciava-se uma guerra contra os ingleses que contou com o apoio de tropas espanholas e francesas.

Em 1781 as tropas coloniais e francesas derrotaram os ingleses na Batalha de Yorktown e em 1783 foi assinado o Tratado de Versalhes, segundo o qual a Inglaterra reconhecia a independência das treze colônias, agora Estados Unidos da América.
Em 1787, os Estados Unidos promulgaram sua constituição com características iluministas como a garantia de propriedade privada, opção por uma república federativa e divisão em três poderes (executivo, legislativo e judiciário). Ficou mantida porém a escravidão dos negros que levariam os EUA a uma guerra civil, anos depois.



domingo, 28 de maio de 2017

Civilização Romana


Localização e Origem
Roma, capital da Itália, conhecida como cidade eterna por sua história milenar, localiza-se na planície do Lácio, as margens do rio Tibre, próximo do mar Tirreno, no centro da Península Itálica, região sul da Europa. 

No século X a.C., viviam no centro dessa região diversos povos entre eles os italiotas (latinos, volscos, équos, úmbrios, sabinos, samnitas, etc.), os etruscos no norte e os gregos no sul (Magna Grécia). 

Por volta do século VII a.C., os etruscos impuseram seu domínio aos italiotas, e a aldeia romana acabou-se por tornar uma cidade. Ao adquirir características de cidade, Roma iniciou um processo de organização político-social que resultou na Monarquia. 

A história política de Roma é dividida nos seguintes períodos:
•Monarquia (753 a.C. – 509 a.C.) – Com sete reis;
•República (509 a.C. – 27 a.C.) – governo do senado;
•Império (27 a.C. – 476 d.C.) – com 77 imperadores.

A Monarquia Romana
Durante a monarquia, Roma era governada por um rei (chefe militar, religioso e juiz) e suas funções eram fiscalizadas pelo Senado (conselho de velhos cidadãos ricos) e pela Assembleia Curial (formada por soldados organizados em cúrias de dez tribos). 

São conhecidos sete reis romanos: Rômulo, Numa Pompílio, Túlio Hostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco (o Antigo), Sérvio Túlio e Tarquínio (o Soberbo). Provavelmente deve ter existidos outros reis, porém não há comprovação histórica. Dos reis citados acima quatro eram italiotas e os três últimos eram etruscos. 

A sociedade era formada por patrícios (grandes proprietários de terras, os ricos) com todos os direitos políticos e sociais, os clientes (apadrinhados pelos patrícios de quem dependiam), plebeus (homens e mulheres livres, artesãos e camponeses) eram a maioria e os escravos (prisioneiros de guerra). 

Apesar dos progressos que Roma vinha alcançando com a Monarquia, no reinado de Tarquínio as famílias romanas poderosas (os patrícios) ficaram insatisfeitas com as medidas adotadas por esse rei etrusco em favor dos plebeus. 

Para controlar diretamente o poder em Roma, os patrícios, que formavam o Senado, rebelaram-se contra o rei, expulsando-o estabelecendo uma nova organização política: a República.


A República Romana
Com a instalação da República, os patrícios organizaram uma estrutura social e administrativa que lhes permitia exercer domínio sobre Roma e desfrutar os privilégios do poder. 

Os patrícios controlavam quase a totalidade dos altos cargos da República. Esses cargos eram exercidos por dois cônsules e outros importantes magistrados. Na chefia da República os cônsules eram auxiliados pelo Senado, composto por trezentos destacados cidadãos romanos. Havia, ainda, a Assembleia dos Cidadãos, manobrada pelos ricos patrícios. 

Embora os plebeus constituíssem a maioria da população, eles não tinham direito de participar das decisões políticas. Tinham deveres a cumprir: lutar no exército, pagar impostos etc. 

A segurança de Roma dependia de um exército forte e numeroso. Os plebeus eram indispensáveis na formação do exército, uma vez que constituíam a maior parte da população. 
Conscientes disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir o exército, o que representou duro golpe na estrutura militar de Roma. Iniciaram uma longa luta política contra os patrícios, que perdurou por mais de um século. Lutaram para conquistar direitos, como o de participar de decisões políticas, exercer cargos da magistratura ou casar-se com patrícios. 

