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sábado, 18 de março de 2017

Absolutismo Monárquico


































No fim da Idade Média na Europa, aconteceram algumas mudanças radicais, que alteraram para sempre a história da civilização ocidental. Na economia, o capitalismo nascente, rompia de vez com a ruralização do feudalismo. Na cultura, o renascimento fez o homem voltar-se mais para si e se preocupar com uma vida mais próspera. Já na religião, rompeu-se o monopólio católico de Deus e sua interpretação dos assuntos religiosos. 

Por fim a última mudança importante se deu na política, com o fim dos poderes regionais dos senhores feudais e uma centralização política comandada pelos reis dos novos Estados Nacionais que surgiram nessa época. 

As crises do fim da era Medieval (econômica, política e religiosa) provocaram a dissolução do sistema feudal. A terra deixou de ser a única fonte de riqueza. 

O comércio se expandia a burguesia, que era a classe social ligada ao comércio, tornou-se cada vez mais rica e poderosa, com isso ela precisava de uma nova organização política que fosse capaz de acabar com as intermináveis guerras da nobreza feudal, que diminuísse a quantidade de impostos sobre as mercadorias cobrados pelos senhores feudais e que reduzisse o grande número de moedas que atrapalhavam seus negócios. 
Por isso, a burguesia passou a contribuir para o fortalecimento da autoridade dos reis, contribuindo financeiramente na construção de monarquias nacionais capazes de formar governos estáveis e ordeiros. 

O elemento cultural que mais influenciou o sentimento nacionalista foi o idioma. Falado pelo mesmo povo, o idioma servia para identificar as origens, tradições e costumes comuns de uma nação. 

Cada estado foi definido suas fronteiras políticas, estabelecendo os limites territoriais de cada governo nacional, surgindo a noção de soberania, pela qual o soberano (governante) tinha o direito de fazer valer as decisões do Estado perante os súditos. 

Para garantir as decisões do governo soberano, foi preciso a formação de exércitos permanentes, controlados pelos reis (soberano). 

Com a formação moderna, diversos reis passaram a exercer autoridade nos mais variados setores: organizavam os exércitos, que ficava sobre o seu comando, distribuíam a justiça entre seus súditos, decretavam leis e arrecadavam tributos. Toda essa concentração de poder passou a ser denominado Absolutismo Monárquico

Durante os séculos em que vigorou, foram vários os teóricos que deram sustentação ao poder absoluto dos reis, entre eles destacam-se: 
Thomas Hobbes – autor Leviatã dizia que em seu estado de natureza e entregues à própria sorte, os homens devorariam uns aos outros. É por isso, então, que, por necessidade, fizeram entre si um contrato social que designou um soberano sobre todos os demais, tido como súditos. A esse soberano, o rei absolutista, competiria garantir a paz interna e a defesa da nação; 

Nicolau Maquiavel – autor de O Príncipe escrito no século XVI. O Príncipe é um tratado político a respeito das estruturas do estado moderno. Nessa obra, Maquiavel discorre sobre vários temas, sempre abordando a maneira como o soberano, chamado de Príncipe, deve agir para manter seu reino. 

Os principais Estados Absolutistas europeus foram: 

