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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

América Pré Colombiana

Antes da chegada dos europeus ao continente americano, milhões de indivíduos já habitavam a América. Para se ter uma ideia, estima-se que cerca de 88 milhões de ameríndios já viviam no continente. Esses povos eram organizados em tribos, povoados, mas também em sociedades complexas, como no caso dos astecas, incas e maias, os quais possuíam significativa organização social, política e econômica. Tais civilizações, inclusive, apresentavam um desenvolvimento tecnológico bastante elevado para sua época, especialmente nas áreas da astronomia, matemática e arquitetura.


Civilização Maia
O povo maia habitou a região das florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas regiões entre os séculos IV a.C e IX a.C. Entre os séculos IX e X, os toltecas invadiram essas regiões e dominaram a civilização maia.

Nunca chegaram a formar um império unificado, fato que favoreceu a invasão e domínio de outros povos. As cidades formavam o núcleo político e religioso da civilização e eram governadas por um estado teocrático. O império maia era considerado um representante dos deuses na Terra. 

A zona urbana era habitada apenas pelos nobres (família real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e conhecimentos), chefes militares e administradores do império (cobradores de impostos). Os camponeses, que formavam a base da sociedade, artesão e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas menos privilegiadas e tinham que pagar altos impostos. 

A base da economia maia era a agricultura, principalmente de milho, feijão e tubérculos. Suas técnicas de irrigação eram muito avançadas. Praticavam o comércio de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império.
Ergueram pirâmides, templos e palácios, demonstrando um grande avanço na arquitetura. O artesanato também se destacou como fiação de tecidos uso de tintas em tecidos e roupas.

A religião deste povo era politeísta, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. Elaboraram um eficiente e complexo calendário que estabelecia com exatidão os 365 dias do ano.

Assim como os egípcios, usaram uma escrita baseada em símbolos e desenhos (hieróglifos). Registravam acontecimentos, datas, contagem de impostos e colheitas, guerras e outros dados importantes. Desenvolveram muito a matemática, com destaque para a invenção das casas decimais e o valor zero.


Civilização Asteca
Povo guerreiro, os astecas habitaram a região do atual México entre os séculos XIV e XVI. Fundaram no século XIV a importante cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), numa região de pântanos, próxima do lago Texcoco. 

A sociedade era hierarquizada e comandada por um imperador, chefe do exército. A nobreza era também formada por sacerdotes e chefes militares. Os camponeses, artesãos e trabalhadores urbanos compunham grande parte da população. Esta camada mais baixa da sociedade era obrigada a exercer um trabalho compulsório para o imperador, quando este os convocava para trabalhos em obras públicas (canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides). 

Durante o governo do imperador Montezuma II (início do século XVI), o império asteca chegou a ser formado por aproximadamente 500 cidades, que pagavam altos impostos para o imperador. O império começou a ser destruído em 1519 com as invasões espanholas. Os espanhóis dominaram os astecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos, ainda escravizaram os astecas, forçando-os a trabalharem nas minas de ouro e prata da região. 

Os astecas desenvolveram muito as técnicas agrícolas, construindo obras de drenagem e as chinampas (ilhas de cultivo), onde plantavam e colhiam milho, pimenta, tomate, cacau etc. As sementes de cacau, por exemplo, eram usadas como moedas por este povo.

O artesanato a era riquíssimo, destacando-se a confecção de tecidos, objetos de ouro e prata e artigos com pinturas. 

A religião era politeísta, pois cultuavam diversos deuses da natureza (deus Sol, Lua, Trovão, Chuva) e uma deusa representada por uma Serpente Emplumada. A escrita era representada por desenhos e símbolos. O calendário maia foi utilizado com modificações pelos astecas. Desenvolveram diversos conceitos matemáticos e de astronomia.

Na arquitetura, construíram enormes pirâmides utilizadas para cultos religiosos e sacrifícios humanos. Estes eram realizados em datas específicas em homenagem aos deuses. Acreditavam que com os sacrifícios, poderiam deixar os deuses mais calmos e felizes.


Civilização Inca
Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes (América do Sul) nos atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império: a cidade sagrada de Cusco. Foram dominados pelos espanhóis em 1532.

O imperador, conhecido por Sapa Inca era considerado um deus na Terra. A sociedade era hierarquizada e formada por: nobres (governantes, chefes militares, juízes e sacerdotes), camada média (funcionários públicos e trabalhadores especializados) e classe mais baixa (artesãos e os camponeses). Esta última camada pagava altos tributos ao rei em mercadorias ou com trabalhos em obras públicas.

Na arquitetura, desenvolveram várias construções com enormes blocos de pedras encaixadas, como templos, casas e palácios. 

A cidade de Machu Picchu foi descoberta somente em 1911 e revelou toda a eficiente estrutura urbana desta sociedade. A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados terraços (degraus formados nas costas das montanhas). Plantavam e colhiam feijão, milho (alimento sagrado) e batata. Construíram canais de irrigação, desviando o curso dos rios para as aldeias. A arte destacou-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e joias. 

Domesticaram a lhama (animal da família do camelo) e utilizaram como meio de transporte, além de retirar a lã, carne e leite deste animal. Além da lhama, alpacas e vicunhas também eram criadas.

A religião tinha como principal deus o Sol (deus Inti). Porém, cultuavam também animais considerados sagrados como o condor e o jaguar. Acreditavam num criador antepassado chamado Viracocha (criador de tudo).

Criaram um interessante e eficiente sistema de contagem: o quipo. Este era um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo. Com o quipo, registravam e somavam as colheitas, habitantes e impostos. Mesmo com todo desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.


domingo, 12 de novembro de 2017

Estados Unidos no século XIX



Introdução
No início do século XIX, a população dos Estados Unidos era de aproximadamente 5 milhões de habitantes, ocupando a região da costa Atlântica (leste). Nessa época, o governo começou a incentivar a “conquista do oeste” isto é, a expansão territorial em direção ao Oceano Pacífico, com o objetivo de fazer dos Estados Unidos um “grande país”. 

