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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Independência da América Latina

América Espanhola
As mudanças efetuadas pela Espanha em sua política colonial possibilitaram o aumento do lucro da elite criolla na América, no entanto, o desenvolvimento econômico ainda estava muito limitado por várias restrições ao comércio, pela proibição de instalação de manufaturas e pelos interesses da burguesia espanhola, que dominava as atividades dos principais portos coloniais. 

Os criollos enfrentavam ainda grande obstáculo à ascensão social, na medida em que as leis garantiam privilégios aos nascidos na Espanha (os chapetones). Os cargos políticos e administrativos, as patentes mais altas do exército e os principais cargos eclesiásticos eram vetados à elite colonial.

Soma-se à situação sócia econômica, a influência das ideias iluministas, difundidas na Europa no decorrer do século XVIII e que tiveram reflexos na América.

Mas as guerras Napoleônicas e a invasão da Espanha por tropas francesas foram determinantes para as rebeliões que levaram a independência das colônias espanholas.
Enfraquecida pela guerra na Europa, a metrópole viu a investida britânica e norte-americana pela expansão de seus mercados consumidores sobre as colônias.

Os dois dos maiores líderes criollos da independência foram Simon Bolívar e José de San Martin. Organizando exércitos pelas porções norte e sul da América, ambos destacaram-se na proclamação de independência de vários países latino-americanos. 

São características da independência da América Espanhola:
•a grande participação popular, porém sob a liderança dos criollos;
•o caráter militar, envolvendo anos de conflito com a Espanha;
•a fragmentação territorial, divisão em vários países;
•adoção do regime republicano - exceção feita ao México.

Após a independência, o projeto político de Simon Bolivar era construir uma América Latina unificada em uma única grande nação, uma confederação (Pan Americanismo). Mas esse plano fracassou. Interesses ingleses e norte americanos em controlar economicamente a região que não viam com bons olhos a união política, aliado aos interesses criollos de influenciar a política de suas próprias regiões, acabaram com esse sonho.

Clique aqui e veja o mapa animado da independência da América Espanhola

Brasil: Antecedentes
O plano das Cortes de Lisboa era reconquistar os antigos privilégios comerciais, resgatando o monopólio comercial sobre o Brasil, revogar a autonomia administrativa conquistada com a elevação do país a Reino Unido. As Cortes promulgaram uma série de decretos anulando os poderes regenciais de D. Pedro.

Quando ficou evidente que as Cortes tinham por objetivo recolonizar o Brasil, começou a se formar uma ampla aliança anticolonialista, integrada por diversas forças sociais que compunham a sociedade brasileira daquele período. Esse grupo, liderado pelas elites brasileiras decidiram manter a todo custo a liberdade de comércio do país e a autonomia administrativa. Para isso, organizaram-se em torno de D. Pedro dando-lhe todo o apoio para resistir as ordens que chegavam de Portugal.

Mas as lideranças desses grupos divergiam profundamente sobre os rumos do movimento de independência

O "dia do Fico"
Pressionado pelas Cortes de Lisboa para regressar à Portugal, D. Pedro recebeu, em janeiro de 1822, uma petição com 8 mil assinaturas solicitando a sua permanência. Sua decisão foi tomada com base numa frase célebre: "Como é para o bem do povo e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico", que deu origem ao chamado "dia do Fico". A decisão expressou publicamente a adesão do regente à causa brasileira.

A partir de então, sucederam-se os atritos políticos com as Cortes de Lisboa. Ministros portugueses pediram demissão. Formou-se um novo ministério, e José Bonifácio de Andrada e Silva foi nomeado ministro do Reino e Negócios Estrangeiros.

Em maio de 1822, o príncipe regente aceitou o título de Defensor Perpétuo do Brasil, oferecido pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro. Em junho, decidiu convocar uma Assembleia Constituinte. Em agosto, resolveu considerar inimigas as tropas portuguesas que eventualmente desembarcassem no Brasil.

"Independência ou morte"
As Cortes de Lisboa elaboraram um decreto que anulava os poderes de D. Pedro. Este último acontecimento, teve como consequência a declaração formal de independência do Brasil, proclamada por D. Pedro em 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo: "É tempo (...) independência ou morte (...). Estamos separados de Portugal".

Em dezembro de 1822, ele foi coroado imperador do Brasil, tornando-se D. Pedro I. Iniciavam-se o Império e o Primeiro Reinado.

