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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

América Pré Colombiana

Antes da chegada dos europeus ao continente americano, milhões de indivíduos já habitavam a América. Para se ter uma ideia, estima-se que cerca de 88 milhões de ameríndios já viviam no continente. Esses povos eram organizados em tribos, povoados, mas também em sociedades complexas, como no caso dos astecas, incas e maias, os quais possuíam significativa organização social, política e econômica. Tais civilizações, inclusive, apresentavam um desenvolvimento tecnológico bastante elevado para sua época, especialmente nas áreas da astronomia, matemática e arquitetura.


Civilização Maia
O povo maia habitou a região das florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas regiões entre os séculos IV a.C e IX a.C. Entre os séculos IX e X, os toltecas invadiram essas regiões e dominaram a civilização maia.

Nunca chegaram a formar um império unificado, fato que favoreceu a invasão e domínio de outros povos. As cidades formavam o núcleo político e religioso da civilização e eram governadas por um estado teocrático. O império maia era considerado um representante dos deuses na Terra. 

A zona urbana era habitada apenas pelos nobres (família real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e conhecimentos), chefes militares e administradores do império (cobradores de impostos). Os camponeses, que formavam a base da sociedade, artesão e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas menos privilegiadas e tinham que pagar altos impostos. 

A base da economia maia era a agricultura, principalmente de milho, feijão e tubérculos. Suas técnicas de irrigação eram muito avançadas. Praticavam o comércio de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império.
Ergueram pirâmides, templos e palácios, demonstrando um grande avanço na arquitetura. O artesanato também se destacou como fiação de tecidos uso de tintas em tecidos e roupas.

A religião deste povo era politeísta, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. Elaboraram um eficiente e complexo calendário que estabelecia com exatidão os 365 dias do ano.

Assim como os egípcios, usaram uma escrita baseada em símbolos e desenhos (hieróglifos). Registravam acontecimentos, datas, contagem de impostos e colheitas, guerras e outros dados importantes. Desenvolveram muito a matemática, com destaque para a invenção das casas decimais e o valor zero.


Civilização Asteca
Povo guerreiro, os astecas habitaram a região do atual México entre os séculos XIV e XVI. Fundaram no século XIV a importante cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), numa região de pântanos, próxima do lago Texcoco. 

A sociedade era hierarquizada e comandada por um imperador, chefe do exército. A nobreza era também formada por sacerdotes e chefes militares. Os camponeses, artesãos e trabalhadores urbanos compunham grande parte da população. Esta camada mais baixa da sociedade era obrigada a exercer um trabalho compulsório para o imperador, quando este os convocava para trabalhos em obras públicas (canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides). 

Durante o governo do imperador Montezuma II (início do século XVI), o império asteca chegou a ser formado por aproximadamente 500 cidades, que pagavam altos impostos para o imperador. O império começou a ser destruído em 1519 com as invasões espanholas. Os espanhóis dominaram os astecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos, ainda escravizaram os astecas, forçando-os a trabalharem nas minas de ouro e prata da região. 

Os astecas desenvolveram muito as técnicas agrícolas, construindo obras de drenagem e as chinampas (ilhas de cultivo), onde plantavam e colhiam milho, pimenta, tomate, cacau etc. As sementes de cacau, por exemplo, eram usadas como moedas por este povo.

O artesanato a era riquíssimo, destacando-se a confecção de tecidos, objetos de ouro e prata e artigos com pinturas. 

A religião era politeísta, pois cultuavam diversos deuses da natureza (deus Sol, Lua, Trovão, Chuva) e uma deusa representada por uma Serpente Emplumada. A escrita era representada por desenhos e símbolos. O calendário maia foi utilizado com modificações pelos astecas. Desenvolveram diversos conceitos matemáticos e de astronomia.

Na arquitetura, construíram enormes pirâmides utilizadas para cultos religiosos e sacrifícios humanos. Estes eram realizados em datas específicas em homenagem aos deuses. Acreditavam que com os sacrifícios, poderiam deixar os deuses mais calmos e felizes.


Civilização Inca
Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes (América do Sul) nos atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império: a cidade sagrada de Cusco. Foram dominados pelos espanhóis em 1532.

O imperador, conhecido por Sapa Inca era considerado um deus na Terra. A sociedade era hierarquizada e formada por: nobres (governantes, chefes militares, juízes e sacerdotes), camada média (funcionários públicos e trabalhadores especializados) e classe mais baixa (artesãos e os camponeses). Esta última camada pagava altos tributos ao rei em mercadorias ou com trabalhos em obras públicas.

Na arquitetura, desenvolveram várias construções com enormes blocos de pedras encaixadas, como templos, casas e palácios. 

A cidade de Machu Picchu foi descoberta somente em 1911 e revelou toda a eficiente estrutura urbana desta sociedade. A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados terraços (degraus formados nas costas das montanhas). Plantavam e colhiam feijão, milho (alimento sagrado) e batata. Construíram canais de irrigação, desviando o curso dos rios para as aldeias. A arte destacou-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e joias. 

Domesticaram a lhama (animal da família do camelo) e utilizaram como meio de transporte, além de retirar a lã, carne e leite deste animal. Além da lhama, alpacas e vicunhas também eram criadas.

A religião tinha como principal deus o Sol (deus Inti). Porém, cultuavam também animais considerados sagrados como o condor e o jaguar. Acreditavam num criador antepassado chamado Viracocha (criador de tudo).