Portugal: surgiu como um reino independente em 1139. Seu primeiro rei foi D. Afonso Henrique, da dinastia de Borgonha. Por muito tempo, os portugueses viveram envolvidos na luta pela expulsão dos mouros, que só aconteceu em 1249 com a conquista de Algarves (sul de Portugal); 
Inglaterra: o absolutismo inglês teve início com o rei Henrique VII (1485-1509), fundador da dinastia Tudor. Seu filho Henrique VIII foi o que exerceu o poder mais absoluto entre todos os monarcas ingleses. Já sua neta Elisabete I, foi a última rainha soberana incontestável; 
Espanha: em 1469 aconteceu o casamento da rainha Isabel de Castela com o rei Fernando de Aragão. Unificado, o reino espanhol reuniu forças para completar a expulsão dos mouros e, com a ajuda da burguesia, lançar-se às grandes navegações marítimas. O absolutismo espanhol atingiu seu apogeu com a dinastia Habsburgo e o rei Felipe II
França: foi durante a Guerra dos Cem Anos que o sentimento de nacionalismo dos franceses se intensificou. O poder dos reis cresceu e os sucessivos monarcas franceses aumentaram ainda mais o poder real. Mas guerras religiosas voltaram a enfraquecer o poder real até que Henrique IV (1589 – 1619), a paz foi alcançada a aconteceu a expansão econômica, política e militar do país. O principal monarca absolutista francês, no entanto foi, Luís XIV, conhecido como rei Sol. Símbolo do poder supremo é atribuído a ele a famosa frase, “O Estado sou eu”.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Primeira Guerra Mundial


Entre 1871 e 1914, durante a chamada belle époque, a sociedade europeia, liberal e capitalista, passou por uma das fases de maior prosperidade. O desenvolvimento industrial trouxe para boa parte da população um conforto nunca antes experimentado, enquanto a ciência e a técnica abriam possibilidades inimagináveis de comunicação e transporte. 

Entretanto, a grande insatisfação das nações que chegaram tarde à partilha da África e da Ásia e a disputa cada vez maior por novos mercados e fontes de matérias primas acirraram se no início do século XX, causando grande tensão e levaram as potências europeias a se armar se preparando para uma guerra.

A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra capitalista, provocada por motivos econômicos entre as superpotências da época. Muitos fatores contribuíram para o início da guerra, tais como:
  • a disputa por colônias na África, Ásia e na Oceania; 
  • a concorrência econômica entre Inglaterra e Alemanha; 
  • a disputa nacionalista entre o pangermanismo e o paneslavismo na Europa Central e Oriental; 
  • o revanchismo francês contra os alemães devido à perda para eles dos territórios da Alsácia e Lorena. 
  • A criação da Tríplice Aliança (formada pela Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (formada pela Inglaterra, França e Rússia).


O estopim, ou seja, a causa imediata que deu origem a guerra foi o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austríaco e de sua esposa em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, país disputado pela Áustria-Hungria (de origem germânica) e pela Sérvia, aliada da Rússia (de origem eslava) em 28 de junho de 1914.

A prisão do assassino que era membro de uma sociedade secreta ligada a Sérvia, fez com que a Áustria declarasse guerra a Sérvia, que por sua vez foi defendida pela Rússia.

A entrada da Rússia provocou também a entrada da Alemanha ao lado da Áustria, generalizando o conflito entre as duas alianças militares.

A guerra entre esses dois blocos durou cerca de 4 anos, de 1914 a 1918. Os combates terrestres foram extremamente mortíferos em função de novas armas como: metralhadoras, lança-chamas, projéteis explosivos. Além disso, utilizaram-se pela primeira vez, o avião e o submarino como recursos militares.

O saldo de destruição da guerra foi enorme: mais de 10 milhões de pessoas morreram e trinta milhões ficaram feridas.

A partir do início de 1918, a Alemanha foi perdendo o fôlego, ficando isolada e sem condições de sustentar a guerra. Em 11 de novembro de 1918, a Alemanha assinou o armistício (acordo de paz) em situação bastante desvantajosa.

Após a rendição alemã, no período de 1919 a 1920, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, uma conferência com a participação de 27 nações vencedoras da guerra. Foi estabelecido o Tratado de Versalhes impondo duras condições à Alemanha, considerada a única responsável pela guerra. Os principais pontos desse tratado foram:
  • Devolução da região da Alsácia-Lorena à França; 
  • Cessão de territórios à Bélgica, à Dinamarca e à Polônia; 
  • Entrega de quase toda a marinha mercante da Alemanha; 
  • Pagamento de uma enorme indenização em dinheiro aos países vencedores; 
  • Redução do poderio militar alemão. 
Além disso, foi aprovada a criação da Liga das Nações para preservar a paz mundial e os Estados Unidos se tornaram uma potência econômica suprindo as necessidades dos mercados da Ásia e da América Latina.








sexta-feira, 3 de março de 2017

Imperialismo

Atualmente, ao sair de casa para comprar qualquer produto no comércio, você se depara com uma infinidade de produtos, oriundos de todas as partes do mundo. Isso se chama livre comércio, iniciado no fim do século XX com a chamada globalização. 