Conclusão
A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases socioeconômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos.


 Cena da mini série "O quinto dos infernos" Rede Globo (2002) 
Com D. Pedro I proclamando a independência do Brasil.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Idade Média: Feudalismo

Panorama 

A Idade Média, segundo os historiadores, é um período compreendido entre os anos de 476 a 1453, ou seja, do século V ao século XV. Costuma-se também dividi-la em dois grandes períodos, A Alta Idade Média (séculos V ao X) e a Baixa Idade Média (séculos XI ao XV). 

É comum chamarmos a Idade Média de Idade das Trevas devido ao pouco avanço cultural, científico produzido nestes quase mil anos e também a economia que esteve praticamente estagnada, graças às populações que viviam nos feudos, cercadas e isoladas umas das outras com uma produção autossuficiente. Também é normal pensar que o comércio praticamente desapareceu no período medieval. 

Na verdade, porém, devemos lembrar que durante todo esse período, continuaram a existir os artesãos (ferreiros e construtores de máquinas, por exemplo), comerciantes e negociantes. As pessoas não deixaram de adquirir certos equipamentos fundamentais à prática da agricultura (como enxadas e arados), que eram, portanto, fabricados e comercializados. Ainda que essas atividades de comércio tenham sido bastante restritas, em uma Europa separada por feudos e ameaçada por guerras entre os povos do continente, isso não significa que elas tenham desaparecido. 


Feudalismo 

As origens do feudalismo remontam ao século III, quando o sistema escravista de produção no Império Romano entrou em crise. Diante da crise econômica e das invasões germânicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram morar nas suas propriedades no campo. Esses centros rurais, conhecidos por vilas romanas, deram origem aos feudos medievais. 

Muitos romanos menos ricos passaram a buscar proteção e trabalho nas terras desses grandes senhores. Para poderem utilizar as terras, no entanto, eles eram obrigados a entregar ao proprietário parte do que produziam, estava instituído assim, o colonato

Aos poucos, o sistema escravista de produção no Império Romano ia sendo substituído pelo sistema servil de produção, que iria predominar na Europa feudal. Nascia, então, o regime de servidão, onde o trabalhador rural é o servo do grande proprietário. 

No sistema feudal, o rei concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros, que, em troca lutavam a seu favor. Quem concedia a terra era um suserano, e quem a recebia era um vassalo. 

As relações entre o suserano e o vassalo eram de obrigações mútuas, estabelecidas através de um juramento de fidelidade. Quando um vassalo era investido na posse do feudo pelo suserano, jurava prestar-lhe auxílio militar. O suserano, por sua vez, se obrigava a dar proteção jurídica e militar ao vassalo

O sistema feudal dominou durante um longo período de tempo, em toda a Europa Ocidental. Por se estender a uma área tão grande não foi idêntico em todos os lugares. Mas há características comuns como o enfraquecimento do poder real ou central, o fortalecimento dos poderes locais, a existência de fidelidade e proteção (suserania e vassalagem), uso generalizado do trabalho servil no campo, declínio das atividades comerciais urbanas e fortalecimento da vida rural.



Sociedade


A sociedade feudal era dividida em três ordens principais ou estamentos: 
•Clero: Eram os membros da Igreja Católica como padres, monges, bispos, abades e cardeais. A Igreja era grande proprietária de terra e tinha grande influência política e ideológica;

•Nobreza: Eram os senhores de terra e suas famílias, que se dedicavam às atividades militares, Em tempos de paz, os nobres caçavam e participavam de torneios que serviam de treinos para a guerra. Constituíam-se de Duques, Marqueses, Condes, Viscondes, Barões e Cavaleiros;

•Servos: Eram a maioria da população. Constituíam-se de camponeses que realizavam todos os trabalhos necessários à subsistência da sociedade. Eles tinham uma série de restrições à liberdade, poderiam ser vendidos, trocados ou dados pelo seu senhor. Porém eram diferentes dos escravos clássicos, pois tinham reconhecimento de sua condição humana, podiam ter bens e recebiam proteção de seu senhor.

Além destes três estamentos, havia os vilões, que eram homens livres que trabalhavam para os senhores feudais, mas não eram presos à terra e pequenos mercadores e artesãos.