Criaram um interessante e eficiente sistema de contagem: o quipo. Este era um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo. Com o quipo, registravam e somavam as colheitas, habitantes e impostos. Mesmo com todo desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Ditadura Militar

Ditadura Militar na América Latina

Nas décadas de 1960 e 1970, no auge da Guerra Fria, a desigualdade social e a exclusão econômica ainda eram questões que permaneciam pendentes nas várias nações latino-americanas. Inspirados pelo sucesso da revolução cubana, de Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara, surgiram diversos movimentos revolucionários de inspiração comunista em vários países, com intuito de tomar o poder e estabelecer governos populares nos moldes do regime Cubano.
As elites dos países, preocupadas com a perda do poder, do controle social e da economia, passaram a apoiar movimentos contrarrevolucionários liderados por forças militares apoiadas sempre pelos EUA, que tomava a dianteira do bloco capitalista e preocupava-se com a deflagração de novas agitações políticas que viessem a abalar sua hegemonia política, econômica e ideológica historicamente reforçada nos combalidos Estados latino-americanos.
Diversos golpes militares surgiram em vários países dando início a um processo que ficou conhecido como Ditadura Militar. Em todos eles, a perseguição política, a tortura e a censura às liberdades individuais foram integralmente incorporadas a esses governos autoritários que se estabeleceram pelo uso da força. Dessa forma, os clamores por justiça social que ganhavam espaço no continente foram brutalmente abafados nessa nova conjuntura.
As principais Ditaduras Militares latino americanas foram:
•Paraguai: Alfredo Stroessner (1954-1989);
Uruguai: (1973 – 1984);
Argentina: Jorge Rafael Videla (1976 – 1983);
•Chile: Augusto Pinochet (1973 – 1989);
•Brasil: (1964 – 1985).

Ditadura Militar no Brasil

A Ditadura Militar no Brasil durou 21 anos, de 1964 a 1985. Nesse período, houve um rodízio de ditadores no poder. A ditadura rompeu o diálogo com a sociedade. Silenciou o debate nacional que buscava solução para nosso atraso e passou a ditar novas regras para o país. Para evitar protestos da sociedade, cassou o direito de voto do cidadão e calou as oposições através da censura ou pela repressão policial. Muitos brasileiros foram mortos e torturados pela polícia política nesse período.
Em novembro de 1965, a ditadura cassou os partidos políticos e implantou o bipartidarismo com a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) que apoiava o governo, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que fazia oposição a ele.
Assim que o novo governo se estabilizou, os militares começaram a emitir os chamados AIs (Atos Institucionais), que eram normas superiores baixadas pelo governo que eram superiores à própria Constituição Federal. Os 17 atos diminuíram as liberdades da população, levando o país à ditadura. A violência e a diminuição dos direitos dos cidadãos aumentaram com a implantação do AI-5 no governo do presidente Costa e Silva, em dezembro de 1968.
O AI 5 dava ao presidente da república poderes totais para perseguir e reprimir as oposições. Podia decretar estado de sítio, intervir nos estados e municípios, cassar mandatos e suspender direitos políticos, demitir funcionários, confiscar bens, etc. Tudo isso sem se preocupar com o poder judiciário.
Na maior parte do tempo, o Congresso permaneceu aberto, mas o novo regime tirou sua autonomia. Quando algum parlamentar denunciava o governo, ele era cassado. Em 1966, no entanto, a ditadura fechou o Congresso. O presidente Castelo Branco só o reabriu depois que alguns parlamentares oposicionistas foram presos ou cassados. A reabertura do Parlamento chegou com uma nova Constituição, aprovada em janeiro de 1967 sem uma Assembleia Constituinte.
Desde o início da ditadura, houve muitos protestos contra ela. Graças à sua forte atuação, os estudantes e trabalhadores foram os principais alvos do regime. Em outubro de 1964, a UNE e todas as entidades estudantis foram extintas. No ano seguinte, os universitários da UnB (Universidade de Brasília) foram considerados subversivos pela ditadura, que fechou o local após a invasão da polícia.
Em março de 1968, uma manifestação contra a má qualidade do ensino foi reprimida com a morte de Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro. A reação levou estudantes e setores da Igreja Católica e da sociedade civil a realizar uma das principais manifestações contra a ditadura, a passeata dos cem mil.
Foi também naquele ano que aconteceu a primeira greve de trabalhadores, em Osasco. Mas foram os operários do ABC Paulista, na Grande São Paulo, que deram mais trabalho. Para tentar conter os protestos, os militares intervieram em sindicatos e afastaram seus líderes. A partir de então, os nomes dos dirigentes sindicais precisavam ser aprovados pelo Ministério do Trabalho.
Um dos protestos mais agressivos aconteceu no dia 4 de setembro de 1969, quando um grupo conhecido como MR-8 sequestrou o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, libertado três dias depois em troca de 15 presos políticos. Os envolvidos no caso foram exilados no México.
Apesar dos protestos, a ditadura gozou de popularidade, especialmente porque a economia do país cresceu muito entre 1963 e 1973, década conhecida como "milagre econômico": foi o auge da ditadura. A partir de 1974 - último ano de mandato do presidente Médici - , esse crescimento começou a diminuir porque a inflação aumentava junto com a dívida externa. Em 1979, o fim do "milagre" já era sentido pela população, que aumentou os protestos. Foi principalmente nesse período que as greves dos metalúrgicos do ABC - comandados pelo então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva - aprofundaram a crise da ditadura.
A solução encontrada pelo então presidente Ernesto Geisel foi abrandar a repressão. A ditadura deu início a uma transição gradual para a democracia. O presidente João Figueiredo acabou com o bipartidarismo, aprovou eleições diretas para governador em 1982 e anistiou militares e opositores.
Apesar das concessões, a população iniciou, em 1984, um movimento - liderado por Ulysses Guimarães - que ficou conhecido como "Diretas Já", que pedia eleições presidenciais diretas no Brasil. Uma emenda constitucional pedindo essas eleições foi rejeitada, mas, no ano seguinte, Tancredo Neves, outro líder do movimento foi eleito indiretamente presidente civil do país, o primeiro desde Goulart.
Tancredo acabou adoecendo e foi internado no dia 14 de março de 1985, um dia antes da posse. Quem assumiu foi o vice, o também civil José Sarney. Apesar das expectativas, Tancredo jamais foi empossado porque morreu no dia 21 de abril daquele ano.
Em maio, o Congresso aprovou uma emenda constitucional que permitia a eleição direta para presidente em dois turnos. Em novembro, o parlamento aprovou outra emenda, a que convocava a Assembleia Nacional Constituinte. A ditadura militar já fazia parte da história do Brasil.
Durante os 21 anos da Ditadura militar houve um grande avanço nos setores de infraestrutura como geração de energia, transportes com a inauguração de várias rodovias e telecomunicações com a expansão da rede de telefones e casa com televisores, mas, entretanto, piorou a concentração de renda de uma minoria de ricos, aumentou o número de pobres e miseráveis, os índices de analfabetismo mantiveram-se estáveis, as cidades cresceram, aumentaram a violência, o desemprego, etc.