Para retornar ao serviço militar, os plebeus fizeram várias exigências aos patrícios e conquistaram direitos. Entre eles encontrava-se a criação de um comício da plebe, presidido por um tribuno da plebe. 

A pessoa do tribuno da plebe seria inviolável, pessoa protegida contra qualquer violência ou ação da justiça. Ela teria também poderes especiais para cancelar quaisquer decisões do governo que prejudicassem os interesses da plebe. 

Outras importantes conquistas obtidas pela plebe foram:
•Lei das Doze Tábuas (450 a.C.);
•Lei Canuleia (445 a.C.);
•Eleição dos magistrados plebeus (362 a.C.);
•Proibição da escravidão por dívidas (366 a.C.).

A luta política entre patrícios e plebeus não chegou a desestabilizar o poder republicano. Prova disso é que a República romana expandiu notavelmente seu território através de várias conquistas militares. 

As primeiras evidências da expansão militar consistiram no domínio completo da península itálica. Mais tarde, tiveram inicio as guerras contra Cartago (cidade no norte da África), conhecidas como Guerras Púnicas. Posteriormente veio a expansão pelo mundo antigo. 

As conquistas militares acabaram levando a Roma à riqueza dos países dominados. O estilo de vida romano, antes simples e modesto, tornou-se luxuoso e requintado, com a construção de grandes casas, utilização pelos patrícios de roupas finas, melhora e diversificação da alimentação, contato e a influência de outras culturas como a grega, por exemplo, a formação de grandes propriedades rurais controladas pelos patrícios e migração dos plebeus para as cidades em principal, Roma que passou a sofrer com problemas de miséria e revoltas urbanas. 
O crescente aumento do número de plebeus pobres e miseráveis tornou-se cada vez mais tensa a situação social e política em Roma, pois os ricos comerciantes e grandes proprietários rurais não queriam conceder nenhuma reforma social que permitisse a diminuição de seus privilégios. 

Com o agravamento da crise, tradicionais instituições foram questionadas, e um clima de desordem e agitação foi tomando conta da vida das cidades. Diversos chefes militares entraram, sucessivamente, em luta pelo poder, marcando o processo de transição para o império. Entre os principais acontecimentos desse processo destacam-se:

•Em 107 a.C., o general Caio Mário tornou-se cônsul. Reformou o exército, instituindo o pagamento de salário (soldo) para os soldados. 

•Em 82 a.C., o general Cornélio Sila, representando a nobreza, derrotou Caio Mário e instituiu um governo ditatorial. 

•Em 79 a.C., Sila foi forçado a deixar o poder devido a seu estilo antipopular de governo, pois a situação social estava incontrolável. 

•Em 60 a.C. estabeleceu-se o Primeiro Triunvirato, formado por Crasso, Julio César e Pompeu para governar Roma. Pouco tempo depois de assumir o poder, Crasso foi assassinado. Surgiu, então, séria rivalidade entre Pompeu e Julio César. César saiu vitorioso e tornou-se ditador supremo de Roma. Promoveu, durante o seu governo, diversas reformas sociais para controlar a situação. Em 44 a.C. foi assassinado por uma conspiração organizada por membros do Senado. 

•Em 43 a.C., estabeleceu-se o Segundo Triunvirato, composto por Marco Antonio, Otávio e Lépido. O poder foi dividido entre os três: Lépido ficou com os territórios africanos, mas depois foi forçado a retirar-se da política; Otávio ficou responsável pelos territórios ocidentais; e Marco Antonio assumiu o controle dos territórios do Oriente. Surgiu intensa rivalidade entre Otavio e Marco Antonio, que se apaixonara pela rainha Cleópatra, do Egito. Declarando ao Senado que Marco Antonio pretendia formar um império no Oriente, Otavio conseguiu o apoio dos romanos para derrotá-lo. Assim, tornou-se o grande senhor de Roma. 

Otávio após derrotar Marco Antônio e a rainha do Egito Cleópatra, concentrou em suas mãos tantos títulos e poderes doados pelo senado como imperator (chefe do exército) e augusto (divino) que se tornou imperador no ano 27 a.C.


O Império Romano - Alto Império (27 a.C. - 235 d.C.)
 Otávio Augusto tornou-se, na prática, rei absoluto de Roma. Mas não assumiu oficialmente o título de rei e permitiu que as instituições republicanas (Senado, Comício Centurial e Tribal etc.) continuasse existindo na aparência. 