A economia era autossuficiente, ou seja, tudo que se produzia era para consumo próprio do feudo não havendo excedentes. Baseava-se na agricultura e pecuária. Como não havia moedas, era usado um sistema de trocas de mercadorias entre os habitantes com compensações em caso de um produto de maior valor.


Relações e obrigações feudais


Geralmente as terras dos feudos dividiam-se em:
•Manso Comunal: Eram terras de uso comum. Compreendiam em bosques e pastagens. Nessas terras os servos recolhiam madeiras e soltavam animais para pastar;

•Reserva Senhorial: Eram terras que pertenciam exclusivamente ao senhor feudal e era onde se localizavam o moinho, os fornos, o estábulo e a capela;

•Manso Servil: Eram terras utilizadas pelos servos. Destas terras eles retiravam seu sustento e os recursos para cumprir as obrigações servis.

A forma de trabalho predominante era a servidão, onde o servo era ‘’homem livre’’, mas era preso à terra na qual trabalhava. Ele tinha que produzir o sustento da sua família e para a nobreza feudal.

O servo era obrigado a trabalhar gratuitamente alguns dias da semana nas terras do senhor feudal, podia ser na agricultura, na criação de animais, na construção de casas e outros edifício ou benfeitorias. Este imposto era chamado de Corveia.

Os servos também pagavam a talha onde eram obrigados a entregar parte da produção agrícola ou pastoril ao senhor feudal. Havia ainda a banalidade, pagamento de taxas ao senhor pela utilização de equipamentos e instalações do senhorio (celeiros, fornos, moinhos, etc.), a mão morta que era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil em caso do falecimento do pai da família, a capitação ou imposto pago por cada membro da família servil (por cabeça) e o tostão de Pedro, um imposto pago à igreja, utilizado para a manutenção da capela local.

No século X o feudalismo atingiu o seu auge tornando-se uma forma de organização vigente em boa parte do continente europeu. A partir do século seguinte, o aprimoramento das técnicas de produção agrícola e o crescimento populacional proporcionaram melhores condições para o reavivamento das atividades comerciais. Os centros urbanos voltaram a florescer e as populações saíram da estrutura hermética que marcou boa parte da Idade Média.



Igreja Católica

Em meio à desorganização administrativa, econômica e social produzida pelas invasões germânicas e ao esfacelamento do Império Romano, praticamente apenas a Igreja Católica, com sede em Roma, conseguiu manter-se como instituição. Consolidando sua estrutura religiosa, a Igreja foi difundindo o cristianismo entre os povos bárbaros, enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana. 
Valendo-se de sua crescente influência religiosa, a Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida medieval, servindo como instrumento de unificação, diante da fragmentação política da sociedade feudal. 

Durante a Idade Média, a Igreja Católica conquistou e manteve grande poder. Possuía o poder econômico, adquirido com as grandes doações de terras feitas pelos fiéis em troca da possível recompensa do céu. Calcula-se que a Igreja Católica tenha chegado a controlar um terço das terras cultiváveis da Europa Ocidental. Era, portanto, uma grande "senhora feudal" numa época em que a terra constituía a base de riqueza da sociedade.

Toda a vida civil estava regulada pelas observações religiosas. As estações do ano agrícola, as reuniões das assembleias consultivas, o calendário anual eram marcados pelas atividades religiosas.

A vida cotidiana era toda impregnada por pequenos rituais católicos, que demonstravam o grande poder da religião. As doenças epidemias e catástrofes eram geralmente atribuídas ao Diabo, e eram resolvidas por meio de exorcismos, sinais da cruz e outros simbolismos católicos. O poder da Igreja diferenciava-se dos demais, uma vez que além do território sob sua jurisdição política ela tinha o poder espiritual sobre quase todo o território europeu.

Esse domínio, construído durante a Idade Média, consistia em estar presente na vida das diferentes camadas sociais. Era a Igreja que representava, pela sua função religiosa, a segurança para a população medieval atemorizada com a morte e, sobretudo, com o que pudesse ocorrer depois da morte. Essa influência, a princípio puramente espiritual, passa a estender-se para o político, na medida em que eram os papas que coroavam os imperadores, nas cerimônias de sagração.
Havia o poder temporal, onde a Igreja interferia nos assuntos políticos dos reinos europeus ou fornecendo justificativas religiosas, para as guerras contra os infiéis, as Guerras Santas. Entre os movimentos mais conhecidos da Idade Média, orientados pela Igreja, estão as Cruzadas, que contaram com o apoio dos dirigentes políticos das monarquias feudais, para retomar a Terra Santa, então em poder dos turcos.