Glossário

Estado de sítio: é uma situação de emergência na qual o Presidente da República conta com poderes especiais para suspender algumas garantias individuais asseguradas pela Constituição cuja suspensão se justifica para restabelecer a ordem em situações de crise institucional e nas guerras;
Partidos políticos: os partidos políticos foram extintos e no lugar deles foram criados apenas dois, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) governista e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) de oposição;
Lei de Segurança Nacional: em quadrava como inimigos da pátria, todos aqueles que se opunham à ditadura militar;
Arrocho Salarial: o governo impediu aumentos no salário mínimo;
Grupos Guerrilheiros: grupos armados que realizaram diversos assaltos a bancos, sequestros de diplomatas estrangeiros e outras ações sempre visando desestabilizar o governo. Os principais eram o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), POLOP (Política Operária), COLINA (Comando de Libertação Nacional), ALN (Ação Libertadora Nacional) comandada pelo ex-deputado comunista Carlos Marighela, a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e a VAR – Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares) que teve como integrantes o ex-capitão do exército Carlos Lamarca e a presidente Dilma Rousseff;
Milagre Brasileiro: plano econômico idealizado e implantado pelo ministro da fazenda Delfim Neto, no governo Médici. Com ele, o Brasil cresceu altas taxas anuais, tendo como base o aumento da produção industrial, o crescimento das exportações e a acentuada utilização de empréstimos estrangeiros;
Abertura Política: processo de transição do regime militar para uma ordem democrática, feito pelo governo Geisel de forma lenta, gradual e segura. Ainda em 1974, o governo permite a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, e o partido de oposição MDB, ganha as eleições;
Senadores Biônicos: senadores não eleitos por voto popular, mas indicados pelo governo que correspondiam a 1/3 do total. Foram criados estes cargos, devido a uma lei de 1977 do governo Geisel;
Obras Faraônicas: obras públicas monumentais custeadas com novos empréstimos estrangeiros, onde aconteceram grandes desvios de verbas, mas consideradas não prioritárias em face das enormes carências sociais do país. A Usina Hidrelétrica de Itaipu, a rodovia Transamazônica e a Ponte Rio Niterói, são algumas delas;
Lei da Anistia: perdoava todos àqueles que foram punidos pela ditadura militar. Muitos brasileiros que estavam exilados, puderam finalmente regressar à sua pátria. Todos os direitos políticos foram reabilitados trazendo de volta a plena cidadania;
Fim do Bipartidarismo: em 1979 é extinto o regime de dois partidos e criados em seu lugar novos partidos para disputar as próximas eleições. O PDS (Partido Democrático Social) em substituição à ARENA, o PMDB (Partido do Movimento Social Brasileiro) no lugar do MDB, o PT (Partido dos Trabalhadores), o PDT (Partido Democrático Trabalhista), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e outros;
Proálcool: Programa Nacional do Álcool criado na década de 70 para substituir progressivamente o petróleo que estava em falta no mundo, naquela época;
Diretas Já: foi um grande movimento que sacudiu o Brasil entre 1983 e 1984 envolvendo políticos, artistas, esportistas e população de todas as classes sociais reivindicando a aprovação da Lei Dante de Oliveira que restabeleceria eleições diretas para presidente da república já no ano de 1985. Mesmo com a grande mobilização do país, a lei foi rejeitada pelos deputados. Mas, em janeiro de 1985, o político mineiro Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral, o primeiro presidente civil em 20 anos, selando o fim do regime militar.



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A Revolução Industrial e a luta por direitos sociais no século XIX

Artesanato, manufatura e maquinofatura

O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu em fins da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente. O produtor possuía os meios de produção, instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.

Tomando o sapateiro da Idade Média como exemplo, verificamos que era ele quem preparava o couro, que lhe pertencia, cortava-o com sua tesoura ou faca e costurava-o com linhas e agulhas próprias, até ter ponto o sapato (produto final), que ele venderia a algum interessado. 