Durante o longo governo de Otávio Augusto (27 a.C.-14 d.C.), uma série de reformas sociais administrativas foi realizada. Roma ganhou em prosperidade econômica. O imenso império passou a desfrutar um período de paz e segurança, conhecido como Pax Romana. 

Após a morte de Otavio Augusto, o trono romano foi ocupado por vários imperadores, que pode ser agrupados em quatro dinastias:
Dinastia dos Julios-Claudius (14-68): Tibério, Calígula, Claudio e Nero;
Dinastia dos Flávios (69-96): Vespasiano e Domiciano;
Dinastia dos Antoninos (96-192): Nerva, Trajano, Adriano, Marco Aurélio, Antinino Pio e Cômodo.
Dinastia dos Severos (193-235): Sétimo, Severo, Caracala, Macrino, Heliogábalo e Severo Alexandre.

Baixo Império (235-476)
Esse período corresponde à fase final do período imperial. Costuma ser subdividido em: 

Baixo Império pagão (235-305): período em que dominava as religiões não cristãs. Destacou-se o reinado de Diocleciano, que dividiu o governo do enorme império entre quatro imperadores (tetrarquia) para facilitar a administração. Esse sistema de governo, entretanto não se consolidou. 

Baixo Império Cristão (306-476): nesse período, destacou-se o reinado de Constantino, que através do Edito de Milão, concedeu liberdade religiosa aos cristãos. Consciente dos problemas de Roma, Constantino decidiu mudar a capital do império para a parte oriental. Para isso remodelou a antiga Bizâncio (cidade fundada pelos gregos) e fundou Constantinopla, que significava "cidade de Constantino”. 

A cidade de Roma foi umas das maiores do mundo antigo com mais de 1 milhão de habitantes. No império, o número de plebeus, ex-escravos e homens livres desempregados era muito grande. As revoltas sociais eram frequentes. Para acalmar um pouco essa população, os imperadores distribuíam regularmente trigo à população pobre e os alegravam com espetáculos de teatro, circo e lutas de gladiadores. 

Para sustentar um grande império que exigiam enormes gastos públicos administrativos e militares, foi necessário o aumento de impostos, desagradando às elites, a falta de escravos com o fim das conquistas militares, a violência e miséria das cidades romanas foram as principais causa da crise que levou ao fim do império romano no século V. 

O Baixo Império foi sendo corroído por uma longa crise social, econômica e política. Para piorar ainda mais a situação, os romanos tiveram de enfrentar a pressão dos povos bárbaros. 

Chegou um momento em que os romanos perceberam que os soldados encarregados de defender Roma vinham dos próprios povos contra os quais eles (romanos) combatiam. 

Com a morte de Teodósio, em 395, o grande império Romano foi dividido em: Império Romano do Ocidente, com sede em Roma; e Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla. 

A finalidade dessa divisão era fortalecer cada uma das partes do império para vencer a ameaça das invasões bárbaras. Entretanto, o Império Romano do Ocidente não teve organização interna para resistir aos sucessivos ataques dos povos bárbaros. 

Em 476, o último imperador de Roma, Rômulo Augusto, foi deposto por Odoacro, rei do hérulos, um dos povos bárbaros. 

Quanto ao Império Romano do Oriente, embora com transformações, sobreviveu até 1453, ano em que os turcos conquistaram Constantinopla. A cultura ocidental tem suas origens na Roma antiga. Várias línguas modernas como o português, espanhol, francês, romeno e italiano, falado por quase um bilhão de habitantes em todo o mundo surgiram do latim, língua falada pelos romanos, o direito romano inspirou as constituições atuais, o cristianismo uma das maiores religiões da atualidade foi religião oficial nos últimos anos do império romano, arquitetura de igrejas e aquedutos, teatro, escultura, literatura, o mecenato, forma de se administrar um grande império, etc.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Direita X Esquerda


Normalidade democrática é a concorrência efetiva, livre, aberta, legal e ordenada de duas ideologias que pretendem representar os melhores interesses da população:

  • A Esquerda: que favorece o controle estatal da economia e a interferência ativa do governo em todos os setores da vida social, colocando o ideal igualitário acima de outras considerações de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa. 
  • A Direita: que favorece a liberdade de mercado defende os direitos individuais e os poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado e coloca o patriotismo e os valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade.
Além dessas duas definições ideológicas, nas beiradas do quadro legítimo, florescendo em zonas fronteiriças entre a política e o crime, há os extremismos:
  • A Extrema Esquerda: que prega a submissão integral da sociedade a uma ideologia revolucionária personificada num Partido-Estado, a extinção completa dos valores morais e religiosos tradicionais, o igualitarismo forçado por meio da intervenção fiscal, judiciária e policial. 
  • A Extrema Direita: propõe a criminalização de toda a esquerda, a imposição da uniformidade moral e religiosa sob a bandeira de valores tradicionais, a transmutação de toda a sociedade numa militância patriótica obediente e disciplinada.
Ambos os extremismos são sempre inimigos da direita, mas, da esquerda, só de vez em quando. A extrema esquerda só se distingue da esquerda por uma questão de grau (ou de pressa relativa), pois ambas visam em última instância ao mesmo objetivo. Já a extrema direita e a direita, mesmo quando seus discursos convergem no tópico dos valores morais ou do anti-esquerdismo programático, acabam sempre se revelando incompatíveis em essência: é materialmente impossível praticar ao mesmo tempo a liberdade de mercado e o controle estatal da economia, a preservação dos direitos individuais e a militarização da sociedade.

Democracia normal e patológica”, de Olavo de Carvalho 
Diário do Comércio
5/10/ 2011

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Crise Econômica de 1929


No fim da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos eram a maior potência econômica do mundo. Em 1920, a indústria norte-americana produzia quase 50% de toda a produção industrial do mundo. 

O progresso tecnológico do país favoreceu um crescimento fabuloso da produção econômica. Os americanos viviam um clima de grande euforia. 

Este clima de euforia e prosperidade econômica permaneceu durante quase toda a década de 1920. Entretanto, em 1929, o país mergulhou numa terrível crise econômica que se espalhou por vários países do mundo. 

Havia uma enorme quantidade de mercadorias para as quais não existiam compradores. Ou seja, houve uma superprodução de mercadorias, o que fez seus preços despencar. Mesmo assim, não conquistavam consumidores. 

Os produtores agrícolas e industriais compreenderam então a necessidade de reduzir o ritmo de suas atividades. Para Isso, precisavam demitir milhões de trabalhadores. No decorrer da crise, o número de desempregados nos Estados Unidos atingiu mais de 15 milhões de pessoas. 

Em 29 de outubro de 1929 ocorreu a queda vertiginosa de milhões de ações da Bolsa de Valores de Nova York. As ações perderam quase todo o seu valor financeiro. Mais de 9 mil bancos quebraram, 85 mil empresas faliram, a população americana passou fome grande parte do período da Grande Depressão de 1929 a 1932. 
A quebra da Bolsa de Valores de Nova York repercutiu na maioria dos países capitalistas. No período de 1929 a 1933, o comércio internacional teve uma redução de 25% e a produção industrial teve uma queda de aproximadamente 39%. 

Na Europa, os americanos retiraram o dinheiro emprestado, provocando; falências em bancos; falências em empresas; aumento do número de desempregados. 

Na América Latina, a repercussão da crise foi muito grande, pois os países forneciam basicamente produtos agrícolas e matérias-primas aos Estados Unidos. Com a crise, os Estados Unidos reduziram ou cortaram as compras que faziam desses países. Com menos dinheiro, os países latino-americanos deixaram de investir, gerando com isso desemprego e miséria. 

O Brasil também foi afetado pela crise de 1929. O Café era o principal produto de exportação brasileiro, e os Estados Unidos, o nosso principal comprador. Por causa da crise, os Estados Unidos diminuíram suas compras de café, provocando o aumento dos estoques do produto no Brasil. Com excesso de oferta, os preços caíram gerando a falência de grandes fazendeiros e desemprego em massa no campo e nas cidades que dependiam da economia cafeeira. 

Para sair da crise, os americanos elegeram para presidente o democrata Franklin Delano Roosevelt (1933-1945), que adotou um conjunto de medidas socioeconômicas chamado de New Deal (novo acordo). 