Alguns integrantes da Igreja Católica foram extremamente importantes para a preservação da cultura. Os monges copistas dedicaram-se a copiar e guardar os conhecimentos das civilizações antigas, principalmente, dos sábios gregos. Graças aos monges, esta cultura se preservou.

A cultura na Idade Média foi muito influenciada pela religião católica. As pinturas, esculturas e livros eram marcados pela temática religiosa. Os vitrais das igrejas traziam cenas bíblicas, pois era uma forma didática e visual de transmitir o evangelho para uma população quase toda formada por analfabetos.



domingo, 25 de setembro de 2016

Guerra Fria



Terminada a Segunda Guerra Mundial, o mundo ficou dividido entre duas áreas de influência: A capitalista, liderada pelos Estados Unidos da América (EUA) e a socialista, comandada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Uma intensa guerra econômica, tecnológica e diplomática pela expansão destas áreas entre os dois blocos, cujos líderes detinham a tecnologia de armas atômicas, levaram a uma corrida armamentista que durou 40 anos colocando o mundo em uma ameaça constante de uma iminente guerra nuclear, podendo levar o planeta a destruição. 

No final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos lutavam para manter o resto da Europa sob sua influência, já que a URSS controlava o os países do Leste Europeu. Os norte-americanos estavam sendo apoiados pela Doutrina Truman e com empréstimos de U$ 13 bilhões de dólares a países da Europa Ocidental através do Plano Marshall, além de apoiar o início das ditaduras na América Latina, enquanto a URSS adota o COMECON com o objetivo de garantir auxílio mútuo entre os países socialistas. 

A URSS adota a política isolacionista, mais conhecida como “Cortina de Ferro”, e com o auxílio do Exército Vermelho, houve uma reforma nos governos do Leste Europeu que passaram a ser satélites de Moscou. 

No início da década de 1950, Os EUA liderou uma forte política de combate ao comunismo em seu território e no mundo. Usando o cinema, a televisão, os jornais, as propagandas e até mesmo as histórias em quadrinhos, divulgou uma campanha valorizando o "american way of life". Vários cidadãos americanos foram presos ou marginalizados por defenderem ideias próximas ao socialismo. O Macarthismo, comandado pelo senador republicano Joseph McCarthy, perseguiu muitas pessoas nos EUA. Essa ideologia também chegava aos países aliados dos EUA, como uma forma de identificar o socialismo com tudo que havia de ruim no planeta. 

Na URSS não foi diferente, já que o Partido Comunista e seus integrantes perseguiam, prendiam e até matavam todos aqueles que não seguiam as regras estabelecidas pelo governo. Sair destes países, por exemplo, era praticamente impossível. Um sistema de investigação e espionagem foi muito usado de ambos os lados. Enquanto a espionagem norte-americana cabia aos integrantes da CIA, os funcionários da KGB faziam os serviços secretos soviéticos. 

Essas duas superpotências travaram uma disputa muito grande no que se refere aos avanços espaciais. Na chamada corrida espacial, corriam para tentar atingir objetivos significativos nesta área. Isso ocorria, pois havia certa disputa entre as potências, com o objetivo de mostrar para o mundo qual era o sistema mais avançado. No ano de 1957, a URSS lança o foguete Sputnik com um cão dentro, o primeiro ser vivo a ir para o espaço. Doze anos depois, em 1969, o mundo todo pode acompanhar pela televisão a chegada do homem a lua, com a missão espacial norte-americana. 

No ano de 1949 a Guerra Fria expandiu-se principalmente quando os soviéticos lançaram sua primeira bomba atômica, iniciando assim, a corrida nuclear. Já os norte-americanos estavam testando armas nucleares no atol de Bikini, no Oceano Pacífico. 

Em 1952, os EUA explodiram a primeira bomba de hidrogênio, e a URSS em 1955, além disso, as superpotências criaram blocos militares que reuniam seus aliados, como a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), comandada pelos EUA e o Pacto de Varsóvia, liderada pela URSS. 

Entre as décadas de 1950 e 1980, esses dois blocos militares estivaram a um passo de se enfrentar em campo de batalha, mas, em vez disso, limitaram-se a apoiar conflitos armados em diversas regiões do mundo aonde em algumas delas, chegaram a participar diretamente no conflito como no caso da Guerra da Coréia e do Vietnã com soldados americanos e no Afeganistão com tropas soviéticas. 