Graças a uma intensa imigração de europeus, em especial da Alemanha, da Irlanda e da Inglaterra, que procuravam melhores condições de vida face as dificuldades financeiras pelas quais passava, a população cresceu em 1810 para mais de 7 milhões de habitantes. 

A necessidade de aumentar a produção agrícola e a área destinada a produção de rebanhos fizeram o governo americano lançar o “Destino Manifesto” que apresentava os norte-americanos com destinados por Deus a ocupar a área entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. 

Em 1820, a expansão norte-americana ganha um conteúdo politizado com a Doutrina Monroe, que inicialmente colocou-se como defensora das recém-independentes nações latino-americanas ao pronunciar "a América para os americanos", mas conforme os interesses territoriais dos Estados Unidos foram ampliando-se em direção ao Oeste e ao Sul, a Doutrina seria mais bem definida pela frase "a América para os norte-americanos". 

A partir da segunda metade do século XIX a pecuária chegou a ocupar um quarto do território americano, em terras que se estendiam do Texas ao Canadá. 

A descoberta de ouro na Califórnia, em 1848, estimulou uma corrida em busca de "riqueza fácil", incentivando o deslocamento populacional. 

Além disso, a construção de ferrovias, iniciada em 1829, barateava o transporte. Em fins do século XIX a quantidade de quilômetros de linhas férreas nos Estados Unidos era maior que a soma de todos os países europeus. Em 1890, a ferrovia ligava a Costa do Atlântico ao Pacífico. 


Mecanismos da Conquista
De acordo com o tratado de Versalhes (1783), os Estados Unidos se estendia da Costa do Atlântico até o Mississipi. Porém, ocorreram algumas mudanças em relação a este fato, pois os norte-americanos conseguiram conquistar terras do Oeste como o território da Louisiana que foi vendida por Napoleão Bonaparte para os norte-americanos por 15 milhões de dólares, a Flórida vendida pelos espanhóis por 5 milhões de dólares, o Alasca vendido pela Rússia por 7 milhões de dólares e o Oregon que foi cedido pelos ingleses aos norte-americanos. 

O México dominava o Sudoeste Americano e para ocupar essas terras os norte-americanos tiveram que iniciar uma guerra. No ano de 1821, o governo mexicano permitiu a colonização dos norte-americanos em seu território em troca eles deveriam seguir a religião católica e jurar lealdade. 

No entanto, começaram a acontecer muitos conflitos internos e ditaduras que dificultaram o estabelecimento de um Estado Nacional, e assim os Estados Unidos teve grandes oportunidades de expansão. Nessas condições, o território do Texas estava destinado a fazer parte dos EUA. Assim teve inicio a Guerra do México, que perdurou de 1845 a 1848, e foi nesse período que definitivamente foi proclamada a independência do Texas em relação ao México, e passou a compor os EUA. 

O fim da guerra foi marcado pela assinatura do Tratado de Guadalupe-Hidalgo, consolidando o Rio Grande como região fronteiriça entre o México e o Texas. As regiões da Califórnia, Arizona, Novo México, Nevada, Utah e uma porção de Colorado foram cedidas aos norte-americanos por 15 milhões de dólares. Após 5 anos, a metade do território mexicanos estava sob o poder dos EUA. 



Consequências
 As maiores vítimas da marcha para o Oeste foram os indígenas. Estes se encontravam em estágios de pouco desenvolvimento se comparados aos astecas, maias e incas, daí sua dificuldade para resistir ao domínio e força dos brancos europeus. 

Os norte-americanos acreditavam que, além de serem os predestinados por Deus a ocuparem todo o território, deveriam cumprir a missão de civilizar outros povos. Nesse sentido, contribuíram decisivamente para o extermínio da cultura e da pessoa física do indígena. 

As tribos do Sul, mais desenvolvidas, proporcionam uma resistência maior à ocupação do branco. No entanto, a única opção das tribos indígenas foi a ocupação de terras inférteis em direção ao Pacífico, até o seu extermínio.
De acordo com o "herói" americano, o general Armstrong Custer, considerado como o "grande matador de índios", "o único índio bom é um índio morto". 

A conquista de um vasto território criou condições para o grande desenvolvimento da economia norte-americana. Em 1912 conclui-se o processo de formação da União, com a incorporação do Arizona como Estado. 

Foi acentuado o crescimento da agricultura, indústria, comércio, mineração e pecuária. A população cresceu para cerca de 30 milhões até 1860. Formaram sociedades diferenciadas dentro do país. 

Ao norte e leste, surgiu uma poderosa burguesia industrial e comercial, juntamente com um operariado fabril. Ao sul, predominavam os grandes aristocratas vinculados ao latifúndio, à monocultura, à exportação e à escravidão. Na região Centro - Oeste nasceu a sociedade a partir dos pioneiros, marcada pela base agrícola e pela pecuária. 

No entanto, aumentou a rivalidade entre os interesses díspares de nortistas e sulistas, o que culminou mais tarde em uma guerra civil


A Guerra Civil 1861 – 1865

A primeira metade do século XIX marca a primeira fase do processo de industrialização norte-americana que ocorreu mais fortemente na região norte, sobretudo na Nova Inglaterra, sobre uma base vinda do Período Colonial.

No início deste século, o norte, ou mais precisamente, o nordeste era o polo econômico vital da economia. Esse desenvolvimento foi favorecido por ocasião das Guerras Napoleônicas e pela Segunda Guerra de Independência (1812 – 1814), já que as importações diminuíram e o mercado interno passou a consumir as manufaturas locais. 