Os países estão associados a outros, em blocos econômicos e fazem trocas comerciais com tarifas especiais, de acordo com contratos estabelecidos entre eles. O resultado disso aumentou a oferta de artigos entre os países e se compra e vende de tudo, com praticamente todos os países do mundo, mas nem sempre foi assim.

Na segunda metade do século XIX, a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Itália e os Estados Unidos, eram considerados grandes potências industriais. Eles tinham condições de vender muitos produtos fabricados em seus países para todo o mundo, porém, nessa época, cada país tinha sua própria área de influência para realizar esse comércio e não podia fazê-lo livremente sobre a área de outros países, o que limitava e impedia o crescimento de seus negócios. 

Com o objetivo de aumentar sua margem de lucro e também de conseguir um custo mais baixo de produção, como mão de obra e matérias-primas para suas indústrias e depois ter um grande mercado consumidor de seus produtos, estes países se dirigiram à África Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos, exercendo atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos. 

Não muito diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do cristianismo, o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados.

Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as diferenças éticas e culturais destes povos. 

Essa exploração afro-asiática refletia a nova ordem econômica iniciada com a Segunda Revolução Industrial onde, a burguesia que já possuía o poder econômico, conquistou também o poder político. A hegemonia burguesa e a rápida industrialização deu origem aos grandes conglomerados empresariais e ao capitalismo monopolista, que passou a buscar novos mercados. 

A partilha afro-asiática foi um processo desigual, tendo a França e principalmente a Inglaterra, detentora de um imenso Império Colonial, com territórios em todos os continentes, ao passo que Estados Unidos por problemas internos, Alemanha e Itália, que se unificaram tardiamente ficaram com um número menor de territórios. 

Mas essas conquistas não foram pacíficas. Muitos povos nativos não aceitaram prontamente a invasão de seus territórios e a degradação de suas culturas. Houve resistência, revoltas e guerras pelos continentes conquistados. As principais guerras contra a dominação imperialista foram: 

• As Guerras dos Bôeres (1880/1881 – 1899/1902): Foram dois confrontos armados na atual África do Sul que opuseram os colonos de origem holandesa e francesa, os chamados bôeres, ao exército britânico, que pretendia se apoderar das minas de diamante e ouro recentemente encontradas naquele território. Em consequência das guerras, os bôeres ficaram sob o domínio britânico, com a promessa de autogoverno; 

•Revolta dos Cipaios: Foi uma revolta popular armada ocorrida na Índia, entre 1857 e 1859, contra a dominação e exploração britânica na Índia; 


•Guerra do Ópio: Foi um conflito armado ocorrido entre a Grã-Bretanha e a China nos anos de 1839 a 1842 e 1856 a 1860. A Grã-Bretanha, que por sua vez estava passando pela segunda Revolução Industrial, precisava cada vez mais de matérias-primas a baixos preços e um grande mercado consumidor para realizar a venda de seus produtos; 

•Guerra dos Boxers (1899 – 1900): Também chamada de Movimento Yijetuan, foi um movimento popular antiocidental e anticristão na China. A sociedade secreta dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros (Righteous and Harmonious Fists), que se opunha à expansão estrangeira, sustentava que com treino adequado, incluindo o ritual do boxe chinês (Suai Jiao), os seus membros poderiam vencer os ocidentais, que usavam armas de fogo. 