As principais medidas do New Deal foram: 

•controle pelo governo dos preços agrícolas e industriais; 

•congelamento dos salários; 

•concessão de empréstimos a industriais e proprietários rurais falidos; 

•realização de diversas obras públicas oferecendo trabalho a milhões de desempregados; 

•redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, salário-mínimo, férias remuneradas, 13º salário, seguro desemprego e aposentadoria. 

Com essas medidas, os Estados Unidos superaram a maior crise econômica de sua história, recuperaram o orgulho e voltaram a crescer a partir de 1935. Mas a crise só foi totalmente superada com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Revolução Inglesa e Iluminismo

No início dos anos 1600, a Inglaterra apresentava-se como um país em desenvolvimento e expansão. Nos reinados do século anterior, de Henrique VIII e Elizabeth I, o território foi unificado, a nobreza foi colocada sob controle, a ingerência da Igreja Católica fora afastada pela criação da Igreja anglicana. Desse modo, os britânicos já disputavam com os espanhóis os domínios coloniais na América Central e Caribe.


No entanto, Elizabeth 1ª, da dinastia Tudor, não deixou descendentes e subiu ao trono, em 1603, Jaime I, da dinastia escocesa Stuart, unindo as coroas da Inglaterra, da Irlanda e da Escócia. O rei, entretanto, pretendia governar sem o Parlamento, a quem cabia o poder de direito, de acordo com a Carta Magna de 1215. No entanto, o rei podia convocá-lo somente quando julgasse necessário e, assim, exercia o poder de fato.

Durante o século XVII, a Inglaterra vivia um período de grande crescimento econômico. Durante a dinastia Tudor, o país passou a exportar seus produtos, principalmente lã e alimentos, para muitos países da Europa. Nesse contexto, as propriedades rurais passaram a ter grande importância, uma vez que a matéria-prima era essencial para a fabricação de produtos manufaturados. Em virtude disso, os grandes proprietários de terra passaram a realizar a prática do cercamento, que de forma bem simples, consistia na expulsão dos camponeses de suas terras.

Assim, inúmeros camponeses foram tentar viver nas cidades, tendo que se sujeitarem a péssimas condições de trabalho e vida. Desta forma, a Inglaterra viveu um momento de desenvolvimento bastante contraditório, baseado na exclusão social de grande parte de sua população.

Além disso, a própria burguesia, cada vez mais atuante, estava insatisfeita com o poder absoluto nas mãos do rei, uma vez que isso poderia ser um obstáculo à expansão de seus negócios. O que a rica classe queria, na verdade, é ter um poder político correspondente ao seu poder econômico.

A necessidade de aumentar os impostos foi a questão central do desentendimento entre os reis Jaime I e seu filho Carlos I com o Parlamento. Por muitas vezes, Carlos I mandou dissolver o mesmo, atuando como um tirano. Outro fator que causou o que chamamos de Revolução Inglesa foi a tentativa de imposição do anglicanismo, feita por Carlos I, a todos os cidadãos ingleses, escoceses e irlandeses, o que desagradou muitos puritanos e presbiterianos que habitavam a região.

Todas estas questões causaram a insatisfação de grande parte do povo, da burguesia e do Parlamento para com o rei e seus poderes absolutos. A guerra civil propriamente dita se estendeu de 1642 a 1649.

Embora as tropas ligadas ao Parlamento, conhecidas como Cabeças Redondas, tenham sofrido muitas derrotas no começo das batalhas, se recuperaram posteriormente, graças à liderança de Oliver Cromwell. Por fim, venceram as tropas de Carlos I, o prenderam e o mataram.

Entre os anos de 1649 e 1658, a Inglaterra foi dirigida por Oliver Cromwell, o qual soube conter diversas resistências contra seu reinado e impulsionar ainda mais o desenvolvimento econômico inglês. Nesse sentido, o mesmo aprovou o Ato de Navegação, no qual estabelecia que todos os produtos ingleses deveriam ser comercializados somente em navios ingleses, o que transformou a Inglaterra na maior potência naval da época.


O filho e sucessor de Cromwell, Richard, não tinha a mesma habilidade de seu pai e acabou renunciando ao cargo. Assim, os adversários da república conseguiram restabelecer a monarquia novamente e proclamar Carlos II, da família Stuart, como rei. Esta nova imposição da monarquia ficou conhecida como Restauração.