Essa incipiente indústria, por volta de 1810, beneficiou-se também de grande disponibilidade de ferro, carvão e energia hidráulica da região norte. 

O mesmo processo não atingiu a região sudeste, que permanecia com uma economia marcadamente colonial, cuja produção ainda se fazia no interior da grande propriedade monocultora, voltada para o mercado externo e baseada na exploração do trabalho escravo. 

Enquanto no norte-nordeste formava-se uma sociedade tipicamente industrial, dominada por uma forte burguesia, no sul-sudeste, a sociedade permanecia como que inalterada desde o período colonial.
Nos Estados Unidos, na realidade, abrigavam-se duas nações distintas, o Norte-Nordeste e o Sul-Sudeste. Do antagonismo entre os interesses dessas duas regiões, eclodiu uma guerra civil, a Guerra de Secessão.


Causas
A grande causa do surgimento da Guerra de Secessão foi o protecionismo alfandegário. O Norte que passava por um processo industrial, reivindicava o aumento das tarifas de importação para garantir o seu desenvolvimento, pois encontrava dificuldades na disputa com os preços de produtos ingleses. 

Já o Sul exportava para o Norte quase toda sua produção de algodão, dependendo economicamente dessa região, e importava manufaturados ingleses, defendendo a liberdade de comércio e não apoiando as propostas protecionistas dos industriais do Norte, para garantir que os industriais ingleses comprassem a sua produção. 


Política
Com a independência dos EUA ficou a cargo de grandes proprietários rurais do Sul e da burguesia nortista o controle da vida política do país, por meio do Partido Democrata. 
O ano de 1854 ficou marcado pelo surgimento do Partido Republicano no Norte. O conteúdo do programa desse partido propunha a luta pelo abolicionismo e a conservação da União, agradando muitos políticos democratas. 

Durante as eleições presidenciais de 1860, o Partido Democrata se deparou com a dúvida entre dois candidatos: John Breckinridge e Stephen Douglas. O Partido da União Constitucional apostava no candidato John Bell. Já Partido Republicano estava totalmente decidido pela candidatura de Abraham Lincoln, que foi o grande vitorioso, e isso provocou a Guerra de Secessão. 


A Eclosão da Guerra
Logo após a eleição de Lincoln, e não esperando a posse do presidente, a Carolina do Sul resolveu separar-se da União, arrastando consigo mais seis Estados. Formaram os Estados Confederados da América, sob a presidência de Jefferson Davis em 8 de fevereiro de 1861, com capital em Richmond, Virgínia.
As hostilidades começaram com o ataque da artilharia confederada, no dia 12 de abril de 1861, ao Forte Sumter, uma guarnição federal. Inicialmente as vitórias pertenceram aos sulistas. Mas, a correlação de forças foi tornando-se extremamente desigual à medida que se desenrolavam as batalhas. 

O Norte contava com o apoio de 25 Estados, uma população de cerca de 22 milhões de habitantes, uma economia industrial diversificada e uma marinha de guerra. O Sul obteve o apoio de 11 Estados, uma população de 9 milhões de habitantes, dos quais 4 milhões eram escravos, uma economia de base agrária o que o fez dependente de recursos exteriores para o desenvolvimento da guerra. 

Durante os confrontos, Lincoln, para fortalecer os Estados Nortistas, extinguiu a escravidão e promulgou o Homestead Act, (1862), garantindo o apoio dos granjeiros e pioneiros interessados nas terras a Oeste. Ex-escravos, colonos e operários se incorporaram ao Exército da União, o que começou a reverter a guerra em favor do Norte, que passou a impedir a chegada de produtos europeus ao Sul, através de um bloqueio naval.
Em 9 de abril de 1865, em Appomattox na Virgínia, o general Robert Lee, comandante das tropas sulistas, assina os termos de rendição. Gradualmente outros generais confederados o acompanharam até que, as últimas tropas sulistas se rendem em 28 de junho de 1865. Terminava a Guerra da Secessão. 


Consequências da guerra
A vitória do Norte sobre o Sul decidiu definitivamente a questão da unidade nacional pelo fortalecimento da União. A sociedade urbana e industrial do norte prevaleceu sobre a federação arrasando a sociedade agrária e aristocrática do sul. A grande propriedade cedeu lugar às pequenas e médias. 

O escravismo foi suprimido, mas não encaminhou para uma solução da "questão negra"; apesar do direito de voto concedido, os negros continuaram marginalizados. Intensificaram-se as atitudes racistas com o surgimento de sociedades como a Ku-Klux-Klan, nascida em 1867. 

Os mortos somaram 970 mil, dos quais 618 mil soldados. Os prejuízos chegaram a 80 bilhões de dólares. Em 14 de abril de 1865, Lincoln foi assassinado por John Wilkes Booth, um fanático do Sul. Os Estados Unidos começavam a despontar como potência dentro da América.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Expansão Europeia dos séculos XV e XVI



O comércio com o oriente
As cruzadas, que recolocaram o Ocidente em contato com o Oriente, criaram o gosto pelo consumo de exóticos produtos orientais. Os artigos mais consumidos eram joias, perfumes, veludos pintados, tecidos de seda e especiarias, como a noz moscada, canela, o cravo e a procuradíssima pimenta, que chegou a ser usada como moeda. A expansão do mercado europeu para esse tipo de mercadoria pôde ser rapidamente aproveitada pelos mercadores das cidades italianas, principalmente Gênova e Veneza. 

Os comerciantes de Gênova e Veneza recebiam os produtos orientais (das Índias) nos portos de Trípoli, Alexandria e principalmente em Constantinopla. 