Ao longo dos últimos anos do século XIX, ocorreram tensões entre as nações imperialistas europeias por disputas das melhores colônias. Havia com concorrência entre elas a fim de mostrar ao mundo, quem tinha o maior império colonial. Essas rusgas foram o principal motivo para a eclosão da Grande Guerra, conhecida posteriormente como Primeira Guerra Mundial.

O imperialismo foi responsável pela completa desestruturação das culturas afro-asiáticas. As potências ao dividir os territórios artificialmente entre si, não consideraram as relações sociais que existiam entre os povos que já habitavam a região, vindo a compor as fronteiras dos atuais países. Povos que se odiavam, foram obrigados a viver juntos no mesmo país e o que vemos hoje são várias guerras civis, principalmente na África, onde verdadeiros banhos de sangue ocorrem, desde a independência dos países africanos, na segunda metade do século XX.

Entre esses tristes exemplos, nos deparamos com a eterna luta entre hutus e tutsis em Ruanda e Burundi, os conflitos entre cristãos e muçulmanos na Somália e Sudão.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Reforma e Contrarreforma


O cristianismo, dividido em três grandes ramos (católicos, ortodoxos e protestantes), é a religião que reúne, atualmente, o maior número de seguidores, cerca de 34% da população mundial.

Os católicos formam o grupo mais numeroso dos cristãos (51%), seguidos pelos protestantes (35%), que se dividem em luteranos, anglicanos, calvinistas, etc.

A primeira grande divisão entre os cristãos, chamada Grande Cisma do Oriente, se deu no século XI, em 1054, quando a Igreja de Constantinopla não aceitou mais a jurisdição do papa de Roma em seus assuntos, dando origem a Igreja Cristã Ortodoxa

Outra grande ruptura da cristandade acorreu no século XVI, causado por inúmeros motivos, o que resultou em um processo conhecido como Reforma Protestante.

A Igreja Católica vinha, desde o final da Idade Média, perdendo sua identidade. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas, principalmente o que diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais deixavam a população insatisfeita.

A burguesia comercial, em plena expansão no século XVI, estava cada vez mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos.

Por outro lado, o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma, com a venda das indulgências (venda do perdão).

No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza.

O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. O homem renascentista começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão.

A Reforma Luterana
O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica.

As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências e propunha a fundação do luteranismo (religião luterana). De acordo com Lutero, a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Em suas teses, condenou o culto às imagens e revogou o celibato. 

A Reforma Calvinista
Na França, João Calvino começou a Reforma Calvinista no ano de 1534. De acordo com Calvino a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto. Essa ideia calvinista atraiu muitos burgueses e banqueiros para o calvinismo. Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. Calvino também defendeu a ideia da predestinação (a pessoa nasce com sua vida definida).

A Reforma Anglicana
Na Inglaterra, o rei Henrique VIII rompeu com o papado, após este se recusar a cancelar o casamento do rei. Henrique VIII funda o anglicanismo e aumenta seu poder e suas posses, já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras.


A Contrarreforma Católica
Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis, bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento) com o objetivo de traçar um plano de reação. No Concílio de Trento ficou definido:
Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos jesuítas; 

Retomada do Tribunal do Santo Ofício - Inquisição: punir e condenar os acusados de heresias 

Criação do Index Librorium Proibitorium (Índice de Livros Proibidos): evitar a propagação de ideias contrárias à Igreja Católica.

A revista Época em sua edição 638 de 06/08/2010 trouxe como matéria de capa "A Nova Reforma Protestante", de Ricardo Alexandre, onde trata de cristãos que buscam o retorno ao Evangelho puro e simples de Cristo. Vale a pena uma leitura do artigo. Abaixo a reprodução da capa e o link da matéria via Púlpito Cristão. Clique aqui







quarta-feira, 1 de março de 2017

Civilizações do Crescente Fértil


Povos da Mesopotâmia

A Mesopotâmia abrigou as primeiras civilizações do planeta, por volta do IV milênio antes de Cristo. O nome Mesopotâmia significa “terra entre rios” em grego, devido a estar localizado entre os rios Tigre e Eufrates. Hoje, nessa região, localiza-se o Iraque.