Já na Idade Moderna, buscando-se produzir crescentemente para o mercado, os trabalhadores urbanos foram muitas vezes reunidos num mesmo local de trabalho, cada um desempenhando uma atividade específica, utilizando principalmente as mãos para transformar a matéria-prima, fazendo surgir o que se denominou manufatura

Esse sistema de produção caracterizou-se basicamente pela divisão do trabalho e aumento da produtividade. Dessa forma, numa fábrica manufatureira de tecidos do século XVII, por exemplo, um trabalhador fiava, outro cortava até que a peça de pano ficasse pronta. 

Finalmente, como o desenvolvimento da economia capitalista, a produção de artigos para o mercado passou a ser feita em série com máquinas, dando origem às maquinofaturas industriais. Os trabalhadores passaram a participar do processo produtivo apenas com a força de trabalho que aplicavam na produção, já que os meios de produção (instalações, máquinas, capitais, etc.) pertenciam à elite industrial, à classe burguesa. 

O uso de máquinas em grande escala foi implantado na Inglaterra a partir de 1750, aproximadamente. Teve profunda influência sobre a economia mundial, ocasionando significativas mudanças sociais, políticas e culturais para o homem contemporâneo. A esse processo de alteração estrutural da economia, que marcou o início da Idade Contemporânea, chamamos de Revolução Industrial.

A Inglaterra foi a pioneira na Revolução Industrial devido ao acúmulo de riquezas (ouro) das atividades comerciais na época mercantilista, ao controle capitalista das propriedades rurais (cercamentos), às reservas de carvão mineral (combustível) ao crescimento populacional e a posição geográfica estratégica para vender os produtos na Europa e nos E.U.A. 

Na primeira fase da Revolução Industrial, a Inglaterra liderou o processo de industrialização e a indústria têxtil foi a que mais se desenvolveu. A grande oferta de matéria-prima (o algodão, cujo maior produtor era os Estados Unidos) e a abundância de mão de obra barateavam os custos da produção, gerando lucros elevados, os quais eram reaplicados no aperfeiçoamento tecnológico e produtivo. Assim, também o setor metalúrgico foi estimulado, bem como a pesquisa de novas fontes de energia. 

Algumas invenções foram de fundamental importância para ativar o processo de mecanização industrial, entre as quais podemos destacar: 

•Máquina de fiar: James Hargreaves – 1767; 
•Tear hidráulico: Richard Arkwright – 1768; 
•Máquina a vapor: Thomas Newcomen (1698) aperfeiçoada por James Watt – 1769; 
•Tear mecânico: Edmond Cartwright – 1785; 
•Barco a vapor: Robert Fulton – 1805; 
•Locomotiva a vapor: George Stephenson – 1815. 

As consequências da Revolução Industrial foram a urbanização e crescimento das cidades, a divisão do trabalho, a criação das linhas de montagem, a produção em série, a concentração de renda nas mãos dos donos das indústrias, o desenvolvimento dos transportes e das comunicações com os novos inventos, o surgimento da classe dos proletários, a exploração do operário com jornadas diárias superiores a 14 horas, o nascimento de sindicatos e ideologias que defendiam o trabalhador, o êxodo rural, o crescimento desordenado das cidades, poluição do meio ambiente e a falta de lazer.


Movimentos sociais do século XIX

O Congresso de Viena em 1815 propôs a restauração das monarquias absolutistas nos países europeus ocupados pelos exércitos de Napoleão no início do século XIX. Unidas novamente, a nobreza e o clero tentaram implantar novamente o absolutismo do Antigo Regime, extinto desde a Revolução Francesa de 1789 e permaneceram no poder pelas três primeiras décadas do século.

Entre 1830 e 1848, a população europeia enfrentou uma série de fatores negativos como seguidas colheitas ruins, situação de miséria do operariado, falta de liberdade, direitos básicos fundamentais e repressão às camadas populares, que possibilitou uma aliança temporária entre o operariado e a pequena e média burguesia.

Desse frágil entendimento provisório surgiram diversos movimentos revolucionários de contestação aos poderes e as forças conservadoras das monarquias absolutistas no poder em grande parte da Europa. Esses movimentos denominados nacionalistas, liberais, socialistas, comunistas e anarquistas, ocorreram em diversos países como na França, Itália, Áustria, Irlanda, Alemanha, Suíça e Hungria.

Vejamos agora o que eram cada um dessas ideias ou movimentos:
•Liberalismo – Os princípios básicos do liberalismo são um governo democrático, onde os poderes do governante sejam limitados por uma constituição e separados em Executivo, Legislativo e Judiciário. O cidadão tem o direito à total liberdade, inclusive religiosa onde a igreja seria separada do Estado. Na economia, a intervenção do estado deveria ser a menor possível e as atividades econômicas dever ser da iniciativa privada;

•Nacionalismo – As principais ideias defendidas pelo nacionalismo eram o respeito à formação nacional dos povos com mesma origem étnica, linguística e cultural e o direito desses povos de lutarem por sua independência como nação e do direito deles de escolher seu sistema político, sua forma de governo em um território livre e unificado. Através dessas ideias nacionalistas, dois países europeus unificaram-se, a Itália em 1860 e a Alemanha em 1870;

•Socialismo – Os filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels formularam em 1846 uma teoria na qual a economia capitalista seria substituída por uma coletiva, numa sociedade supranacional sem classes chamada de socialismo. Para Marx e Engels, a burguesia que se enriquecia cada vez mais à custa dos trabalhadores (proletários), teria que ser suplantada pelo socialismo, acabando com a exploração dos operários através da ditadura do proletariado “Proletários de todo o mundo, uni-vos!” era o único caminho para a extinção das classes sociais. Os tipos de socialismo acabaram-se diferenciando em socialismo utópico, socialismo científico e socialismo cristão;