Carlos II e seu irmão Jaime II eram católicos, o que não agradava a burguesia. Assim, era necessário derrubar a monarquia outra vez. A solução encontrada foi um Golpe de Estado, no qual o Parlamento permitiu que o príncipe holandês Guilherme de Orange destituísse Jaime II e se tornasse rei sob diversas condições. Assim, Guilherme de Orange foi obrigado a jurar a Declaração de Direitos (Bill of Rights), documento no qual cedia amplos poderes ao Parlamento. Após a Revolução Inglesa, a Inglaterra passou a ter um governo parlamentarista, no qual todas as decisões são tomadas pelo Parlamento (o rei reina, mas não governa), e a burguesia confirmou ainda mais sua ascensão.

Iluminismo
Ao longo dos séculos XVI a XVIII, o desenvolvimento do comércio e das manufaturas, a exploração das colônias e as transformações no campo, favoreceram o crescimento dos grupos sociais burgueses na Europa.

Grandes mudanças econômicas e políticas costumam vir acompanhados de transformações no modo de pensar dos homens, principalmente os intelectuais. 

No século XVIII, conhecido como Século das Luzes (da razão), um grupo de pensadores começou a se mobilizar contra a injustiça, a intolerância religiosa e a concentração de privilégios nas mãos dos ricos e poderosos. Eram os filósofos iluministas. 

Esses pensadores iluministas, apoiados pela burguesia, foram os precursores de um movimento intelectual, político, econômico e social europeu que ficou conhecido como Iluminismo. 

Os pensadores iluministas defendiam a não interferência do Estado na economia, a igualdade jurídica entre os homens, a liberdade religiosa, de expressão, de escolher seus próprios governantes, entre outros direitos. O objetivo desses filósofos era a busca da felicidade e a razão como grande instrumento de reflexão, capazes de melhorar e empreender instituições mais justas e funcionais. 

Eles eram contra o absolutismo monárquico, porque protegia a nobreza e mantinha seus privilégios, o mercantilismo, porque a intervenção do Estado na vida econômica era considerada prejudicial ao individualismo burguês, à livre iniciativa e ao desenvolvimento espontâneo do capitalismo e o poder da igreja que se chocava com a autonomia intelectual defendida pelo individualismo e pelo racionalismo burguês. Assim, à burguesia não interessava apenas a religião. Ela desejava o avanço da ciência e das técnicas, que favoreciam os transportes, as comunicações, a medicina, etc. 




Essas ideias iluministas influenciaram alguns governantes, que logo passaram a praticar essas teorias, mas com um tom soberano, ou seja, procuravam governar com a razão e com os interesses do povo, mas com um toque de absolutismo real. 

Essa união de princípios filosóficos e poder real deu origem ao Despotismo esclarecido. Seus principais adeptos foram: 

  • Frederico II, da Prússia - discípulo de Voltaire- deu liberdade religiosa, investiu na educação para o ensino básico e na liberdade de expressão. Estimulou a economia, com medidas protecionistas, isto quer dizer, a Prússia permaneceu um estado feudal, com servos sujeitos aos seus senhores. 
  • Catarina II, na Rússia, teve contato com os iluministas franceses, entre eles, Voltaire. Também deu liberdade religiosa ao povo e fez mudanças de hábitos na alta sociedade. Claro que os servos tiveram prejuízos, pois o poder dos senhores aumentou, com direito até mesmo sobre a vida dos servos. 
  • José II, na Áustria, aboliu a servidão no país, concedeu igualdade entre todos, até em sua administração imperial deu liberdade de culto a todos. 
  • O Marquês de Pombal, em Portugal, fez importantes reformas baseadas no iluminismo. Houve mais desenvolvimento no país. A agricultura foi estimulada. A nobreza foi perseguida para fortalecer o poder real e os jesuítas foram “incentivados” para não dizer, expulsos de Portugal. 
  • O Ministro Anistro Aranda, na Espanha, fez diversas reformas no comércio, na indústria e na sua administração. Onde criou os intendentes, que fortaleceram o poder real de Carlos III.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Império de Alexandre Magno e o Helenismo

