Os povos que habitavam a Mesopotâmia na antiguidade eram: 
• Os sumérios e acádios – ao sul;
• Os babilônios e caldeus – no centro;
• Os assírios – ao norte.

O primeiro povo a dominar a região foram os sumérios de onde surgiram as cidades mais antigas já encontradas pelos arqueólogos como Ur, Uruk e Lagash, por volta de 4000 a.c. Formaram aglomerados com várias construções e eram geralmente cercadas por muralhas, visando a sua proteção. Dentre essas construções destacavam-se os zigurates.

As principais atividades econômicas eram a agricultura (cevada, trigo, sésamo) e a pecuária (ovelhas, cabras, porcos, bois) e o comércio.

Eles desenvolveram também a tecelagem, fabricavam armas, joias e objetos de metal; mantinham escolas profissionais para o aprimoramento de fabricação de armas e cerâmicas.

Os comerciantes andavam em caravanas, levando seus produtos aos países vizinhos e às regiões mais distantes. Exportavam armas, tecidos de linho, lã e tapetes, além de pedras preciosas e perfumes.

Dessas terras traziam as matérias-primas que faltavam na Mesopotâmia, como o Marfim da Índia, o Cobre de Chipre e a madeira do Líbano.

De um modo geral, a sociedade da Mesopotâmia se dividia em três classes sociais:
• os awilum – sacerdotes, grandes proprietários, ricos comerciantes;
• os mushkenum – servidores dos palácios, artesãos, pequenos comerciantes;
• os escravos – prisioneiros de guerras ou endividados.
Os povos da Mesopotâmia eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Os deuses diferenciavam-se dos homens por serem mais fortes, todo-poderosos e imortais. Cada cidade tinha um deus próprio. Os principais deuses eram Anu (deus do céu), Ishtar (deusa do amor e da fertilidade) e Shamash (deus do sol e da justiça).

Os povos que habitaram a Mesopotâmia deixaram um grande legado. Os sumérios, por exemplo, inventaram a roda, a escrita chamada de cuneiforme (lendas dos heróis Gilgamesh) e os carros de guerra. O primeiro código de leis, chamado de Código de Hamurábi, noções de matemática e a astrologia de onde se derivou depois o horóscopo moderno, completam as principais contribuições dessa civilização para a humanidade.

O primeiro Código Jurídico. Vejamos algumas normas que mostram o rigor das punições: 
• Se um filho bater com as mãos em seu pai, terá suas mãos cortadas; 
• Se um homem furar o olho de um homem livre, terá o seu olho também furado; 
• Se furar o olho de um escravo pagará metade do seu valor; 
• Se um médico tratou a ferida grave de um homem com faca de bronze e ele morrer, o médico terá suas mãos cortadas, se um homem arrancar os dentes de outro homem livre, seus próprios dentes serão também arrancados; 
• Se um arquiteto construir uma casa e ela cair matando o dono, o arquiteto poderá ser morto; 
• Se o filho do dono da casa morrer, o filho do arquiteto também será morto; 
• Se um homem roubar uma casa, será morto no local onde praticou o roubo.

Ali podemos estudar qual era a organização da família, a variada condição dos indivíduos, o regime da propriedade, o sistema penal. Para as punições, esse código adotava a "lei de talião", que determinava que a pena aplicada ao criminoso fosse igual ao crime por ele cometido, ou seja,”olho por olho, dente por dente".


A Civilização Egípcia

A antiga civilização egípcia desenvolveu-se no nordeste da África, mesmo local do Egito atual, uma planície desértica cortada pelo rio Nilo. A vida no Egito só é possível, graças à proximidade do rio Nilo. O historiador grego Heródoto de Halicarnasso dizia “O Egito é uma dádiva do Nilo”.