•Comunismo – É uma etapa superior ao socialismo sendo uma ideologia que prega a abolição da propriedade privada e o fim da luta de classes, além da construção de um regime político e econômico que possibilite o estabelecimento da igualdade e justiça social entre os homens;

•Anarquismo – Era outra corrente filosófica do movimento operário que defendia a abolição do Estado e de toda e qualquer forma de governo, que seriam as causas da existência dos males sociais, que dever ser substituídos por uma sociedade em que os homens são livres, sem leis, polícia, tribunais ou de instituições que representem o povo, como partidos políticos, centrais sindicais, que privava as pessoas da liberdade de decidir sobre sua própria vida. Para os anarquistas, a sociedade deveria ser organizada de modo que todas as pessoas pudessem participar diretamente das decisões políticas cujas relações seriam voltadas ao auto-abastecimento, sem fins lucrativos e à base de trocas. Seu principal defensor era o russo Bakunin;

•Positivismo – É uma corrente filosófica idealizada por Augusto Comte na França na primeira metade do século XIX que defende a ideia de que o conhecimento propiciado pela observação científica da realidade tornaria possível o estabelecimento de leis universais para o progresso da sociedade e dos indivíduos. Comte, porém, abominava tanto a revolução quanto a democracia, vendo nelas apenas o caos e a anarquia. Para ele “a ordem era a base do progresso social”






domingo, 23 de outubro de 2016

Expansão Europeia dos séculos XV e XVI



O comércio com o oriente
As cruzadas, que recolocaram o Ocidente em contato com o Oriente, criaram o gosto pelo consumo de exóticos produtos orientais. Os artigos mais consumidos eram joias, perfumes, veludos pintados, tecidos de seda e especiarias, como a noz moscada, canela, o cravo e a procuradíssima pimenta, que chegou a ser usada como moeda. A expansão do mercado europeu para esse tipo de mercadoria pôde ser rapidamente aproveitada pelos mercadores das cidades italianas, principalmente Gênova e Veneza. 

Os comerciantes de Gênova e Veneza recebiam os produtos orientais (das Índias) nos portos de Trípoli, Alexandria e principalmente em Constantinopla. 

Os mercadores de outros países queriam quebrar o monopólio de Gênova e Veneza e participar desse comércio tão lucrativo. Esse foi o principal fator que impulsionou as viagens marítimas. Mas havia muitos outros motivos que impulsionaram a expansão marítima no século XV como: 
•Conquista de Constantinopla: os turcos conquistaram Constantinopla em 1453, bloqueando o comércio de especiarias pelo Mar Mediterrâneo; 

•Necessidade de Novos Mercados: os europeus precisavam seu artesanato e manufaturas e precisavam de gêneros alimentícios e de matérias primas; 

•Falta de Metais Preciosos: era preciso descobrir novas jazidas de ouro e prata para cunhagem de moedas porque na Europa não havia mais esses metais preciosos; 

•Interesse dos Estados Nacionais: a aliança da burguesia com os reis ajudou em muito nesse processo; 

•Propagação da Fé Cristã: a difusão da fé religiosa justificava conquistar e converter povos da América, África e da Ásia; 

•Ambição Material: todos que se envolviam nas longas viagens marítimas queriam demais enriquecer com as descobertas que estavam por vir; 

•Progresso Tecnológico: a expansão marítima só foi possível graças ao desenvolvimento e o uso da bússola, do astrolábio, do quadrante, da caravela e do aperfeiçoamento dos mapas geográficos aliada à noção de que a Terra era redonda.


Pioneirismo Português
O pioneiro das grandes navegações marítimas foi Portugal, em 1419 com a chegada à ilha da Madeira. O país foi o primeiro a se unificar no continente e ter uma política mercantilista com a união da burguesia com a realeza. Além disso, os lusitanos já participavam do comércio do mediterrâneo como parceiros das cidades italianas e através da Escola de Sagres, grande complexo náutico, dominou novas técnica de navegação que possibilitaram percorrer grandes distâncias marítimas. Completam esses fatores a ausência de guerras internas e a privilegiada posição geográfica, sendo o país europeu mais próximo do grande Mar Tenebroso (Oceano Atlântico). 

Os portugueses descobriram o caminho pelo sul da África quando Bartolomeu Dias cruzou o Cabo da Boa Esperança em 1488. Em 1498, Vasco da Gama foi o primeiro europeu a chegar à Índia, voltando carregado de especiarias, dando um lucro enorme ao rei de Portugal. Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil. 

Logo após a conquista da cidade de Granada em 1492, foi a vez dos espanhóis. Com a expulsão dos mouros. Os monarcas Fernando, de Aragão e principalmente Isabel, de Castela lançaram-se nas navegações patrocinando a viagem de Cristovão Colombo que queria provar que o mundo era redondo, atingindo às Índias viajando para oeste. 

Colombo, porém, acabou por descobrir um novo continente que acabaria se chamando América. Após a chegada dele no novo continente, os reis da Espanha apressaram-se para garantir seus direitos de posse sobre a nova terra. Para isso, pediram a intervenção do papa Alexandre VI também espanhol, uma autoridade respeitada entre os reinos cristãos. 

Após muitas discussões com os portugueses, foi assinado um acordo, o Tratado de Tordesilhas que traçava uma linha imaginária a 370 léguas das ilhas de Cabo Verde, cortando o mundo em duas partes. As terras a leste dessa linha pertenceriam a Portugal e as terras a oeste pertenceriam a Espanha. 