Os mercadores de outros países queriam quebrar o monopólio de Gênova e Veneza e participar desse comércio tão lucrativo. Esse foi o principal fator que impulsionou as viagens marítimas. Mas havia muitos outros motivos que impulsionaram a expansão marítima no século XV como: 
•Conquista de Constantinopla: os turcos conquistaram Constantinopla em 1453, bloqueando o comércio de especiarias pelo Mar Mediterrâneo; 

•Necessidade de Novos Mercados: os europeus precisavam seu artesanato e manufaturas e precisavam de gêneros alimentícios e de matérias primas; 

•Falta de Metais Preciosos: era preciso descobrir novas jazidas de ouro e prata para cunhagem de moedas porque na Europa não havia mais esses metais preciosos; 

•Interesse dos Estados Nacionais: a aliança da burguesia com os reis ajudou em muito nesse processo; 

•Propagação da Fé Cristã: a difusão da fé religiosa justificava conquistar e converter povos da América, África e da Ásia; 

•Ambição Material: todos que se envolviam nas longas viagens marítimas queriam demais enriquecer com as descobertas que estavam por vir; 

•Progresso Tecnológico: a expansão marítima só foi possível graças ao desenvolvimento e o uso da bússola, do astrolábio, do quadrante, da caravela e do aperfeiçoamento dos mapas geográficos aliada à noção de que a Terra era redonda.


Pioneirismo Português
O pioneiro das grandes navegações marítimas foi Portugal, em 1419 com a chegada à ilha da Madeira. O país foi o primeiro a se unificar no continente e ter uma política mercantilista com a união da burguesia com a realeza. Além disso, os lusitanos já participavam do comércio do mediterrâneo como parceiros das cidades italianas e através da Escola de Sagres, grande complexo náutico, dominou novas técnica de navegação que possibilitaram percorrer grandes distâncias marítimas. Completam esses fatores a ausência de guerras internas e a privilegiada posição geográfica, sendo o país europeu mais próximo do grande Mar Tenebroso (Oceano Atlântico). 

Os portugueses descobriram o caminho pelo sul da África quando Bartolomeu Dias cruzou o Cabo da Boa Esperança em 1488. Em 1498, Vasco da Gama foi o primeiro europeu a chegar à Índia, voltando carregado de especiarias, dando um lucro enorme ao rei de Portugal. Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil. 

Logo após a conquista da cidade de Granada em 1492, foi a vez dos espanhóis. Com a expulsão dos mouros. Os monarcas Fernando, de Aragão e principalmente Isabel, de Castela lançaram-se nas navegações patrocinando a viagem de Cristovão Colombo que queria provar que o mundo era redondo, atingindo às Índias viajando para oeste. 

Colombo, porém, acabou por descobrir um novo continente que acabaria se chamando América. Após a chegada dele no novo continente, os reis da Espanha apressaram-se para garantir seus direitos de posse sobre a nova terra. Para isso, pediram a intervenção do papa Alexandre VI também espanhol, uma autoridade respeitada entre os reinos cristãos. 

Após muitas discussões com os portugueses, foi assinado um acordo, o Tratado de Tordesilhas que traçava uma linha imaginária a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde, cortando o mundo em duas partes. As terras a leste dessa linha pertenceriam a Portugal e as terras a oeste pertenceriam a Espanha. 

Os espanhóis empreenderiam ainda outras viagens. Vicente Pinzón chegou até a foz do rio Amazonas no início de 1500. Vasco Nunes de Balboa atinge o Oceano Pacífico, por terra em 1513. Em 1519 Fernão de Magalhães inicia a primeira viagem de circunavegação da Terra completada por Sebastião El Cano em 1521. 

Interessados também em descobrir novos caminhos para a Índia, franceses, ingleses e holandeses, lançaram-se às navegações marítimas concentrando-se no Atlântico Norte tentando encontrar uma passagem noroeste para a Ásia. 

Embora essa passagem não tenha sido encontrada, os navegadores passaram a explorar e a ocupar parte da América do Norte além de praticar a pirataria contra navios inimigos, principalmente espanhóis, onde conseguiram muitas riquezas e desestabilizar esses governos. 

Na Inglaterra, a pirataria foi oficializada. Os corsários, como foram chamados esses piratas, agiam em nome da monarquia e dividiam os lucros dos saques com o governo. O principal pirata inglês foi Francis Drake.

Diversos fatores contribuíram para o retardamento da participação Inglesa francesa e holandesa na expansão mercantil, dentre eles a Instabilidade política e econômica, a inexistência de uma monarquia centralizada, aliada aos interesses das burguesias nacionais e às resistências feudais.
Infográfico Piratas do Caribe - Clique Aqui




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Populismo e Período Democrático

O Populismo é um dos fenômenos mais marcantes da América Latina durante o século XX. Os governos populistas de Lázaro Cárdenas no México, Juan Perón na Argentina e Getúlio Vargas no Brasil têm características em comum como o incentivo a industrialização, a substituição das importações, o nacionalismo exagerado pregando a união das classes trabalhadoras com a burguesia, o controle dos sindicatos pelo governo, o anti-imperialismo, o controle das massas populares trabalhadoras e a nacionalização do petróleo, minérios, estradas e etc.


O Brasil após a queda de Vargas em 1945 experimenta novamente a democracia com a promulgação de uma nova constituição em 1946 onde os partidos políticos ressurgiram como o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PSD (Partido Social Democrático), A UDN (União Democrática Nacional), o PCB (Partido Comunista Brasileiro) entre outros. Junto deles, vieram as eleições presidenciais com mandatos presidenciais de cinco anos, sem reeleição e eleição para vice-presidentes também.