As margens do Nilo são férteis, proveniente de depósitos de aluvião depositados pelo rio na época das cheias que ocorrem devido às chuvas torrenciais que caem nas montanhas centrais africanas nos meses de junho a setembro, no local da nascente, provocando inundações nas áreas mais baixas. Com o fim das cheias e o retorno do rio ao seu leito normal, o solo libera o húmus, fertilizante natural que fazia da agricultura egípcia, a mais fértil do mundo antigo.

O Egito dividia-se em duas regiões, Alto Egito ao sul e o Baixo Egito ao norte, governadas por dois soberanos independentes que dominavam um grande número de comunidades chamadas nomos.

Por volta de 3200 a.c., o rei do Alto Egito Menés unificou os dois reinos, tornando-se o primeiro faraó e criando a primeira dinastia. Com ele nasceu o Estado egípcio teocrático. Os egípcios passaram a adoram o faraó como um Deus, a quem pertencia todas as terras do país e para quem todos deveriam pagar tributos e prestar serviços, característica típica do modo de produção asiático.

Durante toda sua história, o Egito teve 31 dinastias que o governaram. Os períodos da história egípcia são:   
*Pré-Dinástico – Antes de 3200ac;

*Dinástico, dividido em: 
  • Antigo Império (3200 a.c. – 2300 a.c.) – Com capital em Menfis (Construção das grandes pirâmides); Entre 2400 a.c. e 2000 a.c. a autoridade dos faraós foi contestada e diminuída pelos governadores os nomarcas;
  •  Médio Império (2000 a.c – 1750 a.c.) – Com capital em Tebas. Período de expansão e conquista de territórios. Termina com a invasão dos hicsos; 
  • Novo Império (1580 a.c. - 525 a.c.) – Com capital em Tebas. O Egito expulsou os hicsos conquistando, em seguida, a Síria e a Palestina.
A sociedade egípcia estava dividida em: 
*Classe Dominante: 
- Faraó e sua família; 
- Nobres; 
- Sacerdotes; 
- Escribas. 

*Classe Dominada: 
- Artesãos; 
- Camponeses os felás; 
- Escravos (prisioneiros de guerra).

Os egípcios eram politeístas e seus deuses eram antropozoomórficos, ou seja, eram humanos com cabeças de animais. Os principais eram: 
- Rá: deus Sol; 
- Anúbis: deus dos mortos; 
- Hórus: deus do céu; 
- Toth: deus da sabedoria; 
- Osíres: deus da vida após a morte e da vegetação; 
- Ísis: deusa do amor e da magia; 
- Seth: deus do mal.

As maiores contribuições dos egípcios foram na Química (manipulação e fabricação de remédios), na Matemática (multiplicação, álgebra e geometria), Astronomia (mapas do céu estrela e constelações), Medicina (tratamento de doenças do coração), a escada, o espelho, técnicas de plantio mais eficientes, relógio de sol (dia com 24 horas) e o calendário (com 12 meses de 30 dias tendo 5 dias no final de festividades).  


Hebreus

Os hebreus são povos semitas originários da Mesopotâmia que passou pela Babilônia e pela Síria, mas se estabeleceram e viveram no Oriente Médio cerca do segundo milênio a.C. e que mais tarde originou os semitas como os judeus e os árabes, mas posteriormente o termo hebreu foi associado somente ao povo judeu.

A história da política hebraica é dividida em três fases: 
  • governo dos patriarcas – as comunidades tribais eram comandadas por chefes denominados patriarcas, venerados como “pais” da comunidade;
  • governo dos juízes – exerciam o poder político, militar e religioso. Comandavam de forma enérgica o cumprimento dos costumes religiosos, mas não contavam com uma estrutura administrativa regular; 
  • monarquia – criada para centralizar o poder e organizar forças para enfrentar os adversários.

No início, os hebreus eram pastores nômades. Mas, as medidas que foram conquistando terras palestinas passaram ao cultivo de cereais e depois alguns enriquecidos passaram a viver do comércio.