Os principais conflitos da Guerra Fria foram: 
•Guerra da Coreia – 1950-1953; 
•Revolução Cubana – 1959; 
•Guerra do Vietnã – 1959-1975; 
•Invasão do Afeganistão – 1979. 

No ano de 1985, como Mikhail Gorbatchev no poder soviético, implantando a glasnost e a perestroika, há uma queda na tensão e na guerra ideológica. O fim da Guerra Fria for marcado pela queda do muro de Berlim em 1989, pela reunificação da Alemanha em 1990 e pela desintegração soviética no natal de 1991.

Para ver em tela cheia, clique aqui     Fonte: Revista Superinteressante 




Para ver em tela cheia, clique aqui        Fonte: R7

domingo, 11 de setembro de 2016

Era Napoleônica

A situação na França era extremamente grave . A burguesia, em geral, apavorada com a instabilidade interna e as derrotas sofridas para os países inimigos, precisava de um governo forte, capaz de reorganizar a nação, restaurando a lei e a ordem.

A essa época, o elemento de maior liderança no exército era um jovem general, Napoleão Bonaparte, celebrizado especialmente depois da vitoriosa campanha da Itália, em 1796.

No dia 10 de Novembro de 1799 (18 brumário, pelo calendário revolucionário), Napoleão retorna do Egito, com o apoio do exército e da alta burguesia, dissolve o Diretório e estabelece um novo governo, conhecido como Consulado .

Até 1802 o novo governo francês (Consulado) era comandado por 3 magistrados com o título de Cônsules, sendo Napoleão o primeiro e a quem caberiam as decisões, enquanto os outros dois teriam apenas o voto consultivo . De 1802 a 1804, ampliando seu poder, Napoleão estabeleceu o Consulado Uno e em 1804, instituiu o Império.

Como estadista, Napoleão deu grande impulso aos negócios e à indústria ao criar o Banco da França, reformulou o sistema tributário francês, com a criação de uma nova moeda, o franco, e aumentou a arrecadação de impostos dando ocupação a milhares de desempregados através de um programa de construção de obras públicas, como alargamento de portos, construções de edifícios públicos, estradas, canais, pontes , drenagem de pântanos, etc.

A Educação recebeu uma atenção especial de Napoleão com o fortalecimento do Ensino Público, a instalação de escolas públicas em cada aldeia ou cidade francesa e a criação de Liceus (centros de preparação para professores).
As mudanças beneficiaram principalmente a burguesia, cujo poder consolidou-se com as leis do Código Civil (ou Napoleônico), elaborado entre 1804 e 1810 por um corpo de juristas nomeados pelo governo . O Código procurava conciliar a legislação com os princípios da Revolução Francesa de liberdade, propriedade e igualdade perante a lei, ou seja, manteve o fim dos privilégios desfrutados pela Nobreza no Antigo Regime, mas favoreceu os privilégios conquistados pela Burguesia. Este Código inspirou outros códigos civis em diversas nações, tanto na Europa como na América .

Em 1801 o papa Pio VII e Napoleão assinaram a Concordata, estabelecendo que o governo francês nomearia os bispos e pagaria salários ao Clero.

No plano externo, Napoleão planejava reconstruir seu Império Colonial e com isso despertou a ira da Inglaterra e de seus aliados, que logo se uniram contra a França. Napoleão conquistou várias vitórias sobre os inimigos como a Rússia, Prússia, Áustria, ocupando a Espanha, Bélgica, Holanda, Itália entre outros, mas não consegui vencer a Inglaterra.

Para derrotá-la, ele decretou o Bloqueio Continental, onde os países europeus estavam proibidos de comprar e vender produtos para a Inglaterra, sob pena de invasão do território por tropas francesas.

Os países que se negaram a aceitar as ordens de Napoleão e foram invadidos. Portugal em dezembro de 1807, o regente D. João fugiu para o Brasil e a Rússia em 1812, onde Napoleão foi derrotado pelo frio do inverno russo.
Em 1814, Paris foi ocupada por tropas estrangeiras e Napoleão foi exilado na ilha de Elba, próximo à Córsega com 800 homens. A monarquia é restaurada com Luís XVIII, irmão de Luís XVI, que tinha sido guilhotinada durante a Revolução Francesa.