Os presidentes brasileiros do período democrático (1946 – 1964) foram:

•General Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951): Eleito pela coligação PTB-PSD, seu governo é marcado pelo anticomunismo proibindo o PCB e os mandatos de parlamentares do partido. Na economia, elaborou o plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), mas, sem dinheiro e competência administrativa o governo realizou muito pouco desse plano. O nacionalismo econômico da Era Vargas foi abandonado com a abertura econômica a empresas estrangeiras, importações de supérfluos. Não se preocupou em incentivar o desenvolvimento industrial nacional gerando graves consequências como a diminuição das reservas de dinheiro do país em 80%;


•Getúlio Dorneles Vargas (1951 – 1954): Com 68 anos de idade Getúlio Dorneles Vargas, candidato pela coligação PTB-PSD, venceu de modo espetacular com mais de 48% dos votos. Com ele, retornaram duas características de seu governo anterior, o nacionalismo econômico e a política de amparo aos trabalhadores assalariados das cidades. Dizia que era preciso atacar a exploração internacional no país, para conseguir sua independência econômica. Propôs a Lei dos Lucros Extraordinários que limitava a remessa de lucros das empresas estrangeira ao exterior. Defendia o slogan “O petróleo é nosso”. Fundou a PETROBRÁS. Desenvolveu uma política de aproximação com os trabalhadores urbanos com o objetivo de construir uma verdadeira democracia social e econômica. Autorizou um aumento de 100% do salário mínimo. Foi acusado por um atentado fracassado contra seu opositor o jornalista Carlos Lacerda, que vitimou, porém o major Rubens Vaz da FAB. Suicidou-se com um tiro no coração em 24 de agosto de 1954;


•João Café Filho (1954 – 1955): Governou pouco mais de um ano de 24 de agosto de 1954 a 8 de novembro de 1955 quando se afastou por problemas de saúde;


•Carlos Coimbra da Luz (1955): Teve um mandato curto de apenas três dias sendo deposto por um dispositivo militar e considerado impedido de exercer o cargo de Presidente da República pelo Congresso Nacional em 11 de novembro de 1955;


•Nereu de Oliveira Ramos (1955 – 1956): Era presidente do Senado e governou pouco mais de dois meses a partir do golpe dado pelo general Henrique Teixeira Lott. Passou o cargo ao presidente eleito;

Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956 – 1961): Vencedor das eleições junto com o vice-presidente João Goulart, ambos da coligação PTB-PSD. Durante seu governo houve um grande avanço industrial com a implantação da indústria automobilística, construção de rodovias, usinas hidrelétricas e a sua força motriz estava concentrada nas indústrias de base e na fabricação de bens de consumo duráveis e não duráveis. Seu governo foi marcado por um grande número de obras realizadas à custa de empréstimos e investimentos estrangeiros, ou seja, o governo internacionalizou a economia e aumentou a dívida externa. Seu lema era crescer 50 anos em 5 e seu Plano de Metas priorizava cinco setores fundamentais: energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. Instalou indústrias automobilísticas e ampliou a produção de petróleo. Fundou a cidade de Brasília, nova capital federal. Cidade moderna e arrojada, Brasília nasceu da criatividade do arquiteto Oscar Niemeyer e do talento do urbanista Lúcio Costa;

Clique aqui e veja o mapa de Brasília e do Distrito Federal

Jânio da Silva Quadros (1961): Foi eleito com o apoio da UDN com recorde de votos até então, mas teve como vice, o candidato da oposição da coligação PTB-PSD João Goulart. Tinha um estilo político exibicionista e demagógico. Conquistou eleitores prometendo combater a corrupção e varrer toda a sujeira da administração pública. Seu símbolo de campanha era uma vassoura. Em pouco mais de seis meses de governo Jânio tomou atitudes que surpreenderam os grupos poderosos que o apoiaram na eleição. Em plena Guerra Fria, resolveu tomar ações de natureza autonomista que desagradaram os conservadores e chamaram a atenção do bloco capitalista. Internamente, tomou medidas econômicas de pouco impacto e se preocupou em decretar leis que mais promoviam sua imagem como a proibição do uso de biquines na praia e rinhas de galo. Em pouco tempo de governo acabou chamando a atenção por tais ações questionáveis. O auge de seu jeito controverso ocorreu quando o presidente condecorou o líder revolucionário cubano Ernesto Che Guevara em 19 de agosto com a principal comenda brasileira a Ordem do Cruzeiro do Sul. Nesse mesmo tempo, enviou o vice-presidente João Goulart à China Comunista para reforçar laços de cooperação política e econômica. Renunciou uma semana depois;

•João Belchior Marques Goulart (1961 – 1964): A UDN e os demais grupos políticos de oposição adoraram a renúncia. Sem perder tempo, o Congresso Nacional aceitou o pedido de Jânio Quadros. O poder então deveria ser entregue ao vice-presidente Jango, como João Goulart era carinhosamente chamado, mas, ele estava em visita oficial à China. Aproveitando dessa situação, ministros militares e políticos da UDN quiseram impedir a posse de Jango acusando-o de ser um perigoso comunista e prendê-lo no aeroporto assim que desembarcasse. Mas havia um grande número de pessoas, sindicalistas, trabalhadores, profissionais liberais, pequenos empresários e setores militares que apoiavam Jango. Para que não houvesse uma guerra civil no país foi negociado um acordo. O vice-presidente tomaria posse e aceitaria o sistema parlamentarista de governo. Assim foi feito no dia 7 de setembro de 1961. Haveria ainda, segundo o acordo, um plebiscito para a escolha definitiva do sistema de governo. Em 6 de janeiro de 1963, com esmagadora maioria de 82%, os brasileiros votaram e rejeitaram o parlamentarismo, entregando o poder de fato ao presidente João Goulart. Em pouco mais de um ano de governo Jango quis realizar um governo nacionalista e reformista, mas as dificuldades econômicas eram muitas como alta da inflação e do custo de vida. Mesmo assim ele apresentou a nação o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social que pretendia realizar Reformas de Base (reforma agrária, administrativa, urbana, bancária, eleitoral e educacional). Acirraram-se as disputas entre as elites e o operariado. Sem o apoio dos poderosos, Jango voltou-se para os trabalhadores e os partidos de esquerda tentando alinhar-se com eles.  Não proibiu as greves e regulamentou a Lei de Remessa de Lucros para o exterior e no comício do anúncio das reformas em 13 de março de 1964 anunciou a criação de uma nova Constituinte. Essas medidas incomodaram ainda mais as elites, a igreja, políticos da UDN e os militares que articularam um golpe militar para depor o presidente, fato que ocorreu no dia 31 de março de 1964. Era o fim do populismo e da democracia no Brasil e o início de uma terrível era, a ditadura militar no Brasil.