Os espanhóis empreenderiam ainda outras viagens. Vicente Pinzón chegou até a foz do rio Amazonas no início de 1500. Vasco Nunes de Balboa atinge o Oceano Pacífico, por terra em 1513. Em 1519 Fernão de Magalhães inicia a primeira viagem de circunavegação da Terra completada por Sebastião El Cano em 1521. 

Interessados também em descobrir novos caminhos para a Índia, franceses, ingleses e holandeses, lançaram-se às navegações marítimas concentrando-se no Atlântico Norte tentando encontrar uma passagem noroeste para a Ásia. 

Embora essa passagem não tenha sido encontrada, os navegadores passaram a explorar e a ocupar parte da América do Norte além de praticar a pirataria contra navios inimigos, principalmente espanhóis, onde conseguiram muitas riquezas e desestabilizar esses governos. 

Na Inglaterra, a pirataria foi oficializada. Os corsários, como foram chamados esses piratas, agiam em nome da monarquia e dividiam os lucros dos saques com o governo. O principal pirata inglês foi Francis Drake.

Diversos fatores contribuíram para o retardamento da participação Inglesa francesa e holandesa na expansão mercantil, dentre eles a Instabilidade política e econômica, a inexistência de uma monarquia centralizada, aliada aos interesses das burguesias nacionais e às resistências feudais.
Infográfico Piratas do Caribe - Clique Aqui




sábado, 15 de outubro de 2016

Populismo e Período Democrático

O Populismo é um dos fenômenos mais marcantes da América Latina durante o século XX. Os governos populistas de Lázaro Cárdenas no México, Juan Perón na Argentina e Getúlio Vargas no Brasil têm características em comum como o incentivo a industrialização, a substituição das importações, o nacionalismo exagerado pregando a união das classes trabalhadoras com a burguesia, o controle dos sindicatos pelo governo, o anti-imperialismo, o controle das massas populares trabalhadoras e a nacionalização do petróleo, minérios, estradas e etc.


O Brasil após a queda de Vargas em 1945 experimenta novamente a democracia com a promulgação de uma nova constituição em 1946 onde os partidos políticos ressurgiram como o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o PSD (Partido Social Democrático), A UDN (União Democrática Nacional), o PCB (Partido Comunista Brasileiro) entre outros. Junto deles, vieram as eleições presidenciais com mandatos presidenciais de cinco anos, sem reeleição e eleição para vice-presidentes também.

Os presidentes brasileiros do período democrático (1946 – 1964) foram:

•General Eurico Gaspar Dutra (1946 – 1951): Eleito pela coligação PTB-PSD, seu governo é marcado pelo anticomunismo proibindo o PCB e os mandatos de parlamentares do partido. Na economia, elaborou o plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), mas, sem dinheiro e competência administrativa o governo realizou muito pouco desse plano. O nacionalismo econômico da Era Vargas foi abandonado com a abertura econômica a empresas estrangeiras, importações de supérfluos. Não se preocupou em incentivar o desenvolvimento industrial nacional gerando graves consequências como a diminuição das reservas de dinheiro do país em 80%;


•Getúlio Dorneles Vargas (1951 – 1954): Com 68 anos de idade Getúlio Dorneles Vargas, candidato pela coligação PTB-PSD, venceu de modo espetacular com mais de 48% dos votos. Com ele, retornaram duas características de seu governo anterior, o nacionalismo econômico e a política de amparo aos trabalhadores assalariados das cidades. Dizia que era preciso atacar a exploração internacional no país, para conseguir sua independência econômica. Propôs a Lei dos Lucros Extraordinários que limitava a remessa de lucros das empresas estrangeira ao exterior. Defendia o slogan “O petróleo é nosso”. Fundou a PETROBRÁS. Desenvolveu uma política de aproximação com os trabalhadores urbanos com o objetivo de construir uma verdadeira democracia social e econômica. Autorizou um aumento de 100% do salário mínimo. Foi acusado por um atentado fracassado contra seu opositor o jornalista Carlos Lacerda, que vitimou, porém o major Rubens Vaz da FAB. Suicidou-se com um tiro no coração em 24 de agosto de 1954;


•João Café Filho (1954 – 1955): Governou pouco mais de um ano de 24 de agosto de 1954 a 8 de novembro de 1955 quando se afastou por problemas de saúde;


•Carlos Coimbra da Luz (1955): Teve um mandato curto de apenas três dias sendo deposto por um dispositivo militar e considerado impedido de exercer o cargo de Presidente da República pelo Congresso Nacional em 11 de novembro de 1955;


•Nereu de Oliveira Ramos (1955 – 1956): Era presidente do Senado e governou pouco mais de dois meses a partir do golpe dado pelo general Henrique Teixeira Lott. Passou o cargo ao presidente eleito;

Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956 – 1961): Vencedor das eleições junto com o vice-presidente João Goulart, ambos da coligação PTB-PSD. Durante seu governo houve um grande avanço industrial com a implantação da indústria automobilística, construção de rodovias, usinas hidrelétricas e a sua força motriz estava concentrada nas indústrias de base e na fabricação de bens de consumo duráveis e não duráveis. Seu governo foi marcado por um grande número de obras realizadas à custa de empréstimos e investimentos estrangeiros, ou seja, o governo internacionalizou a economia e aumentou a dívida externa. Seu lema era crescer 50 anos em 5 e seu Plano de Metas priorizava cinco setores fundamentais: energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. Instalou indústrias automobilísticas e ampliou a produção de petróleo. Fundou a cidade de Brasília, nova capital federal. Cidade moderna e arrojada, Brasília nasceu da criatividade do arquiteto Oscar Niemeyer e do talento do urbanista Lúcio Costa;