Entretanto, em 1815, Napoleão abandona seu exílio na Ilha de Elba e volta para Paris . O rei enviou uma guarnição de soldados para prendê-lo, mas estes aderiram a Napoleão. Luís XVIII fugiu para a Bélgica. De volta ao poder, Napoleão governou apenas 100 dias . 

Contra ele, seus inimigos (Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia) formaram uma nova coligação e o derrotaram definitivamente na Batalha de Waterloo (1815). Preso, Napoleão foi mantido prisioneiro na Ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, onde morreu em 1821 . Luís XVIII novamente assumiu o trono.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Segunda Guerra Mundial


A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito da história humana. Deixou um saldo de 55 milhões de mortos, 35 milhões de feridos e 190 milhões de refugiados. Foi também o palco da explosão de duas bombas atômicas, inaugurando um poder de destruição jamais visto pelo homem.

As principais causas da guerra foram:
•as imposições previstas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes;
•a expansão territorial, militar e econômica dos países totalitários do Japão, Itália e Alemanha;
•a política de apaziguamento da Inglaterra e França;
•a formação dos países do Eixo: Alemanha, Itália e Japão;
•a invasão da Polônia por tropas nazistas.


A partir de 1º de setembro de 1939, o início da guerra, o conflito tomou proporções mundiais envolvendo povos do mundo todo com batalhas em quase todos os continentes. A guerra toda durou quase 6 anos e foi dividida por historiadores em três períodos:


Primeira Fase: 1939 – 1941: Avanço dos países do Eixo na Europa com a guerra relâmpago nazista (blitzkrieg) conquistando Dinamarca, Holanda, Bélgica, Noruega e França e na Ásia com conquistas japonesas na China, sudeste asiático e ilhas do Pacífico;

Segunda Fase: 1941 – 1943: Entrada na guerra da União Soviética após o cerco nazista a Leningrado e a batalha da cidade de Stalingrado e também dos Estados Unidos após o ataque japonês à base naval americana em Pearl Harbor no Havaí;

Terceira Fase: 1943 – 1945: Vitória dos países aliados na Europa, a partir da invasão da Normandia (Dia D) em 6 de junho de 1944 até a rendição alemã em 8 de maio de 1945 e na Ásia após a explosão de duas bombas atômicas pelos americanos em duas cidades japonesas de Hiroshima (6 de agosto de 1945) e Nagasaki (9 de agosto de 1945).






Consequências da Guerra
Além dos milhões de mortos e feridos, aperfeiçoaram-se as técnicas militares de destruição com novos tanques, foguetes, radares, aviões a jato, navios porta-aviões e a bomba atômica.

Aproximadamente 12 milhões de pessoas morreram nos campos de concentração e extermínio. Desses, 6 milhões de judeus na “solução final” do problema judeu, segundo a loucura antissemítica de Adolf Hitler.

O período pós-guerra foi marcado por uma série de transformações no cenário político-econômico mundial, que levaram ao estabelecimento de uma nova ordem internacional marcada pelo equilíbrio tenso das forças capitalistas lideradas pelos EUA e socialistas lideradas pela URSS.

Essas duas forças dividiram a Alemanha nazista derrotada, sua capital, Berlin, onde foi construído um muro pelos socialistas, isolando Berlin Ocidental do restante da Alemanha Oriental e posteriormente, todo o mundo em duas áreas de influência.

Foram criadas ainda, por essas duas superpotências, duas aliança militares, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), chefiada pelos EUA e o Pacto de Varsóvia, chefiado pela URSS.

Esses dois blocos promoveram uma corrida armamentista com a proliferação de armas atômicas, gerando vários conflitos e guerras em algumas partes do mundo onde apareceram disputas por territórios entre povos de suas áreas de influência que quase terminaram em uma Terceira Guerra Mundial, mas felizmente isso não ocorreu, graças à atuação da ONU (Organização das Nações Unidas). Esse período de tensão foi conhecido como Guerra Fria.

No plano econômico, a recuperação dos países destruídos na Segunda Guerra se deu através do Plano Marshall dos EUA em um primeiro momento e posteriormente pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial, formado pelo BIRD (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento) e a AID (Associação Internacional de desenvolvimento) todos os órgãos especiais da ONU.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Os Bárbaros e o Império de Carlos Magno


Os bárbaros eram povos que viviam fora das fronteiras do império. Eles se dividiam em:
Tártaro-mongóis: (hunos, turcos, búlgaros, húngaros – magiares);
Eslavos: (russos, poloneses, tchecos, sérvios);
Germanos: (visigodos, ostrogodos, hérulos, anglos, saxões, lombardos, vândalos e francos).