Alexandre assumiu o reino da Macedônia aos 20 anos, após o assassinato do pai (336 a. C.) e alegando vingança pelas invasões persas anteriores, se dispôs a iniciar a expansão territorial do reino.
Apoiado em um poderoso e organizado exército, a famosa Falange Macedônica uma verdadeira máquina de guerra formada por infantes muito bem treinados e disciplinados, com suas enormes zarissas, (lanças de mais de 6 metros), era apta tanto em aguentar as incursões da cavalaria e os choques frontais dos carros de combate do inimigo, como, num repente, fazer sair de dentro das suas linhas, regimentos de infantaria ligeira, com arcos e lanças curtas, capazes de num instante, em ação conjunta com a cavalaria de Alexandre, pôr o inimigo em fuga.
Cruzou o Helesponto (334 a. C.), na batalha de Isso (333 a. C.) derrotou Dario pela primeira vez, depois conquistou a Síria (332 a. C.) e entrou no Egito. No delta do rio Nilo fundou Alexandria (332 a. C.), com o propósito de realizar o sonho de unir a cultura oriental à ocidental, e a cidade logo se projetou como polo cultural (com sua famosa biblioteca de 200 mil volumes) e comercial.
A seguir voltou a Mesopotâmia, onde novamente enfrentou e aniquilou de vez o poder de Dario na batalha de Gaugamela (331 a. C.), determinando a queda definitiva da Pérsia. Com a morte de Dario (330 a. C.), foi proclamado rei da Ásia e sucessor da dinastia persa.
Casou com Roxana (328 a. C.), filha do sátrapa da Bactriana, com quem teve um filho. Partiu então para a longínqua Índia (327 a. C.), país mítico para os gregos, no qual fundou colônias militares e cidades, mas com as tropas cansadas decidiu regressar à Pérsia, viagem em que foi acometido de uma febre desconhecida que se mostrou incurável e o matou aos 33 anos, na Babilônia.
Assim, o Império Macedônio fragmentou-se. O general Ptolomeu, por exemplo, passou a governar o Egito e recusou-se a pagar tributos aos macedônios, tornando-se o fundador de longa dinastia, à qual pertenceu a rainha Cleópatra.
O mundo jamais viu outro governante de existência tão curta, formar um império tão grande, pela Ásia e norte da África, da Índia até o Egito, eliminando o império persa e estabelecendo completo domínio sobre a Grécia, Palestina, Egito, Pérsia e Mesopotâmia e chegando até a Índia, fundando várias cidades e tornando-o o maior império territorial até então conhecido, com o mérito de manter esta unidade imperial sobre um território tão amplo e complexo, respeitando os vencidos e seus costumes e religiosidades.
Suas conquistas trouxeram a influência da civilização grega no Oriente tornando-o fundador do helenismo, o fenômeno cultural, político e religioso que se prolongou até os tempos do império romano.

Helenismo
O helenismo resultou da fusão da cultura grega com a cultura oriental, promovida pela expansão do império Macedônico com Alexandre Magno. Os principais centros da cultura helenística foram Alexandria, no Egito, Antioquia, na Turquia, e Pérgamo, na Ásia Menor.
As principais contribuições para a formação do mundo ocidental ocorreram:
•Artes: caracterizada pelo realismo exagerado e pelo sensacionalismo. Os maiores exemplos disso são o Farol de Alexandria, Grande Altar de Zeus, em Pérgamo, as estátuas de Vênus de Milo e Vitória de Samotrácia;
•Arquitetura: construção de luxuosos palácios e templos e pela origem de um novo estilo de colunas, o estilo coríntio;
•Filosofia: as mais importantes doutrinas filosóficas helenísticas foram o estoicismo e o epicurismo;
•Literatura: o destaque especial cabe ao teatro, com Menandro, autor de várias comédias e a poesia bucólica de autores como Teócrito;
•Ciências: Os grandes nomes deste período foram Euclides (geometria), Arquimedes (descobridor da lei da alavanca e da hidrostática, inventor do parafuso tubular para bombear água, a hélice, as lentes convexas, catapultas, que atiravam pedras enormes sobre os inimigos, um sistema de espelhos, que concentrava os raios solares, para incendiar vários navios inimigos e criou um planetário), Hiparco (fundamentos da trigonometria, inventou o astrolábio e a representação do globo terrestre), Erastótenes (calculou a circunferência da Terra com uma margem de erro extremamente pequena), Aristarco (criador da teoria heliocêntrica).