Clique aqui e veja o mapa de Brasília e do Distrito Federal

Jânio da Silva Quadros (1961): Foi eleito com o apoio da UDN com recorde de votos até então, mas teve como vice, o candidato da oposição da coligação PTB-PSD João Goulart. Tinha um estilo político exibicionista e demagógico. Conquistou eleitores prometendo combater a corrupção e varrer toda a sujeira da administração pública. Seu símbolo de campanha era uma vassoura. Em pouco mais de seis meses de governo Jânio tomou atitudes que surpreenderam os grupos poderosos que o apoiaram na eleição. Em plena Guerra Fria, resolveu tomar ações de natureza autonomista que desagradaram os conservadores e chamaram a atenção do bloco capitalista. Internamente, tomou medidas econômicas de pouco impacto e se preocupou em decretar leis que mais promoviam sua imagem como a proibição do uso de biquines na praia e rinhas de galo. Em pouco tempo de governo acabou chamando a atenção por tais ações questionáveis. O auge de seu jeito controverso ocorreu quando o presidente condecorou o líder revolucionário cubano Ernesto Che Guevara em 19 de agosto com a principal comenda brasileira a Ordem do Cruzeiro do Sul. Nesse mesmo tempo, enviou o vice-presidente João Goulart à China Comunista para reforçar laços de cooperação política e econômica. Renunciou uma semana depois;

•João Belchior Marques Goulart (1961 – 1964): A UDN e os demais grupos políticos de oposição adoraram a renúncia. Sem perder tempo, o Congresso Nacional aceitou o pedido de Jânio Quadros. O poder então deveria ser entregue ao vice-presidente Jango, como João Goulart era carinhosamente chamado, mas, ele estava em visita oficial à China. Aproveitando dessa situação, ministros militares e políticos da UDN quiseram impedir a posse de Jango acusando-o de ser um perigoso comunista e prendê-lo no aeroporto assim que desembarcasse. Mas havia um grande número de pessoas, sindicalistas, trabalhadores, profissionais liberais, pequenos empresários e setores militares que apoiavam Jango. Para que não houvesse uma guerra civil no país foi negociado um acordo. O vice-presidente tomaria posse e aceitaria o sistema parlamentarista de governo. Assim foi feito no dia 7 de setembro de 1961. Haveria ainda, segundo o acordo, um plebiscito para a escolha definitiva do sistema de governo. Em 6 de janeiro de 1963, com esmagadora maioria de 82%, os brasileiros votaram e rejeitaram o parlamentarismo, entregando o poder de fato ao presidente João Goulart. Em pouco mais de um ano de governo Jango quis realizar um governo nacionalista e reformista, mas as dificuldades econômicas eram muitas como alta da inflação e do custo de vida. Mesmo assim ele apresentou a nação o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social que pretendia realizar Reformas de Base (reforma agrária, administrativa, urbana, bancária, eleitoral e educacional). Acirraram-se as disputas entre as elites e o operariado. Sem o apoio dos poderosos, Jango voltou-se para os trabalhadores e os partidos de esquerda tentando alinhar-se com eles.  Não proibiu as greves e regulamentou a Lei de Remessa de Lucros para o exterior e no comício do anúncio das reformas em 13 de março de 1964 anunciou a criação de uma nova Constituinte. Essas medidas incomodaram ainda mais as elites, a igreja, políticos da UDN e os militares que articularam um golpe militar para depor o presidente, fato que ocorreu no dia 31 de março de 1964. Era o fim do populismo e da democracia no Brasil e o início de uma terrível era, a ditadura militar no Brasil.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Renascimento Comercial e Urbano e Formação da Monarquias Nacionais


























Renascimento Comercial e Urbano

O auge do feudalismo aconteceu durante a Alta Idade Média. A partir do século XI, tudo mudou. O comércio ganhou novo impulso e as cidades cresceram. Do século XI ao XIII, a Europa Ocidental viveu um período de relativa paz. Entre os fatores que contribuíram para isso, destacam-se:
•O desenvolvimento agrícola: com a ocupação de novas áreas, surgimento de novas culturas e o aperfeiçoamento das técnicas agrícolas que aumentaram a produtividade;

•O crescimento populacional: devido a uma época de relativa paz, já que os ataques de um reino a outro haviam diminuído bastante. Essa queda no número de conflitos foi responsável por um considerável aumento populacional. Em 300 anos a população da Europa cresceu de 8 milhões para 26 milhões de habitantes. Isso gerou um excedente populacional, que começou a necessitar de mais espaço e a expandir-se para fora dos feudos;

•Surgimento de uma nova classe social: comerciantes, negociantes e artesãos que viviam constantemente de um lugar a outro, fixaram residências em volta dos feudos onde surgiram vilas cercadas por muralhas chamadas de burgos. Os habitantes dos burgos passaram a ser conhecidos como burgueses e ao longo dos séculos, essa denominação passou a denominar os comerciantes e os homens ricos (burguesia);

•Renascimento das cidades: com o aumento demográfico na Europa, a população dos burgos foi crescendo também. Isso se dava porque muitos servos acabavam por fugir dos feudos para escapar das imposições da relação servil. Ou ainda, porque aqueles servos que mais causavam problemas aos seus senhores eram expulsos de suas terras, indo engrossar a população das vilas. Assim, essas pequenas localidades começaram a crescer e se tornar importantes concentrações de trabalhadores livres e comerciantes, onde passaram a ser organizadas feiras permanentes, como as feiras de Champagne (França), Flandres (Bélgica), Gênova e Veneza (Itália) e Colônia e Frankfurt (Alemanha);