Os germanos eram os bárbaros mais conhecidos pelos romanos. Entre os séculos II e III eles já haviam se deslocado para dentro das fronteiras do império e receberam do governo de Roma, terras na fronteira norte para se estabelecerem devendo apenas participar do exército. Com isso, os germanos foram se integrando à sociedade romana.

A partir do século IV, porém, eles passaram a penetrar de forma mais violenta, fugindo do avanço dos terríveis hunos que por onde passavam aniquilavam tudo. Essas invasões tornaram-se incontroláveis a partir de 455 quando os vândalos invadiram e saquearam Roma, escravizando milhares de romanos.

O último imperador romano, Rômulo Augusto, foi deposto em 476 por Odoacro, chefe dos germanos hérulos. Esse episódio, conhecido como a Queda do Império Romano do Ocidente, marca o fim da Antiguidade e o Início da Idade Média.
A Era Medieval é dividida em Alta e Baixa Idade Média. A Alta Idade Média vai do século V ao século XI, o período medieval inicia com o surgimento de diversos reinos no território do antigo império romano.

Os principais reinos bárbaros foram:
• Reino dos Vândalos: Península Ibérica;
• Reino dos Ostrogodos: Península Itálica;
• Reino dos Anglo-Saxões: Inglaterra;
• Reino dos Francos: França e Alemanha.

Os Francos eram tribos de origem germânica que habitavam a região onde hoje é a Alemanha. Em busca de novas terras, os francos invadem a GÁLIA, atual França. Os francos formaram seu império com a unificação das tribos por Clóvis que reinou entre os anos de 482 e 511. Ele promoveu também a expansão do território do reino derrotando outros bárbaros. O reino franco teve duas dinastias, a Merovíngia e a Carolíngia.

Clóvis converteu-se ao catolicismo e obrigou os francos a fazer o mesmo. A igreja Católica via nos francos a salvação da civilização romana e por isso aliou-se a eles para manter-se no poder. O mesmo continuou acontecendo com a chegada ao poder de Carlos Magno que prestava enormes favores a igreja como proteção contra povos inimigos dela. Em 800, o papa Leão III corou Carlos Magno como imperador do Novo Império Romano do Ocidente.

Em 768, Carlos Magno, sobe ao trono dos francos. Carlos Magno conquista diversos territórios ao seu reino fundando um império, o Sacro Império Romano Germânico. Sob seu comando os francos submeteram diversos povos germânicos e conquistou um vasto império, o maior da Europa na época.

Durante seu reinado, Carlos Magno, assessorado por intelectuais, estimulou a abertura de escolas e mosteiros, incentivando as atividades intelectuais e artísticas e protegendo artistas. Com isso, contribuiu para a preservação e transmissão da cultura da antiguidade clássica.

Após a morte de Carlos Magno, o império franco caiu em decadência, devido a divisão feita entre seus quatro filhos.

Veja o mapa da evolução do reino franco até a divisão em 870

domingo, 21 de agosto de 2016

Revolução Francesa

Introdução
A Revolução Francesa foi uma revolução burguesa, embora tivesse tido a participação de outras camadas sociais como camponeses e massas pobres urbanas, devido à liderança conduzida pela burguesia para realizar suas aspirações. 

Aniquilando o absolutismo, a política mercantilista, os resquícios do feudalismo ainda existentes na França e o poder do clero e da nobreza, a revolução pôs fim ao Antigo Regime, sendo escolhida por estudiosos como fato determinante para o início da Idade Contemporânea. 

Influenciados por ideias iluministas, os revolucionários franceses tinham como lema a “liberdade, igualdade e fraternidade”. Sua influência motivou revoltas em toda a Europa e os movimentos de independência na América Latina.