A história dos hebreus foi marcada por migrações, perseguições, lutas, cativeiros, fugas e dispersão, contudo eles mantiveram sua herança cultural devido à unidade linguística e à manutenção de uma forte tradição religiosa.

Por estar dispersos, isto é, espalhados pelo mundo, o povo judeu unido em comunidades extremamente tradicionais era considerado um povo sem pátria, sem lar. Eram várias comunidades em vários países do mundo, mas sem um território onde pudessem constituir governo, capital, bandeira, etc.

Isso só mudou com a criação do estado de Israel em 1948, na Palestina, mesmo lugar que os hebreus viveram no passado até serem expulsos pelos romanos no ano 70, fato que ficou conhecido como Diáspora. Sem dúvida, a maior contribuição cultural dos hebreus foi sua religião monoteísta de um só deus, Jeová (Iavé). Ela foi a base das maiores religiões da atualidade, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo seguidos por metade de população mundial.


Os Fenícios

Entre os séculos X e I a.c., a civilização fenícia desenvolveu-se em uma estreita faixa de terra (40 km) localizada entre as montanhas do Líbano e o Mar Mediterrâneo, onde hoje está o Líbano.

A Fenícia não era um reino unificado com um único soberano. Cada cidade tinha seu próprio rei e era um estado independente, sendo conhecidas como cidades-estados. As principais eram Sídon, Tiro, Biblos e Ugarit.

Como sua terra era desfavorável às atividades agrícolas, os fenícios dedicaram-se às atividades marítimo-mercantis e artesanato.

Sua sociedade era dividida em classe dominante (grandes empresários de comércio marítimo e de escravos, donos de oficinas de artesanato, funcionários do governo e sacerdotes) e classe dominada (pequenos artesãos, pescadores, camponeses e marinheiros). Havia também escravos.

Os fenícios eram politeístas e seus deuses eram antropomórficos. Os principais deuses eram Baal (Sol), Astartéia (Lua) e Dagon (trigo). Para acalmar a fúria dos deuses, sacrificavam-se animais e às vezes eram praticados terríveis sacrifícios humanos. Queimavam inclusive os próprios filhos.

A misteriosa civilização fenícia nos deixou o alfabeto com 22 letras (Aleph e Beth eram as duas primeiras letras), o vidro, embora os egípcios também reivindique a coautoria, as tintas de tecido (cor púrpura), o estudo da astronomia devido às navegações e as rotas e atividades marítimas


Os Persas

Por volta de 1500 a.c, povos indo-europeus entre eles os medos e os persas viviam no planalto do Irã, situado a sudeste da Mesopotâmia. Ao final do século VII a.C., os medos tinham um estado organizado e dominavam os persas. Em 550 a.C., comandado por Ciro, os persas venceram os medos, unificaram os dois povos e formaram um império.

Para governar o vasto império, Dario I dividiu-o em províncias, chamadas satrapias governadas por um administrador, o sátrapa. Havia em cada uma delas um general de confiança e um alto funcionário para fiscalizar os sátrapas.

Inicialmente a economia persa baseava-se na agricultura (centeio, trigo e cevada) e na criação de gado.

Com a expansão do império, a unidade política e a construção de estradas facilitaram a comunicação entre as satrapias, estimulando do artesanato e do comércio.

A religião persa era politeísta com o dualimo entre o deus do bem, Ormuz em uma luta eterna contra o deus do mal Arimã que terminaria no juízo final. Aliás, as ideias de juízo final, ressurreição dos mortos, salvação no Céu, condenação no inferno e o livre arbítrio onde cada pessoa é livre para escolher entre o caminho do bem ou o do mal são os princípios que influenciaram o cristianismo, o judaísmo e o islamismo nos dias atuais.

Os persas nos deixaram o modo de administrar um grande território dividindo-o em estados governados por funcionários como é feito hoje, as primeiras moedas (o dárico), a tentativa de criar uma língua universal (o aramaico) para que todos pudessem se comunicar e os princípios religiosos que foram incorporados pelas grandes religiões monoteístas da atualidade.