•As Corporações de Ofício: o aumento da liberdade política e econômica foi propiciando o aprimoramento do trabalho urbano. Os artesãos, que faziam os produtos consumidos pelos europeus, passaram a ser organizar em entidades para além de suas cidades. Para isso, formaram as guildas e as corporações de ofício. As corporações tinham como objetivo defender os interesses dos artesãos, regulamentar o exercício da profissão e controlar o fornecimento do produto. Elas também dirigiam o ensino artesanal, que se dividia em três estágios: aprendiz, oficial e mestre;

•Cruzadas: com a justificativa de expulsar os muçulmanos da Terra Santa onde havia perseguição aos cristãos que visitavam o lugar onde Jesus Cristo viveu, a Igreja Católica convocou os cristãos europeus a formar expedições militares para combater os “infiéis”. Entre os séculos XI e XIII, graças ao apoio de nobres, desejosos de formar reinos aumentando seus lucros e uma grande massa de desocupados urbanos que se formavam, foram realizadas 8 cruzadas quase todas elas se constituindo em um enorme fracasso e perda de milhares de vidas. No entanto essas expedições que atravessaram o continente europeu cruzaram os mares e chagaram a outros continentes, possibilitando também a abertura de novas rotas comerciais e contato com outros povos e culturas.

O término das Cruzadas contra os muçulmanos coincidiu com o início de uma série de crises, que indicavam o esgotamento do feudalismo. Essas crises dos séculos da depressão (XIV e XV) foram a crise econômica com a queda da produção agrícola gerando fome, a peste negra que matou um terço da população europeia, a crise religiosa dentro da igreja Católica que chegou a ter dois papas e a crise política com conflitos internos entre os senhores feudais, causando grande insegurança que prejudicava as atividades comerciais e também guerras entre nações como a guerra dos cem anos entre a Inglaterra e a França.


Formação das Monarquias Nacionais

As crises do fim da era Medieval (econômica, política e religiosa) provocaram a dissolução do sistema feudal. A terra deixou de ser a única fonte de riqueza. 

O comércio se expandia a burguesia, que era a classe social ligada ao comércio, tornou-se cada vez mais rica e poderosa, com isso ela precisava de uma nova organização política que fosse capaz de acabar com as intermináveis guerras da nobreza feudal, que diminuísse a quantidade de impostos sobre as mercadorias cobrados pelos senhores feudais e que reduzisse o grande número de moedas que atrapalhavam seus negócios.
Por isso, a burguesia passou a contribuir para o fortalecimento da autoridade dos reis, contribuindo financeiramente na construção de monarquias nacionais capazes de formar governos estáveis e ordeiros.

O elemento cultural que mais influenciou o sentimento nacionalista foi o idioma. Falado pelo mesmo povo, o idioma servia para identificar as origens, tradições e costumes comuns de uma nação.

Cada estado foi definido suas fronteiras políticas, estabelecendo os limites territoriais de cada governo nacional, surgindo a noção de soberania, pela qual o soberano (governante) tinha o direito de fazer valer as decisões do Estado perante os súditos.

Para garantir as decisões do governo soberano, foi preciso a formação de exércitos permanentes, controlados pelos reis (soberano).

Com a formação moderna, diversos reis passaram a exercer autoridade nos mais variados setores: organizavam os exércitos, que ficava sobre o seu comando, distribuíam a justiça entre seus súditos, decretavam leis e arrecadavam tributos. Toda essa concentração de poder passou a ser denominado Absolutismo Monárquico.

Os principais Estados Absolutistas europeus foram:
•Portugal: surgiu como um reino independente em 1139. Seu primeiro rei foi D. Afonso Henrique, da dinastia de Borgonha. Por muito tempo, os portugueses viveram envolvidos na luta pela expulsão dos mouros, que só aconteceu em 1249 com a conquista de Algarves (sul de Portugal);

•Inglaterra: o absolutismo inglês teve início após a Guerra das Duas Rosas entre as famílias York e Lancaster onde o Lancaster Henrique Tudor com o apoio da burguesia venceu e tomou o poder. Fundador da dinastia Tudor, Henrique VII (1485-1509) inaugurou a era dos reis absolutistas ingleses. Seu filho Henrique VIII foi o que exerceu o poder mais absoluto entre todos os monarcas ingleses. Já sua neta Elisabete I, foi a última rainha soberana incontestável;

•Espanha: em 1469 aconteceu o casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão. Unificado, o reino espanhol reuniu forças para completar a expulsão dos mouros e, com a ajuda da burguesia, lançar-se às grandes navegações marítimas. O absolutismo espanhol atingiu seu apogeu com a dinastia Habsburgo e o rei Felipe II;

•França: o processo de centralização política francesa iniciou-se com o rei Felipe II no século XII. Usando os conflitos contra os ingleses pelo controle do norte da França, este monarca conseguiu formar um grande exército sustentado pelos impostos cobrados ao longo do território nacional. Durante o governo do rei Luís IX, o poderio real foi ampliado com a criação de instituições jurídicas subordinadas às leis nacionais e a economia comercial se fortaleceu com a instituição de uma única moeda nacional. No governo de Felipe IV o belo, foi criada a Assembleia dos Estados Gerais para reafirmar o poder político real. Mas a guerra dos Cem Anos com a Inglaterra enfraqueceu o poder real e somente a partir de 1453, o rei Carlos VII concluiu o processo de expulsão dos britânicos do território francês e passou a comandar com amplos poderes. Com o apoio dos grandes burgueses, centralizou o governo nacional, criou novos impostos e financiou a instituição de um exército permanente. A partir de então, a França tornou-se o exemplo máximo do absolutismo real europeu.