domingo, 8 de outubro de 2017

Renascimento Comercial e Urbano e Formação da Monarquias Nacionais


























Renascimento Comercial e Urbano

O auge do feudalismo aconteceu durante a Alta Idade Média. A partir do século XI, tudo mudou. O comércio ganhou novo impulso e as cidades cresceram. Do século XI ao XIII, a Europa Ocidental viveu um período de relativa paz. Entre os fatores que contribuíram para isso, destacam-se:
•O desenvolvimento agrícola: com a ocupação de novas áreas, surgimento de novas culturas e o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas que aumentaram a produtividade;

•O crescimento populacional: devido a uma época de relativa paz, já que os ataques de um reino a outro haviam diminuído bastante. Essa queda no número de conflitos foi responsável por um considerável aumento populacional. Em 300 anos a população da Europa cresceu de 8 milhões para 26 milhões de habitantes. Isso gerou um excedente populacional, que começou a necessitar de mais espaço e a expandir-se para fora dos feudos;

•Surgimento de uma nova classe social: comerciantes, negociantes e artesãos que viviam constantemente de um lugar a outro, fixaram residências em volta dos feudos onde surgiram vilas cercadas por muralhas chamadas de burgos. Os habitantes dos burgos passaram a ser conhecidos como burgueses e ao longo dos séculos, essa denominação passou a denominar os comerciantes e os homens ricos (burguesia);

•Renascimento das cidades: com o aumento demográfico na Europa, a população dos burgos foi crescendo também. Isso se dava porque muitos servos acabavam por fugir dos feudos para escapar das imposições da relação servil. Ou ainda, porque aqueles servos que mais causavam problemas aos seus senhores eram expulsos de suas terras, indo engrossar a população das vilas. Assim, essas pequenas localidades começaram a crescer e se tornar importantes concentrações de trabalhadores livres e comerciantes, onde passaram a ser organizadas feiras permanentes, como as feiras de Champagne (França), Flandres (Bélgica), Gênova e Veneza (Itália) e Colônia e Frankfurt (Alemanha);

•As Corporações de Ofício: o aumento da liberdade política e econômica foi propiciando o aprimoramento do trabalho urbano. Os artesãos, que faziam os produtos consumidos pelos europeus, passaram a ser organizar em entidades para além de suas cidades. Para isso, formaram as guildas e as corporações de ofício. As corporações tinham como objetivo defender os interesses dos artesãos, regulamentar o exercício da profissão e controlar o fornecimento do produto. Elas também dirigiam o ensino artesanal, que se dividia em três estágios: aprendiz, oficial e mestre;

•Cruzadas: com a justificativa de expulsar os muçulmanos da Terra Santa onde havia perseguição aos cristãos que visitavam o lugar onde Jesus Cristo viveu, a Igreja Católica convocou os cristãos europeus a formar expedições militares para combater os “infiéis”. Entre os séculos XI e XIII, graças ao apoio de nobres, desejosos de formar reinos aumentando seus lucros e uma grande massa de desocupados urbanos que se formavam, foram realizadas 8 cruzadas quase todas elas se constituindo em um enorme fracasso e perda de milhares de vidas. No entanto essas expedições que atravessaram o continente europeu cruzaram os mares e chagaram a outros continentes, possibilitando também a abertura de novas rotas comerciais e contato com outros povos e culturas.

O término das Cruzadas contra os muçulmanos coincidiu com o início de uma série de crises, que indicavam o esgotamento do feudalismo. Essas crises dos séculos da depressão (XIV e XV) foram a crise econômica com a queda da produção agrícola gerando fome, a peste negra que matou um terço da população europeia, a crise religiosa dentro da igreja Católica que chegou a ter dois papas e a crise política com conflitos internos entre os senhores feudais, causando grande insegurança que prejudicava as atividades comerciais e também guerras entre nações como a guerra dos cem anos entre a Inglaterra e a França.


Formação das Monarquias Nacionais

As crises do fim da era Medieval (econômica, política e religiosa) provocaram a dissolução do sistema feudal. A terra deixou de ser a única fonte de riqueza. 

O comércio se expandia a burguesia, que era a classe social ligada ao comércio, tornou-se cada vez mais rica e poderosa, com isso ela precisava de uma nova organização política que fosse capaz de acabar com as intermináveis guerras da nobreza feudal, que diminuísse a quantidade de impostos sobre as mercadorias cobrados pelos senhores feudais e que reduzisse o grande número de moedas que atrapalhavam seus negócios.
Por isso, a burguesia passou a contribuir para o fortalecimento da autoridade dos reis, contribuindo financeiramente na construção de monarquias nacionais capazes de formar governos estáveis e ordeiros.

O elemento cultural que mais influenciou o sentimento nacionalista foi o idioma. Falado pelo mesmo povo, o idioma servia para identificar as origens, tradições e costumes comuns de uma nação.

Cada estado foi definido suas fronteiras políticas, estabelecendo os limites territoriais de cada governo nacional, surgindo a noção de soberania, pela qual o soberano (governante) tinha o direito de fazer valer as decisões do Estado perante os súditos.

Para garantir as decisões do governo soberano, foi preciso a formação de exércitos permanentes, controlados pelos reis (soberano).