As causas
A Revolução Francesa foi provocada basicamente por três fatores principais: 

Fatores Econômicos: A França no final do século XVIII era uma nação essencialmente agrária, com uma produção agrícola estruturada no modelo feudal. A grande maioria da população francesa era constituída de camponeses. E uma parte desses camponeses ainda estava submetida a obrigações feudais; 

Fatores Sociais: A população, estimada em 25 milhões de pessoas, era dividida em três estamentos. O primeiro estado (clero) composto por aproximadamente 150 mil pessoas, o segundo estado (nobreza) com mais ou menos 350 mil pessoas e o terceiro estado (povo dividido em camponeses, burguesia e sans-culotes) com mais de 24 milhões de pessoas. O clero e a nobreza tinham vários privilégios como não pagar impostos, receber pensões do estado e exercer cargos públicos; 

•Fatores Políticos: O absolutismo do rei francês Luis XVI, a crise econômica que passava a França em 1789, a fome e miséria da população causada pela seca e péssimas colheitas e o sistema político injusto como o da Assembleia dos Estados Gerais, exigiam reformas urgentes.

Antecedentes
A seca de 1788 diminuiu a produção de ali­mentos. Os preços subiram e os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois que a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura que lhe custou 2 bilhões de libras. O descontenta­mento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos. 

Luís XVI encarregou o ministro Turgot de realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram e ele se demitiu. O rei então indicou Calonne, que convocou a Assembleia dos Notáveis, de nobres e clérigos (1787). O ministro propôs que esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários e pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes. 

O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembleia dos Estados Gerais, que não seja reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembleia realizaram-se em abril dê 1789 e coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. 

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni­ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja, tinha maioria absoluta.

O Início
O terceiro estado se rebelou na última Assembleia convocada pelo rei, elegeu representantes do povo e decidiram elaborar uma constituição que limitasse os poderes do rei e eliminasse os privilégios do clero e da nobreza. Formaram então a Assembleia Nacional Constituinte. 

Embora o rei aceitasse a convocação da Assembleia no início, no mês de julho de 1789, logo ele voltou atrás demitindo os ministros que elaboraram uma ampla reforma, revoltando toda a população de Paris que, furiosa, invadiu e destruiu a fortaleza da Bastilha em 14 de julho de 1789, símbolo do absolutismo dos reis franceses. 

O clima de revolta espalhou-se pelo país. Os camponeses invadiram as terras do clero e da nobreza assassinando os donos e saqueando a produção. Nas cidades a violência não era menor. Os líderes de revolução foram Danton, Marat e Robespierre, que chegou a governar o país após o guilhotinamento do rei Luis XVI. 

Diante disso, a Assembleia Nacional Constituinte aprovou no mês de agosto de 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. 

As fases da revolução foram: 
•Assembleia Nacional Constituinte: 1789-1791; 
•Monarquia Constitucional: 1791-1792; 
•Proclamação da República e Convenção Nacional: 1792-1795; 
•Governo do Diretório: 1795-1799. 


Os revolucionários franceses criaram em 1792 um calendário novo caracterizando os nomes dos meses baseados nas condições climáticas e agrícolas das estações em cada mês na França. O ano começava no equinócio de outono. O primeiro mês chamava-se vindimário (em referência a Víndima ou colheita de uvas), seguiam-se o brumário (relativo à bruma ou nevoeiro), o frimário (mês das geadas ou frimas em francês), o nivoso (referente à neve), o pluvioso (chuvoso), o ventoso, o germinal (relativo à germinação das sementes), o floreal (mês das flores), o pradial (em referência a prados), o messidor (nome originário de messis, palavra latina que significa colheita), o termidor (referente ao calor) e o frutidor (relativo aos frutos); como cada mês tinha trinta dias sobrava cinco dias no final do ano (de 17 a 21 de setembro): eram os dias dos sans culottes, considerados feriados nacionais. 

Vários foram os símbolos da revolução como a bandeira de três cores (azul, branca e vermelha), o hino a Marselhesa, o barrete frígio (gorro vermelho), a guilhotina, o lema liberdade, igualdade e fraternidade.

Conclusão
Depois de 10 anos de lutas, no dia 10 de novembro de 1799 (18 brumário no calendário revolucionário) o general Napoleão Bonaparte, com o apoio de influentes políticos burgueses, dissolveu o Diretório e estabeleceu um novo governo denominado Consulado

A revolução Francesa espalhou os ideais iluministas ao mundo como a república, divisão em três poderes, eleições, luta por liberdade, sistema métrico universal, fim dos privilégio feudais, do absolutismo monárquico, dos poderes ilimitados da nobreza e da igreja e o início da idade Contemporânea.