Com a formação moderna, diversos reis passaram a exercer autoridade nos mais variados setores: organizavam os exércitos, que ficava sobre o seu comando, distribuíam a justiça entre seus súditos, decretavam leis e arrecadavam tributos. Toda essa concentração de poder passou a ser denominado Absolutismo Monárquico.

Os principais Estados Absolutistas europeus foram:
•Portugal: surgiu como um reino independente em 1139. Seu primeiro rei foi D. Afonso Henrique, da dinastia de Borgonha. Por muito tempo, os portugueses viveram envolvidos na luta pela expulsão dos mouros, que só aconteceu em 1249 com a conquista de Algarves (sul de Portugal);

•Inglaterra: o absolutismo inglês teve início após a Guerra das Duas Rosas entre as famílias York e Lancaster onde o Lancaster Henrique Tudor com o apoio da burguesia venceu e tomou o poder. Fundador da dinastia Tudor, Henrique VII (1485-1509) inaugurou a era dos reis absolutistas ingleses. Seu filho Henrique VIII foi o que exerceu o poder mais absoluto entre todos os monarcas ingleses. Já sua neta Elisabete I, foi a última rainha soberana incontestável;

•Espanha: em 1469 aconteceu o casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão. Unificado, o reino espanhol reuniu forças para completar a expulsão dos mouros e, com a ajuda da burguesia, lançar-se às grandes navegações marítimas. O absolutismo espanhol atingiu seu apogeu com a dinastia Habsburgo e o rei Felipe II;

•França: o processo de centralização política francesa iniciou-se com o rei Felipe II no século XII. Usando os conflitos contra os ingleses pelo controle do norte da França, este monarca conseguiu formar um grande exército sustentado pelos impostos cobrados ao longo do território nacional. Durante o governo do rei Luís IX, o poderio real foi ampliado com a criação de instituições jurídicas subordinadas às leis nacionais e a economia comercial se fortaleceu com a instituição de uma única moeda nacional. No governo de Felipe IV o belo, foi criada a Assembleia dos Estados Gerais para reafirmar o poder político real. Mas a guerra dos Cem Anos com a Inglaterra enfraqueceu o poder real e somente a partir de 1453, o rei Carlos VII concluiu o processo de expulsão dos britânicos do território francês e passou a comandar com amplos poderes. Com o apoio dos grandes burgueses, centralizou o governo nacional, criou novos impostos e financiou a instituição de um exército permanente. A partir de então, a França tornou-se o exemplo máximo do absolutismo real europeu.

sábado, 7 de outubro de 2017

Primeiro Reinado e Período Regencial


Primeiro Reinado 

O Primeiro Reinado é a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro I, que teve a duração de 9 anos. Tem início em 7 de setembro de 1822, com a Independência do Brasil e termina em 7 de abril de 1831, com a abdicação de D. Pedro I. Aclamado primeiro imperador do país a 12 de outubro de 1822, Dom Pedro I enfrenta a resistência de tropas portuguesas. Ao vencê-las, em meados do ano seguinte, consolida sua liderança. 

Seu primeiro ato político importante é a convocação da Assembleia Constituinte, eleita no início de 1823. É também seu primeiro fracasso, devido a uma forte divergência entre os deputados brasileiros e o soberano, que exigia um poder pessoal superior ao do Legislativo e do Judiciário, a Assembleia é dissolvida em novembro. 

A primeira Constituição foi reformada em cima da carta conhecida como a Constituição da Mandioca, pois, para ser eleito a um cargo político, o cidadão tinha que ter uma renda equivalente a 500 ou 1000 alqueires de mandioca de uma propriedade rural. Por  não gostar do texto, o imperador fechou a assembleia constituinte e outorgou uma nova em 25 de março de 1824. Suas principais características foram: 
•Divisão em quatro poderes: Executivo (composto pelo imperador e seus ministros), Legislativo (composto por senadores e deputados), Judiciário (composto de juízes e tribunais) e Moderador (exclusivo do imperador); 
•Eleições: Para votar, o cidadão tinha que ter uma renda equivalente a 100 mil réis. Para ser candidato a deputado federal, deveria ter uma renda de 400 mil réis e a senador, 800 mil réis. 

Contra a decisão autoritária do imperador em dissolver a assembleia, impor a constituição, censurar a imprensa e o poder moderador, rebelam-se algumas províncias do Nordeste (de Alagoas ao Piauí), lideradas por Pernambuco. 

Os revoltosos chegaram a fundar uma república federalista independente, chamada de Confederação do Equador, mas foram duramente combatidos por militares mercenários contratados pelo imperador que os derrotaram. Seus líderes, entre eles Frei Caneca e Manuel Pais de Andrade foram condenados à morte. 

O comportamento autoritário do imperador na conduta do governo faz crescer a oposição e o descontentamento ao seu governo. No decorrer de seu mandato, aconteceram fatos importantes que levaram à sua renúncia ao trono brasileiro em 1831. Os principais motivos que o levaram a renunciar foram: 
•O fechamento da Assembleia Constituinte em 1823; 
•A imposição da Constituição de 1824; 
•A extrema violência usada contra os rebeldes da Confederação do Equador; 
•As mortes e despesas causadas pela guerra da Cisplatina; 
•A falência do Banco do Brasil; 
•A grande preocupação de D. Pedro com a sucessão do trono português após a morte de seu pai D. João VI em Portugal; 
•O assassinato do jornalista Líbero Badaró em São Paulo; 
•A demissão de um ministério de políticos brasileiros; 
•A nomeação de um ministério de políticos portugueses. 

Em março de 1831, após retornar de Minas Gerais, D. Pedro I foi recebido no Rio de Janeiro com atos de protestos de opositores. Alguns mais exaltados chegaram a jogar garrafas no imperador, conflito que ficou conhecido como “A Noite das Garrafadas”. Os comerciantes portugueses, que apoiavam D. Pedro I entraram em conflitos de rua com os opositores. 

D. Pedro fica irado e promete castigos. Mas não consegue sustentação política e é aconselhado por seus ministros a renunciar ao trono brasileiro. Ele abdica em 7 de abril de 1831 e retorna a Portugal. 


Período Regencial 

O período regencial durou 9 anos, de 1831 com a abdicação de D. Pedro I até a chegada ao trono de D. Pedro II em 1840. 

A agitação política que passou o país nos últimos meses de governo de D. Pedro I culminou com sua renúncia em 1831. Segundo a Constituição de 1824, o sucessor deveria ser seu filho Pedro. 

Nascido a 2 de dezembro de 1825, Pedro II contava na época com, 5 anos e 4 meses, não podendo portanto assumir o governo que, por força da lei, seria dirigido por uma regência integrada por três representantes. Durante esta década sucederam-se quatro regências: 
•Regência Trina Provisória: Formada pelos senadores José Carneiro de Campos e Nicolau Campos Vergueiro e ainda o brigadeiro Francisco de Lima e Silva; 
•Regência Trina Permanente: Formada pelos deputados José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz e pelo brigadeiro Francisco de Lima e Silva; 
•Regência Una: Padre Diogo Antônio Feijó; 
•Regência Una: Senador Pedro de Araujo Lima. 

Este período foi marcado pela formação de diferentes correntes políticas interessadas em ocupar o poder impondo as suas vontades sobre as outras para conquistar evolução social. Os principais grupos políticos eram: 
• Restauradores (Caramurus): Lutavam pela volta de D. Pedro I ao poder. Representavam os comerciantes portugueses, militares conservadores e altos funcionários públicos; 
• Liberais Exaltados (Farroupilhas): Lutavam pela autonomia das províncias, pelo sistema federalista, o fim da monarquia e a instalação da república. Representavam os pequenos comerciantes, funcionários e militares modestos e trabalhadores urbanos; 
• Liberais Moderados (Chimangos): Defendiam a monarquia, mas sem absolutismo. Representavam os grandes proprietários rurais de SP, MG e RJ. 

Em meio a tantas posições políticas, a falta de unidade entre os integrantes da política nacional em nada melhorou o quadro político brasileiro. Além disso, a economia brasileira passava por sérias dificuldades devido aos privilégios alfandegários dados aos produtos ingleses e ao pagamento de indenização de 2 milhões de libras a Portugal pelo reconhecimento a nossa independência. Isso fez com que em várias províncias brasileiras estourassem revoltas contra o governo central. 

As principais revoltas provinciais pelo Brasil foram: 
•Cabanagem (Pará) 1835 – 1840: Grande revolta popular onde homens e mulheres pobres, negros, índios e mestiços que trabalhavam na extração de produtos na floresta rebelaram-se contra a situação de miséria em que viviam e contra os responsáveis por sua exploração. Os rebeldes chegaram a conquistar a capital Belém matando várias autoridades e o presidente da província, ocupando assim o poder. Mas a repressão das tropas enviadas pelo governo central chegou e colocou fim a revolta coma morte de mais de 30 mil cabanos. 
•Balaiada (Maranhão) 1838 – 1841: Revolta popular de vaqueiros, sertanejos e escravos contra a miséria, a fome, a escravidão e os maus tratos a que estavam submetidos. Os rebeldes conquistaram a cidade de Caxias uma das mais importantes do Maranhão mas, tropas governamentais comandadas pelo coronel Luís Alves de Lima e Silva chegaram para acabar com o movimento que matou mais de 12 mil pessoas do estado. 
•Sabinada (Bahia) 1837 – 1838: Revolta liderada pela classe média e integrantes da elite baiana comandada pelo médico Francisco Sabino. O movimento pretendia fundar uma república Bahiense com assembleia própria, até a maioridade do príncipe herdeiro quando se juntaria novamente com o império. A revolta foi brutalmente reprimida, seus integrantes mais pobres foram enforcados e o mais ricos tiveram outra pena como Sabino que foi expulso para o Mato Grosso. 
•Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos (Rio Grande do Sul) 1835 – 1845: A mais longa de todas as revoltas foi provocada pelos grandes estancieiros gaúchos, devido ao imposto do charque (carne seca) cobrado pelo governo central. Eles lutavam também por mais liberdade administrativa para a província. Sem acordo com o governo, Bento Gonçalves comandou as tropas farroupilha que cercavam Porto Alegre e em 1836 proclamou a República Rio-Grandense. Em 1839 o movimento se expandiu para Santa Catarina onde foi fundada a República Juliana. Seus líderes principais foram Bento Gonçalves, Davi Canabarro e o italiano Giuseppe Garibaldi. A partir de 1842 a sorte dos farroupilhas mudou com a chegada de Luis Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias para liderar o exército brasileiro. Em 1845 ele celebrou um acordo de paz com os revoltosos que conseguiram todos os seus objetivos sem sofrer punição alguma. 

A política centralista dos conservadores durante o governo de Araújo Lima estimula revoltas e rebeliões por todo o país. As dissidências entre liberais e conservadores fazem crescer a instabilidade política. Sentindo-se ameaçadas, as elites agrárias apostam na restauração da monarquia e na efetiva centralização do poder. Pela Constituição, no entanto, o imperador é considerado menor de idade até completar 18 anos. 

Para contornar a lei, os liberais lançam a campanha pró-maioridade de D. Pedro no Senado e articulam a popularização do movimento no Clube da Maioridade, presidido por Antônio Carlos de Andrade. A campanha vai às ruas e obtém o respaldo da opinião pública. A Constituição é atropelada e D. Pedro é declarado maior em 1840, com apenas 14 anos. Este episódio é conhecido como Golpe da Maioridade.